| Hospital de Realengo
é retrato da crise na saúde
Tatiana Clébicar, O Globo, 3 de novembro, 2003 Com quatro dos dez andares desativados, sistema contra incêndio inoperante e o lixo hospitalar dividindo o elevador com a alimentação dos pacientes, o cenário do Hospital Albert Schweitzer é reflexo da crise do sistema público de saúde do Rio. Como O GLOBO revelou ontem, o estado deixou de aplicar na saúde R$ 761 milhões de janeiro de 2001 até o mês passado. A situação do hospital, em Realengo, foi mostrada ontem no “Fantástico”. Para a deputada Cida Diogo (PT), que preside a Comissão de Saúde da Assembléia Legislativa, o sucateamento do hospital tem relação direta com a destinação de verbas da saúde para outros projetos. — Esse quadro reflete a situação do estado. Na segunda quinzena de novembro vamos encontrar gestores das esferas municipal, estadual e federal. Uma das nossas propostas é que eles se entendam para reformar os quatro andares parados e ativar 240 leitos — diz Cida Diogo. O deputado estadual Paulo Pinheiro (PT) afirma que o déficit orçamentário no hospital é grande: — O Albert Schweitzer é essencial para aquela região. Há pelo menos cinco anos ele tem problemas com a emergência. O CTI neonatal até hoje não foi inaugurado. Faltam tomógrafo e respiradores. A maternidade também precisa de reformas. Esse é um dos motivos que obrigam a governadora Rosinha a usar os R$ 412 milhões que ela quer aplicar em saneamento e programas assistencialistas na pasta da Saúde. Mudança nos postos complicou atendimento O presidente do Conselho Distrital de Saúde da área de planejamento 5.1, Ludugério Antonio da Silva, diz que a situação no hospital estadual, que serve aos 688 mil habitantes da região, complicou-se nos últimos dez dias, período em que os postos de saúde da região tiveram o funcionamento prejudicado pela troca das cooperativas terceirizadas: — Além dos quatro postos de saúde 24 horas da Zona Oeste, unidades de atendimento ambulatorial como o Posto de Assistência Médica (PAM) de Bangu estão com um número insuficiente de médicos. Diretor de uma das unidades cujas equipes foram trocadas, o médico José Antônio Rodrigues diz, porém, que o atendimento já está sendo normalizado. Para o presidente da Câmara Comunitária de Realengo, Antônio Galvão, o descaso com os pacientes é generalizado: — O hospital não presta um bom atendimento. E o que é pior: recusa-se a dialogar com a comunidade. Há meses tentamos ser recebidos pela direção e nunca temos respostas. Secretário de Saúde diz que obras já começaram Segundo o secretário Gilson Cantarino, o governo do estado liberou uma verba de R$ 10 milhões para o Hospital Albert Schweitzer: — O estado do hospital como um todo é crítico. Há dez anos os elevadores não funcionam. A governadora autorizou no início de outubro a realização de obras em seis salas de cirurgia e nos elevadores e elas já começaram. Para Cantarino, é difícil analisar a decisão da governadora de usar verbas da sua pasta em outros projetos: — É claro que dinheiro sempre faz falta. Mas aplicar a verba em saneamento também é uma forma de investir em saúde. Se compararmos o orçamento para o ano que vem, que é de R$ 1,8 bilhão, com os R$ 400 milhões que tínhamos disponíveis em 1999, veremos que houve avanço.
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