| Enquanto nos ‘levam’ tudo
Petrônio Souza Gonçalves, 18 de janeiro, 2004 As discussões se ouviram em todo território pátria a cerca da identificação ou não dos turistas americanos durante a chegada no Brasil. Para muitos, num primeiro momento, a atitude independente da justiça brasileira serviu de redenção, de resposta, por todos os anos de espoliação dos filhos da colônia Brasil pelos sobrinhos do Tio Sam. Sobre esta questão o governo Lula estufou o peito e até tentou tirar uma casquinha da situação. O que vale lembrar ao atual governo é que este constrangimento sofrido pelos brasileiros lá, em solo americano, é fruto da eterna política terceiro mundista do Brasil, do país colônia em favor da matriz, do agente colonizador. Não é com uma pequena e isolada atitude tomada fora da alçada da nossa política externa, das relações exteriores, que seremos menos colônia, menos submissos. Isto é no mínimo um revanchismo barato, fruto de uma política rasteira, de esquerdismo planfletário. Os brasileiros só são mal tratados nos EUA por que vão buscar lá o que nunca encontraram aqui, e, por isso, sofrem as maiores humilhações em nome da própria sobrevivência. O brasileiro que é um trabalhador aqui e não encontra emprego, tem que abandonar a sua terra, o seu torrão natal, para ser um desertor lá, um cidadão ilegal, um procurado pela polícia. E por que ele faz isso?! Por que nós, por meio da nossa elite política, aceitamos uma política ignominiosa dos EUA aqui, que levam nossas riquezas para lá e ainda pagam barato pelo nosso trabalho que para lá vai, buscando o que não lhe pertence mais. Ou seja, lucram duas vezes, enquanto a pátria perde três, ficando mais pobre em si mesma. Ao longo do tempo o governo brasileiro tem sido o maior agente desempregador da nossa história, que com uma política de entrega do patrimônio público, dos altos juros que desaquecem a economia e a produção, privilegiando sempre o capital especulativo em detrimento do produtivo, gerando assim o desemprego marchante. O Brasil é hoje o quinto maior país em território e número de habitantes. Detém a 12ª economia do mundo, com um potencial de crescimento econômico que nenhum outro país em todo planeta tem. Podemos assumir de uma vez por todas a frente do G-20, grupo que reúne os país emergentes como a China, Índia, África do Sul, Argentina, Paquistão, entre outros e buscarmos uma política externa voltada para suprimir as deficiência entre economias nacionais mais próximas. Mas tudo será em vão se não conseguirmos buscar nossa independência, nossa auto-determinação, nossa condição natural enquanto nação. E aí, nos livrarmos do agente colonizador que foi entronado por este novo governo e até considerado amigo, é ponto central nesta construção de um novo país, renascido em si mesmo. Sem isso, não poderemos acreditar que falamos de igual para com os americanos, quando, na verdade, estamos apenas buscando um tratamento especial, diferenciado, por eles, como as mucamas da casa grande. Isso não é igualdade, é neocolonialismo com todos os ingredientes para a sua eterna perpetuação. Com toda certeza, a busca por um tratamento digno por parte dos americamos não passa por nossos aeroportos ou portos, mas sim, pelas atitudes da nossa política nacional. Para finalizarmos esta resenha,
lembro da escabrosa foto do piloto americano que é exatamente a
síntese disso tudo, ou seja: vocês até podem até
fazer isso comigo aqui, mas, no final, quem ‘aproveita’ de vocês
somos nós...
Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. E-mail: belooriente@cidademais.com.br
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