PT expulsa radicais do partido
Ricardo Mignone, da Folha Online
14 de dezembro de 2003


O Diretório Nacional do PT decidiu, por 55 votos a favor e 27 contra, expulsar do partido os deputados Luciana Genro (RS) e João Batista, o Babá (PA), e a senadora Heloísa Helena (AL). Segundo o deputado distrital Chico Vigilante (DF), o senador Eduardo Suplicy (SP) tentou colocar em votação a opção de suspender os radicais por seis meses do partido. Mas o pedido foi negado pelos integrantes do Diretório.

Segundo Vigilante, o discurso mais veemente contra os radicais foi feito pelo líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Segundo Mercadante, os radicais optaram por uma "construção" diferente e espera que eles estejam errados e que se arrependam no futuro.

Ainda de acordo com relatos de Vigilante, a senadora Heloísa Helena chorou muito logo depois da decisão. "Eles ainda estão lá dentro meio perplexos", relatou o deputado. "Essa decisão [expulsão], que eu acho que demorou muito, é a que o partido esperava", disse Vigilante.

No início da tarde, o diretório já havia decidido desligar dos quadros do PT o deputado João Fontes (SE). Foram 55 votos a favor da expulsão, 26 contra e uma abstenção. O diretório se reuniu no hotel Blue Tree Park, em Brasília.
 

Petistas históricos deixam partido após expulsões

Leandro Konder, Milton Temer e Carlos Nelson Coutinho decidiram abandonar o PT para abrir um novo fórum de discussões de esquerda. Nilson Brandão Junior, Agência Estado, 14 de dezembro, 2003


As expulsões definidas hoje pelo PT levarão petistas históricos a deixarem a legenda e abrirem um novo fórum de discussões de esquerda. "Vamos continuar discutindo alternativas de ação política, que devem resultar num fórum, que pode resultar numa legenda alternativa que recupere a simbologia original do PT", disse o ex-deputado Milton Temer. Amigos há 40 anos, ex-militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e no PT desde a segunda metade dos anos de 1980, Temer, o filosófo Leandro Konder e o professor da UFRJ Carlos Nelson Coutinho decidiram deixar o partido, em função da decisão tomada hoje na reunião do Diretório Nacional do PT.

"As expulsões de hoje foram a gota d’água. A gente já estava sentindo que o partido vinha se adaptando demais a uma visão estritamente administrativa e governamental, sem grandeza, sem ideais. A expulsão precipitou nossa decisão", disse Konder. Para o intelecual, no lugar de punir os descontentes, o PT deveria estimular o debate. "Um partido que está no poder sofre uma ação amolecedora da ideologia, então tem de cultivar a inquietação, a discussão interna", disse Konder. Na sua avaliação, o PT era, na origem, heróico, combativo e não reprimia a discussão.

Tucanos
"Não há nenhuma dúvida de que acabou o projeto do PT enquanto legenda de transformação social do país", afirma Temer. O ex-deputado antevê, inclusive, uma aproximação futura do partido com o PSDB. "O PT vai ser o partido majoritário de uma composição social-liberal, onde mais tarde o PSDB vai se incorporar. Não tem nenhuma dúvida. O PSDB não tem a menor divergência ideológica com o governo Lula e a nova visão do PT. O que há é uma irritação, de cobrança de direitos autoriais sobre a obra", comentou o ex-deputado petista, referindo-se ao que considera um formato semelhante de condução do governo e da economia.
 

Após expulsão, PT adverte os outros rebeldes
Agência Estado, 14 de dezembro, 2003

O PT expulsou os quatro radicais mas continuará com o dilema: ser governo e conviver pacificamente com os rebeldes. Mas o comando partidário adverte aos cerca de 30 parlamentares de esquerda que, daqui para frente, não vai tolerar dissidências e quem cometer infrações será punido. Segundo o secretário de Organização do partido, Sílvio Pereira, “se algumas tendências não mudarem sua prática e discurso irão para o caminho do confronto”.

Apesar de os dirigentes pretenderem agora unificar o discurso para ter coesão na sustentação política do governo, a expectativa é de que os embates vão se repetir já no próximo ano, quando estarão em pauta assuntos polêmicos como a autonomia do Banco Central e reformas trabalhista e sindical. São pontos que não unem as várias tendências dentro do partido.

Na avaliação do presidente do partido, José Genoino, todos as correntes do PT terão espaço para o debate, mas serão obrigados a seguir a orientação partidária no voto. “O PT sai deste episódio reafirmando a condição de partido pluralista mas de unidade de ação”, disse.

O secretário-geral do PT, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), acha que a expulsão dos radicais não desgastará o partido nem significa uma guinada para o centro e o afastamento da esquerda. “O PT fica como está, nem menos nem mais de esquerda. Acho que o partido saiu fortalecido, pois foi uma decisão de dois terços do diretório nacional”, disse.

Contra e a favor
Além do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, discursaram pela expulsão dos radicais do PT o ministro da Educação, Cristovam Buarque, a senadora Ideli Salvatti (SC), o deputado Paulo Delgado (MG), e o o deputado federal Carlos Abicalil (MT). Já pela defesa, falaram os deputados Chico Alencar (RJ) e Walter Pinheiro (BA), o senador Eduardo Suplicy (SP) e Rogério Corrêa, Marcos Socol e Jorge Almeida, membros do Diretório. Os integrantes dos quadros do PT falaram revezando-se nas posições. 

A senadora Heloisa Helena (AL) e os deputados Luciana Genro (RS) e João Batista, o Babá (PA), foram expulsos do partido nesta tarde por 55 votos a favor e 27 contra. O deputado João Fontes também deixou de pertencer ao PT, mas em rito sumário, com os mesmos números da votação que tirou seus colegas. [Globo online]
 

Plano da cúpula petista é varrer dissidências

Além de afastar os radicais, idéia da direção é enquadrar de vez a rebeldia interna. Vera Rosa e Mariana Caetano, Estado de S. Paulo, 14 de dezembro, 2003


Depois da expulsão dos radicais, marcada para hoje, o PT quer enquadrar as facções à esquerda no mosaico ideológico de tendências que se aglomeram no partido desde sua fundação, em 1980. Na prática, mais do que um embate sobre a reforma da Previdência, o expurgo da senadora Heloísa Helena (AL) e dos deputados Luciana Genro (RS), João Batista de Araújo (PA), o Babá (PA), e João Fontes (SE) tem por trás as discordâncias sobre a forma de governar desde que o PT vestiu o figurino de centro, ainda na campanha eleitoral.

"Estamos começando a ficar preocupados: não vamos mais tolerar dissidências permanentes nem partido dentro do partido", diz o secretário de Organização do PT, Sílvio Pereira, numa referência aos atritos entre as facções internas. Pereira é um dos que falarão contra os rebeldes hoje, no segundo e último dia da reunião do Diretório Nacional. "A pior coisa numa legenda é quando os ataques vêm de dentro", completa o presidente do PT, José Genoino.

Atualmente, cerca de um terço dos 93 deputados petistas escancara sua insatisfação com os rumos do partido e do governo para quem quiser ouvir. É o chamado "Grupo dos 30", que deu trabalho na reforma da Previdência. A cúpula moderada nega que esteja em curso uma caça às bruxas, mas avisa que o PT não mais admitirá indisciplina em suas bancadas na Câmara e no Senado. "Se continuar assim, o presidente Lula não vai mais precisar de adversários", ironiza Genoino. Ex-radical, ele diz estar tranqüilo, apesar de aborrecido com o clima ruim no partido.

Desgaste
Na tentativa de contornar o desgaste, Genoino anuncia que em 2004 promoverá vários seminários. Na lista dos planos está uma conferência nacional para unificar o discurso dos petistas na eleição municipal, a primeira após a vitória de Lula.

"O problema é que há uma crise de legitimidade nas posições do PT", reclama o deputado federal Ivan Valente (SP), da tendência Força Socialista. "As decisões do encontro de Olinda, em dezembro de 2001, foram totalmente violadas pela Carta ao Povo Brasileiro."

A queixa de Valente é repetida por todas as alas mais à esquerda no PT. Motivo: o texto a que ele se refere, de junho do ano passado, representa uma verdadeira guinada do partido. É na carta que o então candidato Lula se compromete a honrar todos os contratos, trabalhar pelo equilíbrio fiscal e fazer superávit primário "o quanto for necessário" para tirar o País da crise.

Redigido pelo prefeito Celso Daniel um mês antes de seu assassinato, o documento com as diretrizes do programa de governo de Lula, aprovado no encontro de Olinda, era tão radical que foi batizado de "A ruptura necessária". Um dos seus motes era "denunciar" o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Esse PT de hoje não é mais o que construímos: é um partido transgênico, geneticamente modificado", protesta Babá, da Corrente Socialista dos Trabalhadores. Para Heloísa Helena, o PT se transformou em "anexo" do Palácio do Planalto e enrolou bandeiras históricas. "Imagino, então, que o comando do partido esteja à beira do divã para resolver tantos problemas ideológicos".

No contra-ataque, Sílvio Pereira afirma que os insatisfeitos deveriam ter tido a "dignidade" de sair do partido antes da expulsão. "São hipócritas", avalia. Para ele, também a Democracia Socialista, corrente de Heloísa, terá de assumir o ônus de ser governo e se enquadrar. A resolução apresentada pela D.S. na reunião do diretório desagradou aos moderados por dar muitas estocadas no Planalto e reivindicar a rápida mudança de rota.
 

Chapa-branca

Dora Kramer, Jornal do Brasil, 14 de dezembro, 2003


De um artificialismo atroz o manifesto em defesa da expulsão dos rebeldes do PT, divulgado em ato público, sexta-feira, em Brasília. Os signatários eram todos cartas marcadíssimas, como sindicalistas ligados ao partido, presidentes de diretórios, diretores de associações, tudo gente vinculada ao aparelho partidário.

Promover manifestações encomendadas é prática comum não em legendas como o PT, de forte base social, mas em partidos de cúpulas, sem militância de rua nem vivacidade partidária. Uma demonstração de que a direção pode ter maioria, e tem, mas não consegue fazer mobilização verdadeira, com representação dos militantes.

Se conseguisse, teria feito um abaixo-assinado defendendo as expulsões para se contrapor aos vários documentos - alguns com milhares de assinaturas - pedindo a conciliação.

O manifesto, assinado por 34 deputados federais e cinco senadores do PT, poderia ter tido como resposta um abaixo-assinado da maioria das bancadas da Câmara e do Senado. Teria sido uma vitória política da direção que, pelo jeito, não obteve apoio para tal.

Silêncio cúmplice de petistas
Globo online: (...) a senadora Heloisa Helena foi levada a um carro de som onde fez um rápido discurso, antes de entrar na reunião do diretório nacional do PT que decidirá sobre sua expulsão do partido. Ela criticou o que chamou de "silênio cúmplice" de vários petistas. Globo online aqui

Vai sonhando
Globo online: O presidente do PT, José Genoino, chegou neste domingo para a reunião do diretório nacional do partido minimizando a possibilidade de os radicais se livrarem da cassação.

Genoino admitiu, no entanto, que um gesto da senadora Heloisa Helena poderia mudar a decisão. Ele citou a hipótese, considerada remota, de a senadora fazer um discurso pró-governo na reunião do diretório. "Ainda espero um gesto", disse Genoino.

Até o hotel é burguês
JB Online: (...) Ele [Babá] acusou o governo Lula de estar sendo comandado pela ''direita do PT'', exemplificando que o próprio local da reunião do diretório é um hotel que pertence ao senador Paulo Octávio (PFL-DF), ''que deve mais de 20 milhões de reais à Previdência''. Original aqui

Mais
As diárias variam de R$ 250 a R$ 480 e a meia garrafa de água mineral custa R$ 3,50.
 

O medo da voz contra

Dora Kramer, Jornal do Brasil, 28 de novembro, 2003


A senadora Heloísa Helena votou contra a reforma da Previdência, o governo ganhou por um placar de 55 a 25 votos e o PT continua firme e forte como nunca. Inabalável a ponto de o presidente da República já falar em permanência no poder ''até quando puder''.

Pois diante de cenário tão singelo e cristalino, cabe a dúvida: por que as cúpulas do PT e do governo têm tanto medo de Heloísa Helena, qual o risco objetivo que ela representa ao partido ou ao Planalto?

O único possível de vislumbrar no momento é o da senadora representar o grito intermitente da auto- crítica e, junto ao eleitorado, terminar fazendo mais sucesso que o sisudo e autoritário PT que pretende expulsá-la por crime de lesa-obediência.

Se for isso, os algozes apresentam-se mesquinhos, pois, na realidade, apenas não se conformam com a liberdade de Heloísa Helena para pensar como quiser e defender as idéias há muito de todos conhecidas.

A cada dia perde mais sentido a expulsão da senadora, pela semelhança da história a uma mera demonstração de sovinice política. Trata-se de vingança - e não há outra explicação possível - contra quem ousa divergir completa e atrevidamente.

É disso que se trata e não de disciplina partidária como disse anteontem o presidente da República ao mostrar-se contrário à concessão de indulto (note-se a conotação criminosa do termo utilizado) à rebelde.

Nas relações do governo com o Congresso não é possível identificar apreço por regras institucionais ou partidárias. A maioria forma-se a poder de cooptação fisiológica sem o menor pudor no que tange ao respeito à organicidade dos partidos.

Nesse quadro, como expulsar do partido alguém cujo crime é alegação de fidelidade à própria consciência? Não há sustentação moral nos argumentos da expulsão.

Quando o momento da decisão chegar, agora em dezembro se não houver mais outro adiamento, o partido precisará estar bem preparado para enfrentar o debate sobre o desconforto causado pela presença de Heloísa Helena e o conforto da convivência harmoniosa com métodos e forças do atraso.

É aceitável a argumentação dos governistas segundo a qual o poder modifica prioridades e pontos de vista.

Bem como, sabe-se o quanto é sempre necessária alguma concessão ao retrocesso, a fim de assegurar o avanço. Isso é doutrina consagrada.

Inaceitável, porém, é a aplicação, nesta altura da história universal, de processos autoritários mais condizentes com as senzalas, para usar imagem nacional.

Desde o início das divergências - quando, na eleição, a senadora recusou-se a fazer aliança com o PL alagoano submisso a Fernando Collor -, a direção do partido manifesta predileção pela metodologia da chibata.

Tanto que o processo instaurou-se na comissão de ética do PT antes mesmo de Heloísa Helena concretizar a indisciplina no voto contra. É uma queda-de-braço.

Desnecessária, pois o PT tem tudo: o poder, os partidos, a opinião pública, a reverência de quase todos nas emissoras de televisão, o Congresso, a Igreja, a universidade, o Estado e a sociedade.

Já tem o suficiente. Não precisa também se apropriar da consciência de uma mulher.

Se não fosse tanta a dificuldade em conviver com a divergência no poder; não fosse a impossibilidade de rechaçar verdades incontestáveis; não fosse a incapacidade de ouvir o que não quer; não fosse o descontrole da prepotência que só sacia ante a total subserviência; não fosse tudo isso, Heloísa Helena poderia ficar exatamente onde está.

Não é nela que reside o risco.

Corpos moles
Ficou pronta, para ser examinada pela comissão especial da Câmara que trata do assunto, a proposta final de redução do tempo de recesso e da quantia paga aos deputados no caso de convocação extraordinária.

O grupo que toca o assunto - aquele mesmo que devolveu o dinheiro da convocação de julho último - queria acabar com o recesso mas teve de se contentar com um meio-termo.

Em seu relatório, os deputados Orlando Desconsi (PT-RS) e Isaías Silvestre (PSB-MG) propõem férias de 45 dias - e não de três meses como é hoje - e o pagamento de um, e não mais de dois, salário extra quando for suspenso o recesso.

Ainda assim, relata o deputado Chico Alencar (PT-RJ), a reação é grande. ''Se a opinião pública não pressionar, vai continuar tudo como está'', diz ele.

Novo rumo
Surge, devagar e sorrateira, uma tendência na seara tucana. Uma parte do PSDB que saiu do poder e voltou a seus Estados já conversa com uma parcela do PT, que não está gostando do que vê em Brasília, sobre a possibilidade de fazer política junto.

Por enquanto, com a adesão de um bom grupo do PPS, não falam de partido nem de eleição, só em reflexão sobre um novo rumo para a esquerda.
 

Chomsky assina manifesto contra expulsões no PT

Marco Aurélio Weissheimer, Agência Carta Maior, 3 de dezembro, 2003


O lingüista e ativista norte-americano Noam Chomsky encabeça um abaixo-assinado organizado pelo jornal Socialist Resistance, de Londres, contra as expulsões de parlamentares do PT. Além de Chomsky, assinam o manifesto Kean Loach (cineasta inglês), Michael Albert (editor da Znet), e Robin Blackburn (da revista New Left Review), entre outros. O abaixo-assinado é acompanhado de um manifesto em apoio à senadora Heloísa Helena e aos deputados João Batista Araújo (Babá), Luciana Genro e João Fontes. Os signatários do manifesto entendem que as expulsões enviarão um sinal à esquerda mundial de que “o PT perdeu a sua orgulhosa tradição de democracia, de pluralismo e tolerância”. O texto do documento é o seguinte:

“Nós o subscrevemos, como milhões em todo o mundo, que compartilharam da alegria do povo brasileiro ano passado, quando Lula foi eleito presidente do Brasil. Após mais de uma década de políticas neoliberais que devastaram os povos do mundo; após mais de quatro anos de um movimento novo, diverso, internacional, que diz que um outro mundo é possível - no qual Lula, o PT e os Fóruns Sociais Mundiais de Porto Alegre desempenharam um papel crucial - parecia que finalmente haveria uma chance de mostrar que haveria uma alternativa."

"É claro que as circunstâncias são difíceis, o legado é pesado, e o tempo foi curto. Mas é com uma profunda surpresa e desânimo que nós vemos que o PT está agora considerando expulsar três de seus membros mais destacados do Congresso, por se oporem publicamente às reformas da Previdência do governo. Não é o nosso objetivo aqui expressar uma opinião sobre o detalhe das políticas do governo brasileiro. Porém, nós sabemos que a reforma da Previdência, não somente na América Latina, mas também aqui na Europa e em toda parte, tem sido uma questão chave que opõe os governos neoliberais e o FMI aos movimentos organizados dos trabalhadores. Apenas um dia depois do PT decidir iniciar o processo disciplinar contra estes três membros da Câmara dos Deputados, milhões de trabalhadores na França e na Áustria fizeram atos contra a reforma da Previdência em seus países. Nós compreendemos também que o próprio PT se opôs a reformas da Previdência similares, quando propostas pelo governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso."

"Parece-nos, conseqüentemente, muito grave que o diretório do PT esteja estudando agora a punição drástica contra aqueles que continuam a defender as políticas tradicionais do PT. Claro que, como falou Emir Sader, do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, o governo Lula tem o direito de mudar sua visão sobre tais questões, mas punir aqueles que não mudaram sua opinião seria como mandar uma mensagem terrível para o mundo. Para aqueles milhões de trabalhadores nas ruas na França e na Áustria, e para os muitos outros milhões que se mobilizaram contra o neoliberalismo e a guerra, isso soará como: "desculpem, nós não nos importamos com tudo aquilo, nós nos decidimos que realmente não há alternativa". Isso sugerirá também que o PT perdeu a sua orgulhosa tradição de democracia, de pluralismo e tolerância."

"Nós, portanto, conclamamos que você repudie qualquer expulsão e reafirme o papel do PT como uma esperança para todos nós ao redor do mundo, que queremos trabalhar com você para realizar nosso sonho comum - de que um outro mundo é certamente possível.”

O manifesto, em inglês e português, e o abaixo assinado estão disponíveis nos sites da Socialist Resistance (www.socialistresistance.net) e do recém-criado Movimento dos Amigos de Heloísa Helena (www.amigosdaheloisa.com.br). A situação dos parlamentares petistas será definida entre os dias 13 e 14 de dezembro, quando ocorre reunião do Diretório Nacional do PT, em São Paulo.
 

Suplicy pede para Lula intervir na expulsão de Heloísa Helena

Folha Online com Agência Senado, 28 de novembro, 2003


O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) foi hoje à tribuna fazer um apelo para que o PT não expulse sua colega Heloísa Helena (AL) da sigla e disse que tratou a questão diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ontem, por telefone.

Assim como vinha anunciando desde as discussões da proposta, a senadora contrariou a orientação da bancada e votou contra a reforma da Previdência, aprovada em primeiro turno no Senado.

Nesta sexta, Suplicy afirmou no plenário do Senado que teve uma conversa com o presidente, na qual defendeu que seria melhor para o PT "não chegar à decisão extrema de excluir de seus quadros a senadora".

"Transmiti ao presidente Lula que estarei observando, nos próximos dias, que melhor será para o PT que tenhamos uma decisão com espírito de generosidade, levando-se em conta ainda que teremos aqui aprovada a proposta da reforma da Previdência, que suscitou todos esses debates", disse o senador.

A decisão sobre a expulsão ou não de Helena e outros deputados federais --Babá (PA), Luciana Genro (RS) e João Fontes (SE)-- será anunciada nos dias 13 ou 14 de dezembro, quando haverá reunião do Diretório Nacional da legenda.

"Ainda que possa haver alguns erros na avaliação da senadora, como em relação à questão dos filhos da pobreza, acho que deve ser compreendido que ela votou por convicção no que ela tanto acreditava, o que deve ser objeto de análise", afirmou.

Suplicy disse ainda que da decisão do PT de fechar questão em relação à reforma da Previdência à medida extrema da expulsão "vai um longo caminho".

opinião

Chico Alencar: A pena de morte partidária

Chico de Oliveira: Tudo que é sólido se desmancha em... cargos

Chico de Oliveira: ‘O mito Lula anula a política’

Dimenstein: O PT está certo

Eduardo Suplicy: Pelo bem do PT

Emir Sader: ‘PT é vítima de blairismo tropical’

Fábio Konder Comparato: Até quando, companheiro?

Leandro Konder: A bondade, a senadora e as máscaras

Leonardo Boff: Quem tem medo de Heloisa Helena?

Marco Aurélio Weissheimer: Os "radicais" e o futuro do PT

Mauro Santayana: Parlamento X Poder Executivo

Milton Temer: A esquerda e o futuro fora do PT

Milton Temer: Gramsci, a senadora e o PT

Verissimo: Não vai pegar bem

Manifesto: "O momento é de repactuação, não de expulsões"

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Novo nome
Verissimo, O Globo, 28 de dezembro, 2003

O ex-PT está com um problema: como deve se chamar o partido, depois que se desligou de Heloísa Helena, Luciana Genro, Babá, etc.? PSD do B, como foi sugerido, soa como se a dissidência fosse com o PSDB e não com o PT de verdade, e está é a última impressão que eles querem dar. Pelo contrário: o ex-PT preocupa-se cada vez mais em se parecer com o PSDB, tanto que antes de sair de casa o Lula costuma perguntar à Marisa “Como é que eu estou?” e ela, ajeitando a sua gravata: “PSDBíssimo.” Mas PSDBíssimo também não é um bom nome para o novo partido — a sigla ocuparia muito espaço nas cédulas. Pela mesma razão foi rejeitado PSDBérrimo. Também foram cogitados e descartados PTRC (PT Revisto e Cooptado), PTQPT (PT, Que PT?) e PTMNT (PT Mas Não Tanto). Outras siglas sugeridas: PPG (Partido Paciência Gente, ou Peraí Galera), PPF (Partido do Palocci Forever), PZZ (Partido Zé com Zé, ou do Dirceu e do Genuíno), e PQD (Partido Quem Diria). O problema continua. (...)


outros destaques

Descontentes, militantes do PT pedem volta às origens.[CartaMaior, 20.12]

Apoiadores de Luciana Genro anunciam desfiliação do PT.[CartaMaior, 19.12]

PT quer se reaproximar de movimentos sociais.[Globo, 18.12]

Nova esquerda se reúne.[JB, 18.12]

De luto, esquerda do PT critica rumos do governo.[JB, 16.12]

Denúncia
Grupo acusa PT de tentar desmobilizar movimentos contrários às expulsões; deputado contesta

Como Heloísa chegou lá
A senadora obteve 56% dos votos válidos em Alagoas

Veja o perfil dos deputados e da senadora

Saiba mais sobre Heloísa Helena

Saiba mais sobre João Fontes

Deputados expulsos articulam nova sigla.[Valor, 16.12]

Deputados expulsos do PT devem criar novo partido.[Folha online, 14.12]

PT acata recurso para submeter expulsão de senadora ao Encontro Nacional.[JB, 14.12]

Heloísa: "não consigo acreditar que estou expulsa".[Agência Estado, 14.12]

Heloísa Helena diz que "não chora mais".[Folha online, 14.12]

Provando o próprio veneno.[Globo, 14.12]

Fontes: 'Mesmo expulso vou continuar torcendo por Lula'.[JB, 14.12]

Direção do PT expulsa rebeldes e adverte tendências radicais.[Agência CartaMaior, 14.12]


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