Telemar e o serviço
de consulta de pulsos
Gustavo Barreto, da redação
Consciência.Net,
28 de janeiro, 2004
Tem se divulgado por
meio da rede mundial de computadores a existência de um novo serviço
da empresa de telefonia Telemar, que atua em 16 estados. Segundo informações
largamente difundidas, a empresa estaria disponibilizando um telefone para
os usuários que quiserem verificar a quantidade de pulsos utilizados
— ou ainda “sistema de multimedição”, termo utilizado nos
documentos técnicos para confundir o público. O sistema é
conhecido como Disque Consumo.
Segundo a divulgação
recebida por nós, através do 0800.2825.154 o usuário
poderá fazer a consulta de forma gratuita.
Informação
procede, com ressalvas
A redação
da revista Consciência.Net testou o serviço e verificou
que o telefone existe. Apesar disso, por volta das 15 horas de hoje (28
de janeiro), o cidadão que quisesse verificar seus pulsos receberia
apenas a seguinte mensagem: “Prezado cliente: Devido a ajustes técnicos
para melhor atendê-lo, o serviço Disque Consumo encontra-se
indisponível temporariamente”.
No sítio oficial da
empresa (www.telemar.com.br),
a nossa redação não conseguiu localizar a publicação
do serviço. Se o usuário tentar seguir o caminho “Mapa” e
depois “Residencial”, em nenhum dos ítens consta o Disque Consumo.
Nem mesmo em “Telefones das Centrais de Serviços”.
Pode-se achar o 0800 do “Como
estou dirigindo”, o do “Reciclagem cartucho de impressora”, mas nada sobre
o Disque Consumo.
Na indicação
“Assessoria de Imprensa”, por incrível que pareça, não
há qualquer e-mail ou telefone. A nossa redação tentou,
então, entrar em contato por meio do formulário do sítio,
no item “Entre em contato”.
A nossa mensagem não
pôde ser enviada, apesar de cinco tentativas. No momento do envio,
a Telemar apenas respondia: “Prezado cliente, Desculpe-nos o transtorno.
No momento estamos atualizando nosso banco de dados. Por favor, refaça
a sua solicitação em alguns instantes. A Telemar agradece
sua compreensão”.[1]
Outra tentativa
Para tentar saber mais informações
sobre
o Disque Consumo, decidimos acionar o governo, por meio do CODECON
— Comissão de Defesa do Consumidor, que também possui um
serviço de atendimento gratuito. O telefone é o 0800.282.7060.
Por volta das 16 horas, nenhum
advogado estava disponível. “Não estou sabendo disso não.
Você poderá ligar amanhã, por volta das 9 horas”, nos
informou a assessora.
Mais uma tentativa
Desta vez, a tentativa é
por meio do telefone oficial da Telemar, o 104. Para minha surpresa, não
houve muita espera até que alguém atendesse.
— Bom dia,
gostaria de saber mais informações sobre o Disque Consumo.
— Senhor, no
momento o Disque Consumo está em fase de testes.
— Sim, entendo.
Você se importa de responder algumas perguntas sobre este serviço?
— Não,
senhor.
— Há
quanto tempo o Disque Consumo existe?
— Há
um bom tempo, senhor.
— Você
saberia me dizer há quanto tempo? Pelo menos há quantos meses.
— Espere um
pouco, senhor.
[Quatro minutos de espera]
— Senhor, o
Disque Consumo começou a funcionar em julho de 2003 e foi desativado
em 11 de setembro [dois meses depois], para melhorias no serviço.
— Entendo.
Há previsão de retorno do serviço?
— Não,
senhor. Não temos esta previsão. |
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Em outras palavras: ao contrário
do que se divulga pela Internet, o serviço, pelo menos por hora,
não existe.
A assessoria da Anatel (Agência
Nacional de Telecomunicações), responsável pela fiscalização
do setor, informa que o Disque Consumo é um serviço
adicional e reclamações sobre seu funcionamento devem ser
feitos diretamente à prestadora.
Cobrança injusta
Segundo o diretor do Procon
de Juiz de Fora, Nilson Ferreira, esta forma de cobrança é
injusta: "Nos Estados Unidos e em vários países da Europa
já não existe mais a cobrança por pulsos telefônicos.
Nestes países a cobrança é feita por minuto, o que
é muito mais justo e muito mais transparente".
A assessoria da Anatel informou
que este sistema de cobrança por pulsos está com os dias
contados: em 31 de dezembro de 2005 o contrato atual terá fim. Segundo
a Anatel, este contrato foi feito poucos dias antes da privatização
das Teles, em 1998, sofrendo diversas alterações em um segundo
momento.
Como são contados
os pulsos telefônicos
No horário normal
(entre 6:00 à 0:00 durante a semana e das 6:00 às 14:00 aos
sábados), o contador marca um pulso assim que a ligação
é completada. Depois disso, a cada quatro minutos, é contado
um outro pulso.
No horário reduzido
(entre 0:00 às 6:00 durante a semana, todo o domingo e feriado,
sábado exceto das 6:00 às 14:00), cada chamada só
conta um pulso, independente do tempo da ligação. Nas ligações
de um telefone fixo para um celular, é cobrado um pulso a cada 6
segundos.
Como para cada chamada são
cobrados no mínimo trinta segundos, mesmo que a ligação
caia na caixa postal e o usuário desligue sem deixar recado, ele
terá que pagar a quantia paga por meio minuto de ligação.
As assinaturas residenciais dão direito a uma quantidade de pulsos
mensais. Acima desse nível é cobrada uma taxa por pulso.
Sobre o 0800
Diferente do que ocorre
com os números que começam com 0300 — que possui um custo
fixo pago pelo consumidor, de qualquer parte do país — o 0800 é
uma chamada franqueada, usada normalmente para serviços de atendimento
ao consumidor. Quem paga é a empresa que criou o serviço.
Em muitos casos, as empresas
têm omitido os 0800 que são obrigadas a ter para diminuir
custos em cima da falta de informação do cidadão.
História
Anatel e as privatizações
Para dar suporte ao processo
de privatização das Teles, foi promulgada a Lei 9.472, de
16 de julho de 1997, que dispõe “sobre a organização
dos serviços de telecomunicações, a criação
e funcionamento de um órgão regulador e outros aspectos institucionais,
nos termos da Emenda Constitucional nº 8, de 15 de agosto de 1995”,
tudo sob o comando do então Ministro das Comunicações
– Sérgio Motta. Era conhecida como Lei Geral das Telecomunicações
Brasileiras.
No dia 29 de julho de 1998,
as 12 empresas do Sistema Telebrás foram vendidas por R$ 22 bilhões.
Em Brasília, o ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros disse:
"Estou absolutamente excitado". Antes, em 1996, já havia sido vendidas
a Rede Ferroviária e a Light.
As privatizações
do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foram marcadas pela suspeição.
O ex-caixa de campanha de
Fernando Henrique Cardoso e de José Serra, um tal Ricardo Sérgio
de Oliveira, que depois foi agraciado com a diretoria da Área Internacional
do Banco do Brasil, não conseguiu se defender das acusações
de pedir propinas para beneficiar grupos interessados no programa de privatização.
O mala-preta de Cardoso teria
pedido R$ 15 milhões a Benjamin Steinbruch para conseguir o apoio
financeiro de fundos de pensão para a formação de
um consórcio para arrematar a cia. Vale do Rio Doce e R$ 90 milhões
para ajudar na montagem do consórcio Telemar.
Não foi só:
grampos instalados no BNDES pescaram conversas entre Luiz Carlos Mendonça
de Barros, então ministro das Comunicações, e André
Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da
Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha
como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça
de Barros e de Lara Resende, nos leilões que se seguiram ao esquartejamento
da Telebrás. O grampo detectou a voz do ex-presidente Cardoso autorizando
o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários
do Banco do Brasil.
O modelo fracassado
Quando sancionou a Lei Geral
das Telecomunicações, o presidente Fernando Henrique Cardoso
disse que o dinheiro obtido com a privatização seria usado
para abater a dívida pública. O ministro Sergio Motta, favorável
ao remanejamento de parte dos recursos na área social, criticou
Gustavo Franco, que ocupava a direção do Banco Central.
FHC enfatizou, à época,
que o controle das finanças públicas e da inflação
era fundamental para o País. E argumentou que o Governo, ao assegurar
o equilíbrio das contas, criava condições para a execução
de programas sociais previstos no Orçamento.
Em pouco tempo, os dados
do IBGE — instituto mantido pelo próprio governo — mostraram o desastre
social provocado por tais ideais.
Enquanto caiu a renda do
trabalhador, subiram os impostos, que no Brasil castigam o andar de baixo.
Na década de 90, a participação da arrecadação
de impostos passou de 15,5% para 17,36% do PIB. Também cresceu de
32,56% para 41,93% a participação de lucros, juros e dividendos
de empresas e bancos.
Criação
da Anatel - Lei 9.472 - 16 de julho de 1997
http://www.anatel.gov.br/(..)/leigeral.pdf
Taxa de assinatura telefônica
pode acabar
http://www.consciencia.net/(..)telefone.html
Serviços
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