| Uma falência
moral
Petrônio Souza Gonçalves, 24 de outubro, 2003 Não é de hoje que o governo Lula vem batendo cabeça. Agora, dez meses depois de empossado, já começa a receber os primeiros puxões de orelhas. Foi lamentável ver o governo que deveria ser popular, voltado para as causas do povo brasileiro, receber de um burocrata, um procurador da República, a reprimenda pelo desvio, pelo uso indevido das verbas que deveriam ser destinadas para a saúde. O que se vê é que não é só o povo brasileiro que está doente, mas o governo petista também. Pois, depois que cruzou a linha eleitoral para o lado de lá, do governo, da situação, não só assumiu a ideologia do inimigo, mas tornou-se um ferrenho defensor dela, esquecendo-se assim os antigos sonhos que levaram os brasileiros a acreditar na mudança, na transformação de um Brasil melhor. Vemos que, de fato, a mudança só se deu no interior dos nossos governantes e, aí, a ministra Benedita, que como o Lula também saiu das classes populares, é um bom exemplo disso. Benedita não chegou ao Ministério da Assistência Social para mudar a realidade do povo brasileiro, mas para ser mudada pela realidade da política brasileira, se beneficiando dela como velhos políticos de outrora. O sociólogo Luiz Eduardo Soares, à frente da Secretaria Nacional de Segurança Pública, fez o que vem sendo feito durante anos pela direita governista e imperialista. E, acusado de praticar o crime mais comum e burro da nossa política nacional, o nepotismo, deixou a Secretaria para preservar a imagem do governo. Agnelo Queiroz, ministro dos Esportes, seguiu a norma dos outros colegas e assistiu na mamata os Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, realizados em agosto. Agora, se vê na eminência de ter que devolver parte da verba por ele recebida. Um vexame duplo. Fernando Gabeira, que sempre
esteve na militância ecológica, não pôde conviver
com as mudanças do governo Lula e preferiu se ver livre e voar de
volta ao ninho onde repousa as suas mais verdadeiras convicções.
Assim vai indo o desgoverno Lula, que começa a registrar as suas primeiras baixas. As pesquisas revelam a decepção do povo brasileiro com aquele que insiste em parodiar o Sassa Mutema, personagem alardeado anos atrás por um canal de TV. A última pesquisa da CNT-Sensus aponta que o governo continua com a popularidade em queda. Passou de 48,3% de aprovação popular para 41,6%. O próprio presidente caiu de 76,7 para 70,6%. O problema é que quando
cai a popularidade do governo e do presidente, caímos nós,
brasileiros, empobrecidos de líderes verdadeiros. É o degrau
debaixo na nossa política nacional. Ainda assim vamos nós,
falidos moral e politicamente, traídos moral e politicamente, e
com medo de não sermos mais felizes.
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Prega Fogo | Opinião
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