| Para o FMI tudo, para a educação
zero
Petrônio Souza Gonçalves, 20 de outubro, 2003 A justificativa que o governo Lula sempre deu para a falta de investimentos na área social, educacional e de infra-estrutura em 2003 era de que aquele orçamento havia sido planejado pelo governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. Ainda assim, acreditando na mudança alardeada pelo novo governo, esperamos ansiosamente pela divulgação do Orçamento de 2004, em que acreditávamos que o governo Lula iria dar um cavalo-de-pau na nossa política e realidade nacional. Mas, como as palavras do presidente Lula sempre se perdem no vento, constatamos com uma profunda tristeza e decepção que o orçamento do governo petista para 2004 repetia o orçamento fernandista dos anos anteriores, seguindo as mesmas diretrizes de descomprometimento com o nosso desenvolvimento nacional. Foi sabendo desta realidade, desta total falta de perspectivas para a melhoria do nosso sistema educacional em 2004, que Lula fez uma mea culpa durante as comemorações do dia dos professores. Como se estivesse engajado em mudar esta política que vem sucateando o sistema educacional desde a gestão de FHC, Lula disse que "confesso que nós ainda temos uma dívida muito grande com a educação. Sabemos que, no Brasil, os salários dos professores são baixos. Sabemos que muitos de vocês dão aulas em condições totalmente precárias". Bom, a dívida só existe quando alguém não a paga ou falta com a palavra. E se Lula sabe de toda esta realidade e não faz nada para mudá-la, a culpa é dupla. Desde que assumiu o Ministério da Educação, o professor Cristovam Buarque vem lutando e buscando melhorias para o sistema educacional brasileiro. Mas, como não encontra quem o escute neste novo governo, vem sendo tratado como um ministro menor, um inimigo, e não sobram especulações para que, em janeiro, seja o primeiro ministro a ser afastado do cargo na reforma ministerial de Lula. Ainda assim, sabendo de todas as mazelas que envolvem o ministro e o Ministério da Educação, o presidente Lula, politicamente ou demagogicamente, declarou que "ninguém mais do que o nosso companheiro Cristovam tem se dedicado à educação" (...) "Eu quero terminar o meu mandato e poder viajar por este País. Em cada lugar que eu chegar, quero olhar na cara de um professor, de uma professora, e dizer: Eu dei a minha pequena contribuição para melhorar a educação do nosso País". Como o Lula quer melhorar a educação do nosso País perseguindo e desprestigiando quem quer melhorá-la?! Cristovam era para ser a
redenção da educação nacional que depois do
descalabro que foi o desgoverno do professor/presidente Fernando Henrique
Cardoso, assessorado pelo ministro/professor neoliberal Paulo Renato de
Souza, dilapidaram as nossas universidades federais para justificar a expansão
da universidade particular, a elitização do ensino. Cristovam
sabe de tudo isso e aí poderia atuar. Mas não teve chance,
voz e nem vez, fazendo com que o governo Lula não mudasse um milímetro
sequer do governo de FHC.
Lula, ainda nas comemorações, diante de 150 professoras brasileiras, foi enfático: "tenho nove meses de mandato, portanto, ainda tenho muito mais tempo pela frente" (...) "sabe por que temos de cumprir os compromissos? Porque o mandato é muito passageiro. Um presidente da República passa, o mandato é só de quatro anos". Bom, se Lula já está cumprindo com os seus compromissos, com certeza, até agora, não são os compromissos assumidos com o povo brasileiro, que não votou na mudança do presidente da República, mas na mudança da nossa política nacional. E, se Lula, como disse, já está cumprindo os seus compromissos, cabe a nós saber com quem ele assumiu tais compromissos. Para o presidente Lula vale
dizer que o mandato é passageiro para fazer coisas pequenas, menores.
Mas, para plantar e aguar a semente de um Brasil melhor, o tempo é
parceiro, companheiro, porque de dia e de noite esta sementinha cresce
e floresce. E, em um futuro próximo, será replantada pelos
meninos e meninas educados dentro de um Brasil soberano, de um país
que é pai dos filhos da pátria, que comunga a cada dia com
a esperança de um mundo melhor, mais justo, erguido pelos sonhos
de um povo feliz.
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Prega Fogo | Opinião
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