Globopar apresenta defesa
em processo
Ação é
movida por credor nos EUA. Folha
de S. Paulo, 21 de janeiro, 2004
Com o objetivo de evitar
uma renegociação judicial de suas dívidas, a Globopar
(Globo Comunicações e Participações), controladora
da TV Globo, ingressou anteontem com sua defesa no processo movido contra
ela pelo fundo de investimento norte-americano Huff. O fundo, credor da
companhia, levou o caso à Justiça dos EUA.
O Huff entrou na Corte de
Falências do Distrito Sul de Nova York em dezembro de 2003 solicitando
a renegociação judicial de uma dívida vencida da Globopar
no valor de US$ 94,3 milhões.
Segundo o diretor de Planejamento
das Organizações Globo, Jorge Nóbrega, a linha de
defesa da Globopar no processo foi alegar que o fórum para discussão
do caso não são os EUA, mas sim o Brasil. Isso porque a companhia
não tem ativos nos EUA e, portanto, não gera receita no país.
Por isso, o caso deve ser tratado no Brasil, onde estão as empresas
controladas pela Globopar.
A Globopar deu entrada em
sua defesa no último dia dado pela Justiça, informou o executivo.
A ação é baseada no capítulo 11 do Código
de Falências dos EUA, que trata também da reestruturação
de empresas endividadas que não estejam pagando aos credores. É
um instrumento que não existe na Justiça brasileira.
Nóbrega afirmou que
a Globopar tem uma dívida vencida de US$ 1,9 bilhão desde
2002, quando deixou de pagar parcialmente os débitos. Com o atraso
nos pagamentos, todas as dívidas ficaram sujeitas ao resgate imediato.
Novo
capítulo na Rede Globo
Gustavo Barreto, 22 de janeiro,
2004. Dívida da Globo Comunicações
com credores internacionais expõe relações pouco compreendidas
da empresa.
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Credores pedem a falência
da Globo na Justiça dos EUA
UOL
News, 16 de dezembro, 2003
Um grupo de três credores
entrou com um pedido de falência involuntária da Globopar
(Globo Comunicações e Participações) na Corte
de Falências dos Estados Unidos, Distrito Sul de Nova York, informa
o serviço de notícias "Teletime" (publicação
especializada em informações do setor telecomunicações).
Os três credores entraram
com a petição de falência involuntária reclamando
da Globo por uma dívida de um total de US$ 94,3 milhões.
Esses fundos são o
GMAM Investment Funds Trust I (que se diz credor de US$ 30,5 milhões
da Globo), o Foundations For Research (US$ 175 mil) e o WRH Global Securities
Pooled Trust (US$ 63,6 milhões).
A Globo tem um prazo de 20
dias para se defender na Justiça de Nova York depois de receber
a notificação que foi enviada na segunda-feira pelo correio.
Depois disso, o juiz do caso deverá marcar uma audiência.
Se acatar o pedido dos credores,
o juiz pode tomar uma de duas opções: ou ele inclui a Globo
no chamado Chapter 11, que corresponde à concordata na legislação
brasileira, ou ele realiza a liquidação da empresa.
Em setembro, os credores
internacionais mandaram uma contraproposta de renegociação
para a Globo. Até hoje, a Globo não havia se pronunciado
sobre a contraproposta. Diante disso, esses três grupos de credores
entraram com essa petição de falência involuntária.
A Globo deve um total de
US$ 1,9 bilhão. Ela deve a bancos, a fundos e a fundos que detêm
títulos como esses que entraram com o pedido de falência.
Esses três fundos têm
garantia da Rede Globo de Televisão, que é, do grupo, a empresa
que ganha dinheiro suficiente para renegociar o total da dívida.
Ao mesmo tempo, a Globo tomou
a iniciativa e liderou um grupo de empresas de comunicação
que fez ao BNDES um pedido para criar um "Proer da mídia".
O editor Paulo Henrique Amorim
enviou ao presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social), Carlos Lessa, a seguinte pergunta: "O BNDES vai botar dinheiro
do povo brasileiro numa empresa cuja falência é pedida numa
Corte de Falências em Nova York?" Lessa não respondeu a pergunta.
[Veja abaixo resposta de Lessa na Tribuna da Imprensa]
Lessa:
Globo não terá tratamento especial
Tribuna
da Imprensa, 18 de dezembro, 2003
O presidente
do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),
Carlos Lessa, afirmou ontem que a Globo não receberá tratamento
especial do banco. "A Globo não terá nada que os outros não
possam ter", disse Lessa em entrevista ao jornalista Paulo Henrique Amorim,
do UOL News. "Este é um princípio da democracia." Segundo
ele, "o BNDES estuda regras gerais para todos da mídia, sem distinção."
Na
semana passada, o grupo W. R. Huff entrou com um pedido de falência
da Globo Comunicações e Participações (GloboPar)
em Nova York. O credor detém, por meio de três fundos (GMAM
Investment Funds Trust I, Foundations For Research e WRH Global Securities
Pooled Trust), cerca de 5% da dívida da GloboPar, que soma cerca
de US$ 1,9 bilhão. A GloboPar, que pertence à família
Marinho, tem participações acionárias em empresas
da área editorial e gráfica, televisão a cabo e via
satélite, programação para TV por assinatura e internet.
O presidente
do BNDES disse que não existe nenhum pedido da GloboPar em avaliação
no banco. Ele reconheceu que as empresas de comunicação,
assim como outros setores da indústria, sofreram com o endividamento
excessivo em dólar e com o crescimento econômico abaixo do
esperado. Lessa defendeu a importância do "contraditório da
mídia" para a sociedade: "Acredito que toda sociedade deve preservar
a indústria que produzir conteúdo próprio nacional."
A GloboPar
acredita que conseguirá reverter o pedido de reestruturação
judicial da dívida. Na visão da empresa, o grupo W. R. Huff
entrou com a ação para fortalecer sua posição
na negociação dos débitos da GloboPar, iniciadas em
outubro de 2002, quando suspendeu os pagamentos aos credores.
Os
credores da GloboPar reuniram-se em comitês, um deles de grandes
investidores e outro de bancos especializados em títulos da dívida.
Segundo a empresa brasileira, a W. R. Huff não tem apoio de nenhum
dos comitês. O presidente da GloboPar, Ronnie Vaz Moreira, espera
concluir a primeira etapa da reestruturação da dívida
"em meados do ano que vem, se tudo correr bem".
Segundo
fontes do mercado, a empresa precisaria da adesão de 75% dos credores
para conseguir aprovar o acordo. A companhia ainda não recebeu uma
notificação formal sobre o processo nos Estados Unidos, que
a Justiça americana despachou pelo correio, e ainda estuda o que
fará sobre o assunto. Após a notificação, terá
20 dias para se manifestar.
Na
semana passada, a GloboPar divulgou um comunicado dizendo que "não
aceitará que um credor, isoladamente, prejudique este processo de
negociação, nem que este ou qualquer outro credor utilize-se
de expedientes desta natureza para tentar valorizar sua posição
às custas dos demais". Na Bolsa de Valores de São Paulo,
as ações sem direito a voto da Net fecharam estáveis.
A Net, maior empresa de TV por assinatura do País, é a única
controlada de capital aberto da GloboPar. |
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Processo pode atrapalhar
negócios da Globo nos EUA
Paulo Cabral, de Washington. BBC
Brasil, 18 de dezembro, 2003
A ação iniciada
na Justiça americana contra a Globopar (empresa que controla a Rede
Globo) pedindo a reestruturação da divida da empresa vai
ter poucos efeitos práticos porque a companhia não tem ativos
que possam ser bloqueados nos Estados Unidos.
Mas advogados e analistas
do mercado financeiro ouvidos pela BBC Brasil dizem que perder um processo
assim poderia criar dificuldades para que a empresa feche novos negócios
no importante mercado americano.
“A reestruturação
da dívida da Globopar está demorando demais e esta ação
reflete uma certa frustração com isso e pode forçar
a companhia a se empenhar para terminar este processo mais rápido”,
disse um analista de empresas de um importante banco de investimentos americano
que preferiu não se identificar.
“Certamente isso não
tira e empresa do mercado, mas cria problemas e além disso custa
muito caro”, disse o analista.
Negociações
Se a corte de Nova York
que recebeu a ação der ganho de causa aos credores do fundo
de investimento W.R. Huff a Globopar pode ser incluida no Capítulo
11 da Lei de Falências dos Estados Unidos – o equivalente à
concordata na lei brasileira.
Se isso acontecer, a reestruturação
da dívida seria então confiada a um adminitrador que pode
ser nomeado pelo devedor, pelos credores ou pelo Governo, de acordo com
decisão do tribunal.
A Globopar respondeu à
ação apresentada pelos americanos com um comunicado aos investidores
dizendo que a “a Globopar vem realizando nos últimos meses um processo
de negociação com a participação de dois diferentes
comitês de credores.”
“Não acreditamos que
se possa permitir que as ações de um único credor
(o W.R. Huff) prejudiquem este processo construtivo e não vamos
permitir que apenas um credor ganhe através de prejuízo a
todos os outros.”
O W.R. Huff está sendo
representado nos Estados Unidos pelo importante escritório de advocacia
Fried Frank. Contactado pela reportagem da BBC Brasil, o escritório
disse apenas que não comenta os casos de seus clientes.
O W.R. Huff por sua vez representa
três grupos de investidores que detém US$ 94,3 milhões
da dívida total de US$ 1,9 bilhãos da Globopar: Funds Trust
I (US$ 30,5 milhões da Globo), o Foundations For Research (US$ 175
mil) e o WRH Global Securities Pooled Trust (US$ 63,6 milhões).
Segundo analistas, o W.R.
Huff é conhecido no mercado americano como uma das muitas empresas
que compram barato dívidas de empresas em dificuldades acreditando
na recuperação delas ou pelo menos na possibilidade de receber
o dinheiro com ganhos na Justiça.
“Mas esta é uma prática
bastante comum e legítima no mercado”, explicou um advogado americano
especializado em direito comercial que não quis se identificar.
Nesta quinta-feira mais um
reunião vai acontecer em São Paulo entre executivos da Globopar
e os dois comitês de credores que estão participando das negociações.
Mas segundo a assessoria
de imprensa da empresa, a reunião já estava agendada e não
tem ligação direta com a ação apresentada na
justiça americana.
A reportagem da BBC Brasil
entrou em contato com a Assessoria de Imprensa da Globopar nesta quarta
e quinta-feira e, até a publicação desta reportagem,
a empresa dizia que nenhuma das pessoas autorizadas a dar mais informações
estava disponível.
Reestruturação
O Capítulo 11 da
Lei de Falências dos Estados Unidos define que por um período
de 120 dias depois da concordata o devedor tem o direito exclusivo de apresentar
um plano de reestruturação.
A lei, no entanto, deixa
espaço para que a corte reduza ou aumente este prazo, que depois
de expirado deixaria para os credores a apresentação do plano.
A conclusão do caso,
no entanto, nunca tem data para terminar.
“Um caso sob o Capítulo
11 pode demorar anos para terminar, a menos que o devedor, os credores
ou o administrador tomem medidas específicas na Justiça para
limitar este período”, explica um texto do judiciário americano
sobre o Capítulo 11.
>.Original
da notícia
>.Globopar
>.Explicações
sobre o Capítulo 11 (em inglês)
>.Fried
Frank Advogados (em inglês) |
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| Leia abaixo a reportagem
publicada pelo Teletime
WRH Global Securities
Pooled Trust, GMAM Investment Funds Trust I e Foundation for Research são
os três credores da Globopar (Globo Comunicações e
Participações S.A.) que entraram no dia 11 de dezembro, quinta-feira
passada, com uma petição (involuntary petition) baseada no
Chapter 11, da Lei de Falências norte-americana, contra a holding
da família Marinho. O equivalente no Brasil seria um pedido de concordata
preventiva feito por terceiro. A primeira empresa se diz credora de US$
63,6 milhões, a segunda de US$ 30,5 milhões e a terceira
de US$ 175 mil, perfazendo um total de US$ 94,3 milhões.
A petição
deu entrada na United States Bankruptcy Court - Southern District of New
York. Os credores são representados pelo escritório de advocacia
Fried, Frank, Harris, Shriver & Jacobson. Os dois principais peticionários
se declaram portadores de títulos da Globopar que começaram
a adquirir no mercado a partir de 1998, com forte deságio. O WRH,
por exemplo, começou adquirindo um primeiro lote por US$ 732 mil
com valor de face de US$ 1,17 milhão. Já o menor dos credores,
a Foundation for Research, se apresenta como uma instituição
de caridade, de Nevada, que começou a comprar os títulos
a partir de 2001.
Posição
da Globopar
"São, na verdade,
três fundos de um mesmo gestor de investimentos, o Huff". A explicação
é dada por Ronnie Vaz Moreira, presidente da Globopar, após
sair de uma reunião com credores, em São Paulo, na tarde
desta terça-feira, dia 16. O executivo que viaja amanhã para
Nova York, onde terá outro encontro com credores, acrescenta que
o Huff faz parte do comitê de bondholders da Globopar. Ele lamenta
a decisão que não considera "construtiva para o processo".
À Folha de S. Paulo, que publicou no sábado, 13, notícia
sobre o recurso do Huff W.R. nos EUA, Moreira disse ainda que a ação
não terá repercussões no Brasil. Destaca ainda que
esse gestor de recursos é conhecido no mercado por esse tipo de
conduta nos negócios. Os peticionários, por sua vez, em suas
iniciais, garantem textualmente que "Petitioner did not purchase the Notes
for the purpose of commencing this case under the Bankruptcy Code", ou
seja, não compraram os papéis já pensando em recorrer
à legislação de falência dos EUA. Segundo Vaz
Moreira, os advogados da Globopar garantem que a petição
tem erros processuais e problemas no mérito. A Globopar terá
20 dias para se pronunciar na Justiça de Nova York depois de receber
a notificação que foi remetida ontem pelo correio. Depois,
provavelmente, o juiz marcará uma audiência. Rubens Glasberg |
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| Leia a seguir o comunicado
que a Globopar divulgou na última sexta-feira, sobre a ação
do grupo WRH.
COMUNICADO
12 de dezembro de 2003
- A Globo Comunicações e Participações S.A.
("Globopar"), comunica que em 11 de dezembro último, o Grupo de
Investimento W. R. Huff entrou com pedido, nos Estados Unidos, de reestruturação
judicial da dívida da Globopar.
Esta ação
é desprovida de fundamento legal e não afeta de forma alguma
as empresas Globo. Todas estão gerando os resultados planejados
e continuarão atuando sem qualquer impacto em seu desempenho ou
gestão.
A Globopar vem mantendo,
durante os últimos meses, construtivo processo de renegociação
da dívida, organizado através de dois comitês de credores.
A empresa já realizou diversos encontros com tais comitês
e já tem próximas reuniões agendadas.
Ronnie Vaz Moreira, Presidente
da Globopar, declarou que "a companhia vem se empenhando para alcançar
uma solução consensual com seus credores e continuará
a realizar as negociações e reuniões planejadas. Não
acreditamos que ações como esta adotada ontem possam trazer
qualquer benefício, quer para a empresa, quer para os seus credores."
Por esta razão,
a Globopar não aceitará que um credor, isoladamente, prejudique
este processo de negociação, nem que este ou qualquer outro
credor, utilize-se de expedientes desta natureza para tentar valorizar
sua posição às custas dos demais.
A Globopar continuará
negociando o pagamento da dívida, seguindo o processo em andamento,
no melhor interesse de todos os envolvidos. |
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Perícia
é liberada e processo da TV Globo de SP vai andar rápido
Tribuna
da Imprensa, 22 de dezembro, 2003
A juíza
tabelar Simone Gastesi Chevrand, da 41ª Vara Cível, reduziu
em mais de 80% os honorários inicialmente concedidos à perita
judicial Denise Gonçalves, e o processo que invalida a transferência
do controle acionário da antiga Rádio Televisão Paulista
S/A (hoje, TV Globo de São Paulo) poderá agora tramitar com
maior velocidade, entrando em sua fase decisiva.
A perita
havia pedido R$ 126 mil para analisar apenas cinco folhas de xerox, uma
quantia considerada absurda nos meios forenses, e a juíza substituta
Regina Lúcia Chuquer homologara a solicitação. Mas,
voltando a atuar nos autos, a juíza Simone Gastesi Chevrand acolheu
solicitação dos autores da ação, o espólio
da família Ortiz Monteiro, e deferiu à perita pagamento de
apenas R$ 20 mil.
Reconsideração
Em
seu despacho, a juíza da 41ª Vara Cível fez a seguinte
observação: "Analisando os autos, tive por bem reconsiderar
a decisão agravada para fins de reduzir os honorários, os
quais, de fato, afiguram-se deveras elevados, especialmente tomando em
conta os valores praticados neste foro e também que serão
examinadas apenas cinco ou, no máximo, sete assinaturas apostas
em documentos que, segundo o agravante, padecem de vícios."
Com
o despacho da juíza, o desembargador Ferdinaldo Nascimento, da 14ª
Câmara Cível, deverá considerar desnecessária
a tramitação do agravo de instrumento impetrado pelo espólio
da família Ortiz Monteiro, e o processo poderá ter tramitação
mais rápida, pois só depende do parecer da perita para ser
confirmada a falsidade dos documentos.
Falsificações
Na
tentativa de provar a legalidade da transferência do controle acionário
da antiga Rádio Televisão Paulista S/A para o empresário
Roberto Marinho, no ano passado os advogados da TV Globo anexaram ao processo
algumas cópias de procurações, recibos e substabelecimentos.
Esses
documentos já foram examinados por peritos do Instituto Del Picchia
de Documentoscopia e por procuradores da República sediados em São
Paulo, que constataram terem os papéis sido grosseiranmente falsificados.
As
procurações e substabelecimentos, por exemplo, apresentam
números de CIC, com datas de 1953 e 1964, quando é notório
que tal controle da Receita Federal só foi introduzido a partir
de 1970. Ou seja, são falsos de origem.
Outras
provas
Além
de apresentaram números de CIC (hoje, CPF), as procurações
e substabelecimentos teriam sido outorgados por acionistas mortos muitos
anos antes das datas apontadas nesses documentos.
Também
uma das máquinas de datilografia usadas para a confecção
desses documentos, autorizando a cessão das ações
da TV Paulista à familia Marinho, ainda nem era fabricada nas apontadas
datas em que teria sido utilizada. De modelo especial, com tipos grandes,
essa máquina somente começou a ser fabricada na década
de 70, quando se criaram os primeiros teleprompters (equipamentos de leitura
para apresentadores de TV).
Procuradoras
confirmaram falsificações
Consta
do processo um parecer da procuradora da República Cristina Marellim
Vianna, de São Paulo, que afirmou: "À luz dos fatos exaustivamente
narrados no feito, temos, em apertada síntese, que houve na década
de 60 transferência ilegal do controle acionário da atual
TV Globo Ltda., visto ter a negociação se baseado em documentação
grosseiramente falsificada".
Parecer
subscrito por outra procuradora da República, Melissa Garcia Blagitz
de Abrel e Silva, assinala que "a outra conduta ilícita, uso de
documento falso, é da competência da Justiça estadual
e está sendo investigada pelo Parquet (Ministério Público)
estadual do Rio de Janeiro. Resta, pois, investigar suposta ocorrência
de irregularidade administrativa na transferência do controle acionário
da emissora, visto a necessidade de autorização de órgão
federal. Tal como se deu, esteado em documentação falsificada,
o ato de concessão estaria eivado de nulidade absoluta". |
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Investidor vai à
Justiça contra Globopar em NY
Fundo quer intervir em negociação.
Elvira Lobato, Folha
de S. Paulo, 13 de dezembro, 2003
Um fundo de investimentos
norte-americano entrou com ação judicial, nos Estados Unidos,
contra a Globopar (Globo Comunicações e Participações),
empresa-mãe da família Marinho, pedindo que a Justiça
intervenha na renegociação da dívida externa da empresa
e determine as condições de pagamento aos credores.
O pedido foi feito, anteontem,
em uma corte de falências em Nova York, pelo fundo de investimentos
W.R Huff, de Nova Jersey. O fundo é especializado em comprar títulos
de dívidas de empresas em dificuldade, apostando que elas irão
se recuperar.
Este tipo de investidor é
conhecido no mercado financeiro como "fundo abutre", pois tira proveito
do momento de dificuldades das empresas, quando os papéis podem
ser comprados com grandes descontos no mercado. Segundo o presidente da
Globopar, Ronnie Vaz Moreira, a Huff possui títulos correspondentes
a 5% da dívida total da companhia.
Os papéis da empresa
são negociados atualmente no mercado financeiro norte-americano
com desconto de 60% sobre o valor de face, segundo informações
da empresa. A Globopar tem dívidas de US$ 1,9 bilhão (cerca
de R$ 5,6 bilhões) e suspendeu o pagamento aos credores em outubro
do ano passado. Grande parte da dívida (US$ 1,16 bilhão)
é garantida pela TV Globo.
Com a suspensão do
pagamento, a partir do final do ano passado, todas as dívidas da
empresa, inclusive as contratadas com horizonte de longo prazo, ficaram
passíveis de resgate imediato. No início do ano, foram constituídos
dois comitês de credores para estabelecer novas condições
de pagamento: um para os bancos (nacionais e estrangeiros) e outros para
os demais credores.
Ao pedir a intervenção
da Justiça americana no processo, a W.R Huff , que fazia parte do
segundo comitê de credores, demonstra não concordar com as
condições que estão sendo discutidas entre a empresa
e os comitês. A proposta em discussão incluiria perdão
de uma parte da dívida, redução de juros e alongamento
do prazo de pagamento.
O presidente da Globopar
disse que a ação judicial não tem repercussão
sobre a vida da empresa, pois ela não possui sede nem receita nos
Estados Unidos. Como a empresa tem sede no Brasil, a Justiça americana,
segundo ele, não pode executar seus bens para pagar a credores no
exterior. Na tentativa de minimizar a atitude do investidor, Vaz Moreira
qualificou a ação de "equivocada" e disse que a petição
contém erros.
A estratégia da Huff,
segundo especialistas do mercado financeiro, é prejudicar a imagem
da empresa diante do mercado, acelerar a negociação e pressionar
por condições mais favoráveis aos credores. De acordo
com Vaz Moreira, a empresa tem reuniões na semana que vem com os
comitês de credores, em São Paulo e em Nova York. A Globopar
informou que soube da existência da ação na própria
quinta-feira, mas que ainda não foi notificada oficialmente sobre
o processo.
A notícia que circulou
ontem entre os investidores norte-americanos era que se tratava de um pedido
de falência. Segundo o presidente da Globopar, a interpretação
era equivocada.
Horário eleitoral
rende 269 mi à Globo
Daniel Castro, Folha
de S. Paulo, 25 de novembro, 2003
A propaganda política
não é um negócio tão ruim como as TVs pintam.
No ano passado, quando houve horário eleitoral, só a Globo
lançou em seu balanço contábil uma compensação
fiscal, a ser deduzida do imposto sobre o lucro, de R$ 269 milhões.
Em 2001, esse valor foi de R$ 116 milhões. No primeiro semestre
deste ano, a emissora contabilizou R$ 77 milhões como benefício
pela exibição de propaganda partidária. Não
há dados confiáveis sobre as outras emissoras.
Desde 2002, as emissoras
têm o direito de abater do imposto sobre o lucro 80% do valor de
tabelas pelos comerciais políticos que exibem ao longo da programação.
Sobre as propagandas em blocos (programas de partidos ou horário
eleitoral obrigatório), o abatimento é de 80% do valor de
tabela sobre 25% do tempo total (que seria o que elas exibiriam de comerciais
nos intervalos da programação suspensa).
No final das contas, a propaganda
política acaba saindo mais cara do que a publicidade avulsa, porque
as emissoras costumam dar descontos sobre suas tabelas.
Só não é
um negócio melhor porque o abatimento depende do lucro de cada rede.
A Globo, por exemplo, não usufruiu em 2002 dos R$ 269 milhões
a que teve direito, porque seu resultado antes do imposto sobre o lucro
(25%) foi de R$ 91 milhões. Mas a emissora terá dez anos
para abater os R$ 269 milhões em seus balanços. |
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Original Folha
de S. Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi1312200309.htm
Original UOL News
http://noticias.uol.com.br/uolnews/minuto/ult335u4251.jhtm
Fonte
www.consciencia.net
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no site | Principal.—.Consciência.Net
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