Cidadania e Política
Marcos Sílvio de Santana, 15 de fevereiro, 2004

O processo de desenvolvimento, hoje reclamado para o Brasil, esbarra em vários e conhecidos entraves, cuja remoção tem-se inviabilizado por uma espécie de analfabetismo político que predomina na sociedade atual. A maioria dos brasileiros (56%), não têm nenhum interesse em influenciar nas políticas públicas, não acreditam exercer ou não sabem que podem exercer algum tipo de poder. Esses dados constam de uma pesquisa realizada pelo Ibope, em novembro/2003, que revela também uma relação entre grau de instrução e motivação política.

Para o cidadão comum, política lembra coisas pouco nobres como "maracutaia", corrupção, falta de seriedade e outras tantas que se repugnam, pois entende não fazerem parte das suas práticas cotidianas; são coisas de políticos... Aqui, deixa de lembrar-se de que políticos são representantes legítimos do povo, pois o povo é que os escolhe, livre e democraticamente, entre seus próprios membros.

E por que quase sempre o cidadão se sente traído pelos seus eleitos, tão logo estes assumem o poder? Pode ser que o seu candidato não seja tão digno da escolha e tenha-se equivocado ao colocá-lo no cargo. Ou, talvez, ao chegar ao poder e inteirar-se da realidade que o esperava, o eleito tenha que tomar decisões que pareçam contrárias às aspirações do povo cuja pouca informação não lhe permite entender as razões de tais medidas. Daí começa a frustração, o desencanto, a revolta de onde brota a sensação de que tudo foi em vão e que, mais uma vez, foi vítima de engodo. Vem, então, a descrença e começa-se a reconstruir o império da desmotivação, da desesperança, enfim, ... e fica aquela idéia de que "político é tudo a mesma coisa".

Essas e outras dificuldades presentes estão intimamente ligadas ao nível de informação da sociedade. Vale, portanto, os esforços na busca constante de avanços na educação. Mas isso não é o bastante. É preciso mais, muito mais. Urge que sejam revistos e pluralizados os processos pedagógicos. A escola deve ir além de preparar vestibulandos e formar técnicos para a competição mecânica. Deve alfabetizar politicamente, construir cidadãos, dar noção de justiça, conscientizar o estudante da importância do seu papel na sociedade, como agente de direitos e deveres. Somente o conhecimento, a informação podem ser instrumentos para o indivíduo galgar o acesso da ingenuidade para a consciência crítica.

Restaurar as instituições, vencer empecilhos à promoção social e tantos outros desafios da nossa época, torna-se extremamente difícil por qualquer meio onde não esteja presente um razoável grau de cidadania. Somente o cidadão apto para discernir e cônscio das suas competências junto à sociedade irá comprometer-se com as causas e os fins comuns. Somente através da cidadania uma sociedade consegue derrubar os muros da descrença, da desmotivação e da indiferença, remover os escombros e reedificar o ânimo, a esperança e o entusiasmo tão necessários em qualquer projeto de sociedade desenvolvida, justa, solidária, livre, feliz.
 

Marcos Sílvio de Santana - Patos de Minas-MG [ssantana@netsite.com.br]


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