Escândalo na venda da Embratel
Tribuna da Imprensa, 26 de abril, 2004


Novo escândalo demonstra que foi um grave erro a privatização das empresas telefônicas, conduzida pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Informação publicada pelo jornal "Folha de S. Paulo" revela que um documento apreendido pela polícia na mesa do vice-presidente de Planejamento Estratégico da Telefônica, Eduardo Navarro, em São Paulo, cita a possibilidade de alinhar "tarifas pelo teto" caso se concretize a compra da Embratel pela empresa, em parceria com a Brasil Telecom e a Telemar. 

Com a formação desse cartel, a eliminação e redução de descontos das tarifas da Embratel - principal concorrente das três empresas - renderia à Telefônica até R$ 750 milhões, segundo projeções do relatório, datado de 10 de março. 

Lixo do lixo 
Ao ser indagado sobre a descoberta do documento, o vice-presidente da Telefônica, Eduardo Navarro, em cuja mesa foi encontrado o estudo, considerou o relatório "lixo do lixo do lixo" e "estúpido" e afirmou que o material não foi jogado fora por mera desorganização. 

A apreensão de documentos na mesa do executivo, no último dia 5, foi parte de uma busca relacionada ao inquérito sobre a falência da prestadora de serviços da área de telefonia Cobra SP. A Telefônica é acusada pelo empresário Armando Kilson Filho de levar a prestadora a essa situação. 

Sem preferência 
Na sexta-feira, antes de surgir o escândalo do alinhamento de tarifas, o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, disse que não tinha preferência por nenhum grupo que disputa a compra da Embratel. "Não há manifestação desse ministério nem a favor da Telmex, nem do consórcio Calais nem da Telos", afirmou Eunício. 

O ministro disse que sua posição sobre a venda da Embratel "é muito clara" e já foi manifestada mais de uma vez. "O governo tem interesse em ter uma golden share (ação com direitos especiais) na Star One", disse, em relação à empresa controlada pela Embratel que administra os satélites por onde trafegam as informações das Forças Armadas.

O próprio ministro já disse à empresa mexicana Telmex e ao consórcio Calais (Telemar, Brasil Telecom, Telefônica e Geodex) que o governo quer a golden share ou participação acionária na Star One, por meio de aporte financeiro do BNDES. Eunício disse que, além dos satélites, o ministério se preocupa também com o cumprimento do marco regulatório do setor, para impedir manipulação de tarifas. 
 


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