Greenpeace acusa 14 empresas dos EUA de destruição na Amazônia
José Meirelles Passos, O Globo, 20 de fevereiro de 2004 


WASHINGTON. O grupo ambientalista Greenpeace acusou ontem 14 empresas dos Estados Unidos de estarem estimulando tanto a destruição da floresta amazônica no Brasil quanto a violência e o trabalho escravo no estado do Pará. A lista contendo oito importadoras e seis distribuidoras de madeira foi enviada ao Departamento de Justiça americano, assim como ao Departamento de Estado, ao Departamento de Comércio e ao Serviço de Alfândega.

Elas são acusadas de fazer negócios com o Grupo Madenorte, de Belém, controlado por José Severino Filho e que, segundo investigações iniciadas pelo Greenpeace em 1992, faz desmatamentos ilegais nas regiões de Porto de Moz, na margem esquerda do rio Xingu, e em Praianha, uma área entre os rios Xingu e Tapajós.

— Ao fazer negócios com a Madenorte, empresas americanas contribuem diretamente para a destruição ambiental, a escravidão e morte na floresta amazônica — disse Scott Paul, coordenador da Campanha de Florestas do Greenpeace.

Ele se referia a um estudo de 56 páginas, intitulado “Estado de Conflito”, que registra as irregularidades cometidas pela companhia paraense, e que foi enviado tanto às autoridades dos EUA quanto às 14 empresas americanas. O documento diz que a Madenorte realiza extração predatória e ilegal de madeira, e que 90% do produto são exportados — sendo que 55% do total vão para os EUA.

“Os madeireiros exploram o vácuo legal e burocrático para ocupar terras usando um misto de grilagem e força física”, diz o informe. Ele acrescenta que o Pará é o estado com mais registros de trabalho escravo no Brasil e que é responsável por 60% dos trabalhadores que o governo libertou em 2003.


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