| Lula retoma a rédea
Mauro Braga, Tribuna da Imprensa 29 de novembro, 2003 O discurso do presidente Luiz Inacio Lula da Silva, ontem, perante a platéia de exportadores no Hotel Glória, mostrou claramente que não há mais divisão no governo entre a ala desenvolvimentista e a ala ortodoxa. A partir de agora, a ordem é fazer o País voltar a crescer. E estamos conversados. Ou seja, depois de aturar a política monetarista recessiva que vem sendo imposta pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o presidente Lula agora retoma plenamente as rédeas do governo, para encenar o tão ansiado espetáculo do crescimento. É claro que a política implantada por Meirelles era necessária para acalmar o tal do mercado, digamos assim, mas o que vinha se discutindo era o prolongamento demasiado dessa orientação monetarista, que nos últimos meses só tem privilegiado o mercado especulativo, fazendo crescer ininterruptamente a dívida pública e inibindo o crescimento. Agora, não há mais dúvida. O País vai crescer ou crescer, e o presidente mostrou claramente que esse processo desenvolvimentista será conduzido por ele próprio, que pronunciou um discurso nacionalista do mais alto nível, digno de entrar na História. Prestígio
Embora nenhum jornal tenta publicado uma só linha a respeito, recentemente o presidente Lula deu uma bronca homérica em Palocci, diante de outros ministros, porque ele fechou o acordo com o FMI sem consulta prévia ao presidente. Meirelles
Na reunião que Lula promoveu sábado na Granja do Torto, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, interpelou Meirelles na frente de toda a equipe e da cúpula do PT, indagando por que os juros demoram tanto a cair. O presidente do BC ficou lívido e deu uma resposta técnico-embromativa, enquanto a turma do deixa-disso mudava de assunto. Estranho no ninho
Renúncia
Esse desprendimento é levado em consideração pelo presidente Lula, mas não há dúvida de que o chefe do governo já perdeu a paciência com os sucessivos adiamentos da estréia do espetáculo do crescimento. Juros
"Tivemos um ano muito duro, mas colhemos frutos desse ajuste: uma projeção de inflação futura abaixo de 6%, juros futuros de um dígito e indicadores muito melhores para um processo de crescimento sustentado que já começou", afirmou. Detalhes
Ocorre que Palocci e Meirelles, quando falam em juros de um dígito, estão se referindo a juros reais, acima da inflação. Como a inflação futura está projetada em 5,5% ao ano, se os juros reais baixarem a um dígito (9,5%, digamos), teremos uma taxa básica Selic de 15%. Ou seja, pouquíssima diferença para os atuais 17,5%. A briga vai rolar nesses detalhes, que não são pequenos como os de Roberto Carlos.
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