2. Entrada
Dia 19
de abril de 2000, às 10 da manhã, uma bomba explodiu na lanchonete
McDonald’s da cidade francesa de Dinan, matando um funcionário.
Atentados contra McDonald’s vêm se tornando comuns. Você não
acha curioso? McDonald’s é uma cadeia de lojas de alimentação
que vende lanches gordurosos, de alto teor calórico, sem fibras;
é americana. Até aí, tudo normal; antiamericanismo
está na moda de novo. Mas por que não atacam um banco americano,
por exemplo, e sim uma loja de comida?
3. Prato principal
Vamos
voltar 106 anos atrás, 5 de fevereiro de 1895, 4 da madrugada em
Milão. Carlos Gomes, saudoso da pátria, sentindo findar-se
a vida, escreve para casa, comunicando que vai voltar e como quer ser recebido.
Emocionante. Leia, com a grafia original: "Preparem um quitute levado do
diabo; não se esqueçam do revirado, paçoca, pirão,
cambuquira, picadinho, quibebe, cuscus de guaraguaru e lambary do Tamanduatahy,
caranguejos, pipóca, quingonbô, canjica, mingao de araruta.
Içá, tanajura, cará, mandioca, angu de fubá,
camarão com palmito, ropa velha com malagueta (ahi!). No fim a garapa,
rapadura, pé de muleque, cocada, torrada, mandoby e mangaritos,
batata doce." Só faltou feijoada porque ainda não era prato
nacional, mas não esqueceu a mandioca velha de guerra. São
conhecidas as lendas indígenas sobre sua origem. Ora é a
menina desprezada pelo pai que pede à mãe para enterrá-la
e, assim, ser útil à sua gente, renascendo do chão
na forma da planta comestível; ora é o veado a salvar da
morte o peixe bagadu, que o presenteia com segredo guardado no fundo do
rio: mudas de mandioca, divididas com os humanos.
Portugal
nosso avozinho e África nossa avozinha logo se adaptaram à
alimentação dos índios – o "pão brasileiro".
Ora veja que agora o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B-SP), depois
de causar polêmica com projeto em defesa da língua "brasileira",
propõe adicionar farinha de mandioca ao pão de padaria. Diz
que já fizeram os testes, e que o novo pão brasileiro ficou
mais gostoso ainda.
4. Sobremesa
Devemos
defender nossa culinária como se fosse nosso próprio território.
Romanos diziam "onde se falar latim, aí estará Roma". Americanos
podem dizer "onde se comer um big-mac, aí estarão os Estados
Unidos". Eis uma explicação para os atentados contra McDonald’s.
Comida: símbolo nacional mais forte que bandeira ou moeda.
Mylton Severiano é jornalista
Fonte: Caros
Amigos
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