editorial
Onde
entra o Estado
G.B.,
26 de janeiro, 2004
Quando
começaram a aparecer as primeiras reportagens sobre o projeto de
lei que acaba com a assinatura de telefone fixo, não houve muita
preocupação com o bolso do consumidor. Destacou-se apenas
que a medida poderia "afugentar investimentos", já que os lucros
dos investidores internacionais seriam revertidos em benefício da
população. Falou-se ainda que seria uma "mudança de
regras no meio do jogo".
As
despesas de manutenção são facilmente pagas sem o
adicional da assinatura, a não ser que o serviço público
de telefonia seja considerado um "investimento" — como de fato ocorre.
Desta forma, os lucros precisam ser maiores.
O problema em considerar
áreas essenciais à nossa sobrevivência um investimento
é simples: todas essas áreas são deficitárias.
É por isso que devem ser papel do Estado. Das duas uma: ou o cidadão
sai prejudicado com serviços incompletos e/ou taxas abusivas, ou
a empresa não dá lucro e os investimentos desaparecem.
Deve-se pensar com seriedade
na reestatização de setores estratégicos para o País.
Por sinal, uma promessa histórica do PT que, até agora, não
mexeu uma palha — e ainda pensa em privatizar, conforme relatório
do ministério da Fazenda, o Banco do Estado do Maranhão (BEM).
Foi, entretanto, no PMDB
que se deu o primeiro passo: o governador do Paraná, Roberto Requião,
assinou em janeiro de 2004 cinco decretos para a reestatização
de estradas, declarando-os de "utilidade pública, para fins de desapropriação
e aquisição do controle acionário, 100% das ações
com direito a voto".
Por estratégico, sigo
o historiador e economista egípcio Samir Amin, que afirma estar
a dominação hegemônica das nações mais
desenvolvidas centrada em cinco áreas: (I) Tecnologia; (II) Fluxos
financeiros; (III) Informação e Cultura; (IV) Armamentos
e (V) Recursos Naturais.
Nota-se: para um investidor
privado, pouco importa se há pessoas passando fome ou sem o direito
a saúde pública de qualidade. Se não existir algum
tipo de retorno financeiro, pouco se importarão com nossas necessidades. |