| O Reich dos mil anos
Dentro desse prazo, julgarão a propriedade da TV-Globo? Por Hélio Fernandes, 8 de junho, 2004 A magistratura em peso, (e não apenas no Estado do Rio, mas também nos dois mais altos tribunais do País) acompanha o trabalho investigativo desta Tribuna da Imprensa em relação à propriedade da TV-Globo. Nenhuma animosidade, utilização de adjetivos, isenção completa e total. É um trabalho jornalístico coletivo, de alto nível, descobrindo informações incríveis. No Tribunal de Justiça do Estado do Rio, estarrecimento geral. 1 - Um desembargador ligadíssimo à família Marinho, foi designado para o "remanejamento" total e completo do juizado. 2 - Esse desembargador fazia e desfazia, não consultava ninguém, os atos saíam no DO com o nome dele. 3 - As facilidades, os privilégios, os patrocínios e os favorecimentos, de tal ordem, que quase houve um "motim a bordo da magistratura estadual". 4 - As coisas se modificaram, "tiraram o sofá da sala". 5 - Quer dizer: o mesmo desembargador continuou mandando e desmandando, trocando juízes de lugares onde ele nem sabe o que acontece, agindo discricionariamente. 6 - Nessa "faculdade-facilidade" de dominar tudo, o desembargador mantém "estreita vigilância" sobre o processo de contestação da propriedade da TV-Globo. 7 - Todas as vezes em que o processo estava em condições de ser apreciado, surgia o desembargador-desembaraçador para a família, (as duas, a dele, e a dos acusados) e deslocava os juízes que podiam julgar o caso, levando em consideração apenas "o que está nos autos". 8 - Muitos magistrados dizem com arrogância assustadora: "O que não está nos autos não existe, não me interessa". Ora, essa espécie de "direito" já caducou há muito, os magistrados (juízes de todas as categorias) que se prezam, sabem que os "autos" são importantes. Mas que ao lado dos "autos", dentro e fora dos "autos", está a vida de milhões de pessoas, que precisam ser examinadas, podem não estar nos "autos", mas fazem parte dessa glória feroz, selvagem, cruel e desumana de viver. E principalmente, viver fora dos "autos". De qualquer maneira, haja o que houver, QUANDO ou SE algum dia esse processo for julgado, o DIREITO dos que contestam e processam a TV-Globo será reconhecido amplamente. Vários desembargadores me dizem, (com a preservação dos nomes, em sigilo ou em off, infelizmente a vida é assim) duas coisas. 1 - "Um dia esse processo será julgado, sobre isso não há dúvida". Mas quando? 2 - "Mas enquanto esse desembargador mandar, ele fará todas as substituições no processo, "remanejando os juízes que não interessam, pois julgariam com independência e competência, aí a TV-Globo não tem como ganhar". 3 - Quando ele sentir a possibilidade do seu domínio estar ameaçado, colocará em condições de "julgar" esse processo, alguém da mais absoluta confiança. 4 - E a Globo vencerá, vencerá não, M-A-S-S-A-C-R-A-R-Á todos que se opõem ao seu Poder incontestável, inquestionável, incontrastável, incontrolável, irrevogável. Finalmente vários, (mais do que se esperava) desembargadores, o que se pode chamar a parte sã do Tribunal de Justiça, aplaudem: "Vocês da Tribuna da Imprensa estão prestando grande e extraordinário serviço à Justiça". Só que alertam: "Fiquem atentos para o golpe sujo "do troco", a parte corporativa da Justiça não perdoa. Vocês já foram vítimas de desembargadores e juízes sem a menor moral, continuarão na mira deles". PS - E três desembargadores que honrariam o Supremo: "Vocês são muito elogiados e aplaudidos. Serão igualmente defendidos? Só pelos advogados que contratarem, muitos já sabendo que perderão". Essa é a tragédia grega de uma parte da Justiça carioca. PS 2 - Há muitos
e muitos anos, eu já revelava isso ao desembargador Tiago Ribas,
antes dele presidir o Tribunal. Se o Órgão Especial quiser,
posso fazer um depoimento até sigiloso, contando como sempre funcionou
essa distribuição de processos.
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