Chuva inunda sala de obras raras de biblioteca da UFRJ
Alba Valéria Mendonça, O Globo, 3 de dezembro, 2003


A forte chuva que caiu no fim de semana, além de deixar centenas de pessoas desalojadas na Baixada Fluminense, inundou a sala de obras raras da biblioteca da Escola de Belas Artes (EBA) da UFRJ, na Ilha do Fundão. Dos 35 mil títulos da biblioteca, cerca de 200 livros raros, entre eles obras do século XIX e que chegaram ao Brasil com a Missão Artística Francesa — trazida por dom João VI — estão encharcados, correndo o risco de se perderem para sempre. A equipe da EBA corre contra o tempo e a falta de verbas para tentar salvar as obras.

São enciclopédias com mais de 20 volumes, como a “Fauna brasileira”, que estão sendo secadas folha a folha, com um mata-borrão. As páginas estão sendo envoltas em papel de seda, para que não grudem umas nas outras. Já para tentar recuperar o conjunto de aquarelas “Eliseu Visconti e seu tempo”, será preciso mergulhar o livro em água morna para que as páginas se soltem e só depois iniciar o processo de secagem.

Professores e funcionários estão fazendo mutirão para comprar o material necessário para salvar os livros, como papel mata-borrão e de seda, além de luvas, máscaras e aventais. Segundo a diretora da EBA, Angela Ancora da Luz, a recuperação das obras deve custar, pelo menos, R$ 150 mil.

A diretora contou que a água que entrou pelo telhado rachado alagou o oitavo andar do prédio da reitoria e atingiu o sétimo pavimento, onde fica a biblioteca, por fissuras no rebaixamento do teto e canaletas do sistema elétrico. A biblioteca foi reformada há menos de um ano.

— A água entrou com tanta força, que levantou os tacos do assoalho da biblioteca. Quando entramos na sala de obras raras, na segunda-feira, estava tudo inundado — lembrou a diretora, acrescentando que também foram danificados os três computadores da biblioteca.

Nível dos rios na Baixada começa a voltar ao normal

No primeiro dia sem chuva desde o temporal que caiu no fim de semana, o nível dos rios da Baixada começou a voltar ao normal ontem. Áreas inundadas começaram a secar, mas, nos municípios mais atingidos, como Magé, Duque de Caxias, São João de Meriti e Belford Roxo, cerca de 500 pessoas ainda estão desalojadas, abrigadas em escolas públicas. Para resolver mais rapidamente este problema, o presidente da Associação de Prefeitos da Baixada, o prefeito de Paracambi, André Ceciliano, foi ontem a Brasília pedir apoio da ministra da Ação Social, Benedita da Silva.

Ceciliano foi reforçar o pedido de rápida liberação de verba para o Fundo Municipal de Assistência Social, para que os municípios possam ajudar as famílias alojadas nas escolas a retomar sua vida.

Por determinação do vice-governador Luiz Paulo Conde, a Serla vai criar uma agência regional na Baixada Fluminense. Também por ordem dele, foi antecipada a Operação Rio Limpo, de limpeza e dragagem de mais de 40 rios e canais da Baixada e da Zona Oeste do Rio.
 

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