Sonetinho desesperado
Jésus Rocha, fevereiro de
2004
Eu a conheço (e como!)
em minha cama
Percebo que não tá
nem aí pra mim
Depois do amor ritualmente
exclama:
“Uau, não foi mal...
mas não tô mais a fim”.
No outro dia, envia e-mail,
me chama
Seu AP minúsculo
dá pra um jardim:
enquanto olha deixa escapar
que me ama
sem deixar claro se isso
é bom ou ruim.
Depois do amor, boceja e
aponta a porta
Não saio, explode
a paixão profunda:
Quero casar. “Casar”? Casar.
“Nem morta”.
Me traia, suma e volte, eu
me arranjo.
Te amo, te adoro, ouviu???
Sua vagabunda...
Não ouviu. Já
está dormindo como um anjo.
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