História
Anatel e as privatizações
Da redação, janeiro de 2004

Para dar suporte ao processo de privatização das Teles, foi promulgada a Lei 9.472, de 16 de julho de 1997, que dispõe “sobre a organização dos serviços de telecomunicações, a criação e funcionamento de um órgão regulador e outros aspectos institucionais, nos termos da Emenda Constitucional nº 8, de 15 de agosto de 1995”, tudo sob o comando do então Ministro das Comunicações – Sérgio Motta. Era conhecida como Lei Geral das Telecomunicações Brasileiras.

No dia 29 de julho de 1998, as 12 empresas do Sistema Telebrás foram vendidas por R$ 22 bilhões. Em Brasília, o ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros disse: "Estou absolutamente excitado". Antes, em 1996, já havia sido vendidas a Rede Ferroviária e a Light.

As privatizações do sistema Telebrás e da Vale do Rio Doce foram marcadas pela suspeição.

O ex-caixa de campanha de Fernando Henrique Cardoso e de José Serra, um tal Ricardo Sérgio de Oliveira, que depois foi agraciado com a diretoria da Área Internacional do Banco do Brasil, não conseguiu se defender das acusações de pedir propinas para beneficiar grupos interessados no programa de privatização.

O mala-preta de Cardoso teria pedido R$ 15 milhões a Benjamin Steinbruch para conseguir o apoio financeiro de fundos de pensão para a formação de um consórcio para arrematar a cia. Vale do Rio Doce e R$ 90 milhões para ajudar na montagem do consórcio Telemar.

Não foi só: grampos instalados no BNDES pescaram conversas entre Luiz Carlos Mendonça de Barros, então ministro das Comunicações, e André Lara Resende, então presidente do BNDES, articulando o apoio da Previ para beneficiar o consórcio do banco Opportunity, que tinha como um dos donos o economista Pérsio Arida, amigo de Mendonça de Barros e de Lara Resende, nos leilões que se seguiram ao esquartejamento da Telebrás. O grampo detectou a voz do ex-presidente Cardoso autorizando o uso de seu nome para pressionar o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil.

O modelo fracassado
Quando sancionou a Lei Geral das Telecomunicações, o presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o dinheiro obtido com a privatização seria usado para abater a dívida pública. O ministro Sergio Motta, favorável ao remanejamento de parte dos recursos na área social, criticou Gustavo Franco, que ocupava a direção do Banco Central.

FHC enfatizou, à época, que o controle das finanças públicas e da inflação era fundamental para o País. E argumentou que o Governo, ao assegurar o equilíbrio das contas, criava condições para a execução de programas sociais previstos no Orçamento.

Em pouco tempo, os dados do IBGE — instituto mantido pelo próprio governo — mostraram o desastre social provocado por tais ideais.

Enquanto caiu a renda do trabalhador, subiram os impostos, que no Brasil castigam o andar de baixo. Na década de 90, a participação da arrecadação de impostos passou de 15,5% para 17,36% do PIB. Também cresceu de 32,56% para 41,93% a participação de lucros, juros e dividendos de empresas e bancos.
 


Criação da Anatel - Lei 9.472 - 16 de julho de 1997
http://www.anatel.gov.br/(...)/leigeral.pdf
 


Especial Anatel | Mídia

Busca no site | Café da Manhã | Principal.—.Consciência.Net


Publicidade

.