Miro Teixeira esqueceu as
rádios comunitárias
Em 10 meses de gestão,
a iniciativa mais importante do ministro das Comunicações
a respeito do segmento foi formar um grupo de trabalho cujas deliberações
até hoje permanecem engavetadas. Enquanto isso, continua a perseguição
e repressão às emissoras por outros órgãos
da administração federal. Manifesto de 22 de janeiro,
2004
Em abril de 2003, o Fórum
Nacional pela Democratização da Comunicação
(FNDC) saudou a iniciativa do ministro das Comunicações,
Miro Teixeira, de criar um grupo de trabalho para, "em caráter emergencial
e extraordinário", rever os procedimentos referentes a permissões
de outorgas para o serviço de radiodifusão comunitária.
Três pessoas ligadas ao Fórum integraram o grupo, que tinha
como missão acelerar a tramitação de pelo menos 4,4
mil processos de pedidos de rádios comunitárias que estavam
parados no Departamento de Outorgas de Serviços do Ministério.
Três meses depois,
totalizando mais de 120 horas em 20 dias de atividades e 40 sessões
de trabalho, o relatório final do grupo apresentou uma série
de ações e procedimentos práticos que poderiam alterar
o tratamento dispensado pelo Estado às rádios comunitárias
desde a aprovação da lei 9.612, em fevereiro de 1998.
O Fórum lamenta e
denuncia o fato de que dez meses depois de firmar este compromisso com
a sociedade Miro Teixeira tenha repetido a prática comum aos demais
ministros das Comunicações: engavetar a resolução
dos problemas da radiodifusão comunitária. Seja por omissão
ou negligência, o ministro optou por não implementar de forma
efetiva qualquer das propostas apresentadas pela equipe que voluntariamente
trabalhou para mudar o quadro de descaso para com o segmento da radiodifusão
comunitária no Brasil.
O Fórum destaca especialmente
seis propostas desprezadas pelo ministro:
-
Implantação do
Manual de "Procedimentos para Análise de Processos de Radiodifusão
Comunitária" com a introdução de critérios,
objetivos e prazos;
-
Instalação do
Conselho de Acompanhamento da Radiodifusão Comunitária;
-
Criação de força-tarefa
integrada por técnicos do Ministério para em 18 meses desafogar
o excesso de processos em tramitação;
-
Realização de
consulta pública, em âmbito nacional, para manifestação
das comunidades a respeito do serviço prestado pelas rádios;
-
Simplificação
da documentação a ser apresentada e da análise
-
;Aprovação de
minuta de decreto introduzindo avanços fundamentais na legislação
de radiodifusão comunitária.
O ministro não
apenas desconsiderou a contribuição da equipe por ele reunida.
Miro foi incapaz de criar condições para processar com agilidade
os pedidos das emissoras existentes. Em seu relatório final, o grupo
de trabalho sugeriu inclusive como a situação emergencial
poderia ser saneada:
"Com os recursos humanos
e materiais hoje disponíveis, estima-se que o Ministério
tenha condições de desenvolver, mensalmente, até 900
procedimentos administrativos exigidos no processamento dos pedidos de
autorização, demandas estas que resultam em diligências
para o cumprimento de exigências, conclusão de processos e
arquivamentos.
Como cada processo envolve, em média,
entre três e quatro procedimentos, avalia-se que a equipe atualmente
constituída tenha capacidade de ultimar cerca de 250 processos por
mês, ou seja, concluir 3 mil processos por ano.
O interesse da sociedade no serviço
de radiodifusão comunitária tende a fazer com que os pedidos
de autorização se multipliquem. Além dos pedidos que
estão tramitando, arquivados e concluídos, decorrentes dos
18 avisos de habilitação até agora abertos, existem
protocolados no Ministério 4.662 pedidos de autorização
aguardando a abertura de novos avisos.
Embora muitos destes pedidos se refiram
a uma mesma localidade, a abertura dos avisos de habilitação
correspondentes, certamente mobilizará muitas outras entidades interessadas,
podendo até multiplicar este número.
A recuperação da credibilidade
do Ministério das Comunicações no processamento dos
pedidos de autorização, por outro lado, deverá encorajar
milhares de entidades a encaminhar pedidos de autorização,
prevendo-se, especialmente em um período inicial, um grande acúmulo
de solicitações.
Comprova esta avaliação
o fato de que, apenas durante as atividades do GT, entre 2 de abril e 2
de julho, com a percepção pela sociedade do novo posicionamento
do Ministério das Comunicações, acelerou-se significativamente
a apresentação de pedidos sendo que, em menos de 90 dias,
foram cadastrados cerca de 1.000 novos requerimentos, quase 25% do total
acumulado nos últimos anos.
Esta situação deverá
gerar um período crítico pelo menos ao longo dos próximos
18 meses, no qual se pode prever que a demanda será inúmeras
vezes superior à capacidade de processamento de pedidos de autorização
atualmente disponível pelo Ministério."
No momento em que apresenta
projetos da pasta para 2004, seria oportuno se o ministro Miro Teixeira
incluísse as propostas construídas pelo grupo de trabalho
constituído em 2 de abril de 2003. Tendo tornado pública
esta situação para a sociedade brasileira, as entidades integrantes
do FNDC esperam ainda que o trabalho realizado pelo grupo das rádios
comunitárias seja incorporado como diretriz do governo federal.
Só assim haverá
garantia de que as contribuições serão respeitadas
e implementadas, permitindo que centenas de comunidades do campo, da selva
e da cidade tenham acesso a esta forma democrática de se fazer comunicação.
Brasília,
22 de Janeiro de 2004.
Assinam pela Coordenação
Executiva do FNDC
Abraço – Associação
Brasileira de Radiodifusão Comunitária
CFP – Conselho Federal de
Psicologia
Enecos – Executiva Nacional
dos Estudantes de Comunicação Social
Fitert – Federação
Interestadual de Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão
Fenaj – Federação
Nacional dos Jornalistas
Busca
no site | Café
da Manhã | Principal.—.Consciência.Net
Publicidade
.
|