| Entidades denunciam política
do Governo Lula no setor energético
Fórum Nacional da Reforma Agrária e Movimento dos Atingidos Por Barragens (MAB) afirmam que Governo Lula vai desalojar mais famílias com a construção de hidroelétricas do que a meta de assentamento do PNRA em 2004. Da redação, 5 de março, 2004 Nos últimos 45 anos, mais de 1 milhão de brasileiros foram desalojados e 3,4 milhões de hectares de terras férteis foram inundadas pela construção de barragens. Até 2007, está prevista a construção de mais de 70 barragens em todo o país. O anúncio foi feito pelo Ministério de Minas e Energia na apresentação do Plano Plurianual (PPA). As entidades que integram o Fórum da Reforma Agrária, em especial o Movimento dos Atingidos Por Barragens (MAB), devem dar início a uma jornada de luta contra a atual política do Governo Lula no setor energético, desencadeando, dessa forma, um processo de construção de um novo modelo energético, que priorize o desenvolvimento de fontes alternativas energéticas. Integrantes do MAB citam como exemplo a energia solar, eólica, as pequenas barragens em local adequado com critérios estabelecidos pela população etc. Reivindica também o acesso à energia a todas as famílias e, principalmente, àquelas atingidas, além do assentamento das famílias atingidas em áreas próximas aos lagos e rios das hidroelétricas. MAB inicia marcha nacional
A Marcha Nacional Águas pela Vida, promovida pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), saiu dia 13 de Goiânia com a previsão de chegar a Brasília dia 24. Segundo os organizadores, o objetivo da mobilização é denunciar o descaso que aflige a maioria das cerca de 300 mil famílais que foram e continuam sendo desalojadas para a construção de barragens por todo o país desde os anos 60. Dados do MAB revelam que 70% das famílias não recebem qualquer tipo de indenização ao ser expulsas de suas terras. O ato de lançamento da marcha, realizado dia 13 no Paço Municipal de Goiânia, contou com a participação de lideranças dos movimentos sociais; deputados, como Edson Duarte (PV-BA) e representantes da Igreja Católica, como o bispo Dom Tomás Balduíno, presidente da Comissão Pastoral da Terra, além dos cerca de 400 participantes da marcha já concentrados no estádio Serra Dourada desde o dia anterior. Cristiane Nadaletti, da direção nacional do MAB, informa que, ao chegar em Brasília, os integrantes da marcha vão participar de audiência pública dia 25, quando será lançada a frente parlamentar em defesa dos atingidos por barragens, encabeçada pelos deputados Edson Duarte, Adão Pretto (PT-RS) e César Medeiros (PT-MG). Além da audiência
na Câmara, o movimento protocolou um pedido de audiência com
o presidente Lula. Segundo Cristiane, a mobilização pretende
ir além da denúncia. A idéia é também
reiterar a cobrança em cima de uma pauta de onze pontos apresentada
ao governo federal ainda na gestão FHC e que foi reapresentada no
começo do governo Lula.
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