Violência, Estado
e mercado
Clóvis Rossi, FSP, 14 de abril, 2004
O que conta é constatar que, nesse capítulo, o mercado, que é solução para tantas coisas, vira parte do problema, e o Estado é (ou deveria ser) parte da solução. O mercado de armas (legais ou ilegais) é parte do problema ao colocar instrumentos de morte nas mãos de tantos. O Estado deveria controlar esse mercado. O mercado da droga (ilegal, mas sempre mercado) é um estímulo à criminalidade. O Estado deveria combater esse negócio, mas é incapaz ou impotente. Por meritórias que sejam iniciativas educacionais de grupos empresariais, o fato é que educação de massa não é um assunto para o mercado, mas para o poder público. Por mais que proliferem exércitos privados, também em matéria de segurança não se trata de tarefa para o mercado, mas para o Estado. Executar tais tarefas com a eficiência indispensável custa dinheiro, como é óbvio. Mas a obsessão com o rigor orçamentário torna proibido reconhecer o óbvio, porque a constatação seguinte é a de que o equilíbrio fiscal se dá à custa da segurança pública, para não mencionar educação, saúde e muitos etc. A polícia precisa
ser saneada, precisa ganhar mais, precisa ser mais bem equipada. Fazer
de conta que é possível controlar a guerra civil a baixo
custo só levará, cedo ou tarde, à construção
de muros em todas as favelas, o que também será inútil.
Todos os governos recentes e não tão recentes fracassaram
nessa tarefa. São todos co-responsáveis pelos 2 milhões
de mortos.
Opinião | Arquivo
|