Horário eleitoral rende 269 mi à Globo
Daniel Castro, Folha de S. Paulo, 25 de novembro, 2003


A propaganda política não é um negócio tão ruim como as TVs pintam. No ano passado, quando houve horário eleitoral, só a Globo lançou em seu balanço contábil uma compensação fiscal, a ser deduzida do imposto sobre o lucro, de R$ 269 milhões. Em 2001, esse valor foi de R$ 116 milhões.

No primeiro semestre deste ano, a emissora contabilizou R$ 77 milhões como benefício pela exibição de propaganda partidária. Não há dados confiáveis sobre as outras emissoras.

Desde 2002, as emissoras têm o direito de abater do imposto sobre o lucro 80% do valor de tabelas pelos comerciais políticos que exibem ao longo da programação. Sobre as propagandas em blocos (programas de partidos ou horário eleitoral obrigatório), o abatimento é de 80% do valor de tabela sobre 25% do tempo total (que seria o que elas exibiriam de comerciais nos intervalos da programação suspensa).

No final das contas, a propaganda política acaba saindo mais cara do que a publicidade avulsa, porque as emissoras costumam dar descontos sobre suas tabelas.

Só não é um negócio melhor porque o abatimento depende do lucro de cada rede. A Globo, por exemplo, não usufruiu em 2002 dos R$ 269 milhões a que teve direito, porque seu resultado antes do imposto sobre o lucro (25%) foi de R$ 91 milhões. Mas a emissora terá dez anos para abater os R$ 269 milhões em seus balanços.


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