Globopar tem lucro, mas dívida beira R$ 6 bilhões
Jornal do Commercio (RJ), 20 de maio, 2004


Após contabilizar prejuízos de R$ 5,021 bilhões em 2002, a Globopar, holding da família Marinho para área de televisão paga, voltou ao equilíbrio no ano passado e conseguiu lucro de R$ 47,529 milhões. A TV Globo, por sua vez, carro-chefe de televisão aberta do País, registrou lucro de R$ 120,865 milhões, com queda de 45% em relação aos R$ 220,247 milhões de 2002.

A Globopar continua em processo de negociação com os credores de negociação com os credores internacionais e tinha dívida consolidada de R$ 5,85 bilhões no final do ano passado (R$ 6,444 bilhões no final de 2002). As empresas são controladas pelos três filhos do empresário Roberto Marinho, falecido no ano passado (Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto).

TV Globo

A TV Globo é garantidora de débitos da Globopar no valor de R$ 4,031 bilhões (R$ 4,592 bilhões em 2002), o que levou a auditora da empresa, Maria Helena Petterson, da consultoria Ernest Young, a fazer restrições sobre os resultados da operadora, apesar do lucro do ano passado.

"A Globopar e suas subsidiárias têm incorrido em perdas operacionais, tem dificiência de capital de giro e não estão em dia com os credores", afirma a auditora. "Essas condições geram dúvidas quanto à capacidade da TV Globo de garantir os seus compromissos", complementa.

A auditoria observa também que as possibilidades de recuperação de empréstimos da TV Globo à  Globopar, no montante de R$ 510,457 milhões, e a recuperação de outros R$ 190,995 milhões de contas a receber com partes relacionadas estão vinculadas à conclusão das negociações com os credores e a reavaliação da estrutura de capital do grupo.

Os acionistas controladores injetaram R$ 510,457 milhões na Globopar no ano passado (R$ 282,240 milhões em 2002), o que garantiu à empresa a recuperação do seu capital de giro. Além disso, a empresa conseguiu elevar de forma substancial as receitas de aluguel que a TV Globo paga pelos imóveis e equipamentos utilizados pela operadora de TV, de propriedade da Globopar. Em 2003. essas receitas somaram R$ 165,617 milhões, com aumento de 135% sobre os R$ 70,502 milhões pagos em 2002.

Mesmo com o aporte dos acionistas, o caixa da Globopar continua bastante pressionado. No final de 2003, a empresa tinha R$ 869,021 milhões no ativo circulante (disponível no caixa e contas a receber no prazo de 12 meses) para um passivo circulante de R$ 5,850 bilhões. Isso basicamente porque a empresa suspendeu o pagamento de juros e principal aos credores e, conforme a prática bancária, essas operações são declaradas automaticamente como "vencidas".

A TV Globo faturou R$ 3,631 bilhões em 2003, com aumento de 19,34% em relação a 2002. O faturamento com partes relacionadas (empresas do mesmo grupo) registrou queda de 42%, atingindo R$ 95,048 milhões em 2003 (R$ 164,181 milhões em 2002). Os custos de produção registram aumento de 15,74%, atingindo R$ 1,772 bilhão no ano passado. Conforme balanço da empresa, a TV Globo contabilizou receitas de R$ 17,650 milhões com provisões para participações com empresas interligadas em 2003. No ano anterior essas provisões garantiram ganho de R$ 264 milhões, superando o valor de R$ 220,247 milhões do lucro líquido daquele ano.


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