| Rede Globo: fama a qualquer
preço
Gustavo Barreto, 17 de maio, 2004 Com a finalidade de aumentar a audiência da novela "Celebridade", a Rede Globo irá realizar no próximo dia 25 de maio, em horário nobre, uma suposta cena de ficção, mas que tem objetivos comuns com os interesses da emissora e do autor da novela. Para voltar a chamar a atenção da mídia, a aspirante a celebridade Jaqueline Joy (Juliana Paes) fará um strip-tease em plena praia. Orientada por seu empresário Nelito (Taumaturgo Ferreira), a moça contará com a ajuda de dois meninos, que encenarão dois assaltantes, para inventar o roubo de seu biquíni de R$ 850 que a deixará nua. O que era para ser uma crítica à intenção de Jaqueline (a fama a qualquer preço) acaba sendo a técnica da própria Globo, que mais uma vez mostra sua insensibilidade sócio-educativa e o que entende por "cultura nacional" — mulheres nuas e reverência pela fama. A referida novela passa em horário nobre, no canal 4 da TV aberta. Gilberto Braga:
fama a qualquer
preço e delírios de audiência Segundo
o autor Gilberto Braga (foto), deve haver uma nudez discreta. "Mas
nossa intenção não é causar sensacionalismo
e, sim, fazer graça. Gosto muito, aliás, da cena em que ela
dará queixa na delegacia enrolada numa toalha que uma boa senhora
lhe emprestará. Tudo para aparecer, ser fotografada, tadinha!",
afirmou, no Globo Online de hoje.
Braga foi autor da destacada série "Anos Rebeldes", uma das poucas coisas que a Globo já fez de bom. Ao falar em sensacionalismo espontaneamente — ninguém tinha perguntado — ele admite a existência da tática, muito pouco ou nada ética. Se fosse pelo gosto dele, 100% da roupa de Juliana Paes seria extinta. Não foi à toa que no dia 10 de maio algumas notas na mídia publicaram o delírio de Braga: "Eu quero 100% de audiência no último capítulo. Mas sei que ninguém consegue mais isso depois de Roque Santeiro". Por essas e por outras que a novela aparece no primeiro lugar de um ranking elaborado pela comissão federal "Ética na TV" (www.eticanatv.org.br) — uma parceria da Câmara com amplos e representativos grupos da sociedade civil — que recebe denúncias dos telespectadores em relação aos piores programas da TV aberta. No último relatório, do dia 7 de maio, o público reclama não só do apelo sexual, mas também da incitação à violência e do horário imprópria. Em segundo lugar está a novela Kubanacan, de Carlos Lombardi, contendo as mesmas reclamações. Quatro dos dez programas com mais denúncias fundamentadas são da Rede Globo. A Rede TV recebeu três denúncias, enquanto que Rede Record, Bandeirantes e SBT receberam apenas uma — o programa do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, aparece em terceiro lugar. Dá pena, com diz Braga, de tanta mediocridade televisiva. "Tadinho". Primeiros passos contra a
violência
Casas Bahia: Empresa
se opôs à campanha da
Comissão de Direitos Humanos da Câmara A
única empresa que não firmou nenhum compromisso foi a Casas
Bahia. Oito anunciantes não responderam aos ofícios da campanha.
São eles: Tim celulares (campanha Garota Tim), Saridon, BRA Transportes
Aéreos, Ministério das Cidades (campanha Se beber não
dirija), Emagrecedor Marins, Secretaria de Energia, Recursos Hídricos
e Saneamento de São Paulo (Sabesp), Curso de Idiomas Wizard e Emagrecedor
Marins.
As empresas que se comprometeram a rever suas estratégias de publicidade são: Casas Marabraz (SP), Centro Auditivo Telex (SP), Prefeitura de Fortaleza (CE), Secretaria da Fazenda do Distrito Federal (DF) e Folha de São Paulo (SP). A resposta da Casas Bahia de
SP foi a seguinte: "A emissora compra o acordo denominado anúncio
verticalizado. Esclarecemos que o acordo publicitário é anual
e que a alteração da programação de cada uma
das emissoras não altera o mencionado acordo, ou seja, independetemente
do programa ou do conteúdo da programação, os anúncios
da Casa Bahia Comercial Ltda. são veiculados ao menos uma vez em
cada intervalo comercial."
Mídia | Jornalismo Propositivo
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