O show não pode parar
Petrônio Souza Gonçalves, 10 de janeiro, 2004

Do centro do Planalto Central, palco das maiores bandas do rock nacional, assistimos ao show do governo Lula, que ao som do espetáculo do crescimento vem há um ano ‘batendo cabeça’, para deleite da platéia formada pelos maiores especuladores internacionais. Enquanto o governo federal empresta os talheres para o conluio internacional degustar o prato Brasil, neste espetáculo do decrescimento do país continental, o povo brasileiro vai ficando cada vez mais com a sensação de ter sido enganado no último pleito presidencial.

Lula foi eleito com uma proposta de mudança para nossa situação de país-colônia, parque de diversões da agiotagem internacional, ilha da fantasia sediada em Brasília. Depois de empossado, de ter usado todos os argumentos de esquerdista revolucionário, o presidente estufou o peito e disse com presteza que nunca foi de esquerda, que nunca comungou com os ideais do socialismo, aqueles que acreditam nos bens sociais para o todo. Daí, depois de ter vendido a esperança e a certeza de mudança, foi aos poucos mudando suas convicções e aderindo àquelas que dizia ser contra.

Para fugir do debate em relação às suas verdadeiras intenções, o presidente Lula começou a usar sua imagem de chefe da nação e foi aos poucos, como um camaleão, mudando de pele, de cor. Privatizou desde o primeiro momento a voz presidencial às organizações Globo. Tornou-se a estrela da banda, e não o maestro que organizaria e afinaria a orquestra para o grande concerto, o verdadeiro espetáculo.

Fundou um ministério de derrotados, de vencidos, dos que foram alijados pela força do voto, da democracia, de serem representantes do seu povo. Ainda assim, indo contra a voz do povo brasileiro, Lula os levou para o primeiro escalão do governo e o que se assiste até agora é este show de rock in roll que está aí, com denuncias de nepotismo, de uso indevido de verbas, e até de decisões inconstitucionais. Um vexame repetido.

Seguindo as premissas do populacho barato, Lula alardeava aos quatro ventos que seu time do coração era o Corinthians, mas posou, para toda imprensa pátria, com um sorriso dissimulado, vestindo a camisa do Flamengo. Uma hora vestia o boné dos sem-terras, outra, dançava danças tradicionais de outros povos, noutra, tornava-se cinegrafista. Riu, chorou, tocou guitarra, falou bonito e viajou o mundo com todas as pompas de uma grande estrela internacional.

Não quis, até agora, lutar pela melhora da nação, mas ser o detentor do poder dela. Bem ao estilo dos roqueiros que fazem canções de protesto para ganhar o público, sem nunca, depois do sucesso, seguir os seus velhos sonhos em busca de uma realidade mais igualitária para os que lhes ouvem. Vendem uma coisa e não entregam. Isto na constituição tem outro nome.

Assim vai Lula, vivendo de emoções, da falta de realidade palpável no destino da nação, da falta de mudanças. Para o continuísmo e perpetuação do poder, já anuncia que é candidato à reeleição em 2006. Um descaramento. Nem bem realizou as suas promessas de campanha, já pensa e trabalha para continuar à frente do destino da nação. Agora pergunto: para fazer o quê?!

Ainda assim vai o nosso presidente cantando aqui e acolá, como no velho sucesso do grupo brasiliense, Paralamas do Sucesso: Luiz Inácio não nos avisou, são 301 picaretas no centro do Planalto Central.
 

Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. E-mail: belooriente@cidademais.com.br


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