Rubin entregou a ekipekonômica
Elio Gaspari, Folha de S. Paulo, 28 de dezembro, 2003


O secretário do Tesouro do presidente Bill Clinton publicou suas memórias. A ekipekonômica ficou mal na fotografia. Robert Rubin conta que, no início do segundo semestre de 1998, quando começaram os rumores de que o Brasil iria à breca com o câmbio amarrado no dólar de R$ 1,20, tentou convencer a ekipe a abandonar a loucura:

"Nós achávamos que uma flutuação do real - que estava significativamente sobrevalorizado - poderia ser essencial para que um programa do Fundo Monetário viesse a funcionar. Isso nos colocou diante de uma escolha infeliz. Ou iríamos adiante com um enorme programa do FMI, sabendo que as chances de êxito nos eram desfavoráveis, ou tentaríamos forçar a desvalorização recusando-nos a emprestar a menos que o Brasil concordasse em flutuar a moeda."

Rubin preferiu ceder. O FMI deu um crédito de US$ 41 bilhões ao Brasil. Dois meses depois, o real explodiu. A ortodoxia (útil para a reeleição de FFHH) custou US$ 9 bilhões ao Fundo e US$ 30 bilhões à Viúva. Levou os juros a 42%, o PIB a um crescimento petista (0,93%) e a uma contração da renda per capita do brasileiros. Foi a ekipekonômica que convenceu o governo americano a optar pelo desastre, e não o contrário. Passados cinco anos, ainda há empresas em dificuldades por causa dos ruinosos empréstimos com o dólar-fantasia. A ekipekonômica de FFHH foi trabalhar na banca, e Rubin também. Ele está no Citibank.

Serviço: O livro de Rubin se chama "In an Uncertain World" (Num Mundo Incerto) e custa US$ 35. Seu texto é tão original e criativo como o título.

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