O governo Lula tem muitos
problemas
Mas nada que se compare com "dívidas" e juros
No caso do Brasil, do PT e do presidente Lula, essa prioridade é tão visível que não precisa do menor esforço para localizá-la, identificá-la, entrentá-la. Essa prioridade é conjugada, acumulada, emaranhada, se chama "dívida". E naturalmente quando se fala em "dívida" acoplada surge logo o que domina o mundo, estrangula os países, escraviza os povos: O FAMIGERADO JURO. Muitos analistas que ficaram na História, economistas não subservientes, não imprudentes e não coniventes já definiram: O DEUS DO CAPITALISMO É O LUCRO. Já foi. Hoje, O DEUS DO CAPITALISMO É O JURO. Tudo gira em torno do juro, a altura deste é que determina para onde os países caminharão. Para o caos, com o juro lá no alto. E conseqüentemente sem crescimento, sem emprego, sem educação, sem saúde, sem tranqüilidade, sem desenvolvimento. O juro baixo permite tudo isso, transforma os países em potência. E o Brasil, um dos raríssimos do mundo que tem território, população e todas as riquezas possíveis e imagináveis, em que altura estaria se não trabalhasse para enriquecer os outros? Essas considerações fundamentais, isentas, irrefutáveis, incontestáveis, inquestionáveis, irrevogáveis e rigorosamente patrióticas aparecem como conseqüência da decisão do Banco Central de diminuir os juros em apenas 1%. Por favor, não falem em Copom, essa é uma sigla apenas figurativa, operativo mesmo é o Banco Central. No mês passado se esperava queda de 1%, caiu 1,5%. Agora se admitia 1,5%, caiu 1%. Nesse ritmo vão devorar o governo Lula e o próprio presidente, sem a menor consideração. Hoje deixaremos de lado a escabrosa "dívida" externa, fiquemos apenas com a escabrosa "dívida" interna. E façamos COMPARAÇÃO sumária nas estarrecedora com as dívidas internas dos EUA e do Japão. Números, mais números, apenas números. Dívida interna
dos EUA
Dívida interna
do Japão
Dívida interna
do Brasil
Portanto, resumindo: os EUA têm uma dívida 6 vezes maior do que a do Brasil, e pagam de juros apenas 38% do que paga o Brasil. Assim, a dívida é até administrável. O Japão tem uma dívida 4 vezes maior do que a do Brasil, e paga de juros 4 vezes e meia menos do que o Brasil. Concluindo: desde o primeiro dia de governo, e antes mesmo de tomar posse, Lula e todo o seu governo deveriam ter se voltado para as dívidas e os juros. Sem contar que no Brasil
as "dívidas" têm aspas e ninguém sabe onde foi investido
o dinheiro. Eu sei que a comparação financeira entre Brasil,
EUA e Japão é trágica e lancinante. Mas qual é
a solução? Fingir que a vida é maravilhosa e que emendar
a Constituição 77 vezes no ano de 2003 resolverá alguma
coisa?
A catástrofe sem fim 160 bilhões de juros internos, e quanto dos bilhões externos?
E qual seria esse problema dos problemas? Lógico, o maior de todos, que tem nos soterrado, nos emparedado, nos seqüestrado, sem qualquer possibilidade de salvação. Temos falado tanto nisso pelo menos nos últimos 40 anos, que ninguém tem o direito ou o trabalho de perguntar qual é. Esse terrível problema é a "DÍVIDA". Ou melhor: as "DÍVIDAS" internas e externas. Tendo começado em 1822, essa "DÍVIDA" que não contraímos, mas que nos exigem o pagamento rigoroso, teve início em 1822. Além de nos agredirem com essa "DÍVIDA", nos enganaram, mistificaram, fraudaram a convicção de que estamos Independentes. Mera ilusão. Essa era a "DÍVIDA" externa que foi crescendo a partir desse amaldiçoado e fraudulento 1822. A "DÍVIDA" interna surgiu praticamente com FHC, constitui o que ficará conhecido na história brasileira como o retrocesso dos 80 anos em 8. Quando FHC assumiu em janeiro de 1995, "DEVÍAMOS" míseros 60 bilhões. Nos 8 anos de FHC essa "DÍVIDA" cresceu alimentada com uma espécie de Fermento Real da nossa infância, ultrapassou o razoável, o aceitável, o compreensível. Agora, no limiar deste 2003 que não trouxe alegria, na entrada deste 2004 que é mais incógnita do que esperança, o governo Lula teve que fazer a prestação de contas, mostrar o tamanho das "DÍVIDAS" que não são dele, mas que têm que ser pagas por ele. Nem amortizar o governo Lula pôde, não há dinheiro para coisa alguma. Números selvagens, cruéis, destruidores, apresentados pelo governo.
PS 2 - Essa seria a forma de implantar imediatamente o espetáculo do crescimento. Acabar com o desemprego, melhorar a saúde, a educação, a habitação, estimular o mercado consumidor interno, a única forma de transformar o País em potência. PS 3 - Comece, presidente, mas não aos pouquinhos. Tem que ser um compromisso de governo e uma realização de governo.
Cidadania
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