Tribunal de crimes agrários começa hoje em Belém
Portal Amazônia, 27 de outubro, 2003

De hoje até a próxima quinta-feira (30), acontece em Belém o I Tribunal Internacional de Crimes do Latifúndio. Durante as sessões que serão realizadas nos dois últimos dias do evento, serão julgados extra-oficialmente os crimes agrários cometidos no Pará nos últimos oito anos. Dados da Comissão Pastoral da Terra apontam que, neste período, 113 trabalhadores rurais foram assassinados no Estado.

Se o intervalo de tempo for aumentado, o número de mortes em conflitos agrários no Pará aumenta. De 1986 a 2002, foram 386 assassinatos. E de 1971 a 2002, foram 726. Entretanto, há um contraste muito grande entre estes números e o número de condenações. Entre os responsáveis por todos estes crimes, apenas sete pessoas foram condenadas.

Já confirmaram presença nas sessões do Tribunal Internacional de Crimes do Latifúndio o ex-ministro da justiça, José Carlos Dias, e o jurista Hélio Bicudo, presidente da Fundação Interamericana de Direitos Humanos. Estão também na programação do evento duas mesas redondas sobre reforma agrária e conflitos fundiários. Entre os palestrantes, estão João Pedro Stédile, presidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Marcelo Rezende, ex-presidente do Incra, e acadêmicos especialistas na questão rural.

Centenas de trabalhadores rurais do MST também estão em Belém. Eles estão acampados na Praça da Leitura, no Bairro de São Brás. É nesse acampamento que acontecerão as mesas redondas do Tribunal. Está programada para amanhã, às 11 horas, uma audiência no Tribunal de Justiça do Estado. E as sessões começam a ser realizadas na quarta-feira (30), às 8 horas, no Teatro Gabriel Hermes, do Sesi.
 

  • Tribunal Internacional dos Crimes do Latifúndio, aqui

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