Ameaça de morte a dom Pedro
Casaldáliga
Núbia Maria da Silva, de São Félix do Araguaia (MT)
Em Alto da Boa Vista, o prefeito Mário Barbosa fechou as escolas e, junto com grandes fazendeiros da região, incentiva os posseiros a permanecerem acampados à beira da estrada, em posição de confronto. Os ocupantes da terra indígena estão buscando os prefeitos dos municípios de Serra Nova, Bom Jesus e São Félix do Araguaia para aliarem-se na disputa pela terra. Nas rádios de São Félix e de Alto Boa Vista são constantes os ataques a dom Pedro, a Edson Beriz, coordenador da Funai de Goiás, e a Franklin Machado, que há quatro anos trabalha com saúde indígena junto aos povos tapirapé, avá canoeiro, tapuia e parte dos karajá da Ilha do Bananal, em Mato Grosso e Goiás. As emissoras veiculam informações de que eles são responsáveis pelo retorno dos xavante para a área e que não querem o progresso da região. Telefonemas anônimos, de alguém dizendo-se ligado aos fazendeiros, revelou que as mortes estão valendo R$ 60 mil "por cabeça". Indígenas e posseiros disputam a posse de 160 mil hectares da reserva indígena, homologada em nome da União há quatro anos. O palco da discussão já foi considerado a maior fazenda de gado do mundo, com 1 milhão de hectares, na década de 60. Nessa época, pertencia à holding italiana Lukifarma, proprietária da Agip no Brasil. A Funai e o Ministério Público Federal entraram com uma ação civil pública na Justiça, pedindo que a posse seja devolvida. A ação foi movida há oito anos e o conflito acirrado no dia 11, quando os xavantes reocuparam a área.
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