Lula:
'É possível vencer quando deixamos de lado as divergências
menores'
GloboNews,
27 de outubro, 2003
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva fez nesta segunda-feira, na abertura do 22º Congresso
da Internacional Socialista, um discurso em que pediu a união das
diversas tendências políticas, "a convivência na adversidade",
com o objetivo de enfrentar os principais problemas da Humanidade, desde
o terrorismo até a criminalidade. Para o presidente, "ninguém
precisa torcer pelo mesmo time de futebol", mas é preciso que todos
lutem juntos para superar os principais desafios do mundo.
- Um outro mundo é
possível, a tarefa de construir não pode ser de uma corrente,
de uma pessoa. O passado do socialismo nos deixou esse ensinamento. Somos
capazes de vencer quando deixamos de lado nossas divergências menores.
Na derrota do socialismo, sempre a desunião ocupou um lugar importante,
na vitória, a união foi fundamental - afirmou Lula.
Lula afirmou que espera que
líderes socialistas possam contribuir na renovação
de um projeto socialista democrático. De acordo com o presidente,
a vitória do PT nas últimas eleições foi a
"culminação" de um movimento de massa que soube juntar o
que existia de mais organizado na sociedade brasileira, dos sindicatos,
igrejas às organizações não-governamentais.
- Esse movimento culminou
com a minha vitória depois de três derrotas seguidas, essa
vitória, que é de um movimento que cresceu na luta contra
o regime militar, nos obriga a dizer que nós sabemos o peso do fardo
que carregamos nas costas, nós sabemos o peso na nossa responsabilidade,
nós sabemos da esperança que a nossa vitória despertou
em vários países - disse.
Lula:
A fome não leva nenhum povo à revolução, mas
à submissão
JB
Online, 24 de outubro, 2003
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender hoje, em Oviedo, maior
participação dos líderes mundiais no combate à
fome e à pobreza. Em discurso durante visita ao parlamento do Principado
de Astúrias, no norte da Espanha, o presidente disse que os ''famintos''
são hoje um problema social, mas que a fome deve se transformar
em uma questão política. ''Apenas quando a fome se transforma
em um problema político nós prestamos atenção'',
ressaltou.
Lula
discursou para deputados e senadores do norte da Espanha e disse que chegou
a pensar, no início de sua luta sindical, que a fome era uma espécie
de ''castigo'' bem aplicado para povos que não se empenhavam em
lutar para sobreviver. Agora - garantiu - esse conceito se inverteu completamente.
''Depois descobri que a fome não leva nenhum povo à revolução,
mas à submissão'', enfatizou.
O presidente
admitiu que a luta contra a fome não é fácil, especialmente
no Brasil. Mas disse que assumiu essa responsabilidade e, por isso, o prêmio
Príncipe de Astúrias que vai receber na noite de hoje pertence
a todos os brasileiros que lhe elegeram presidente.
''Pensei:
o que fazer com um prêmio desses? Depositar na minha conta e no dia
seguinte ninguém mais lembrar do premiado? Por isso tomei a decisão
de doá-lo e entreguei ao secretário-geral da ONU o cheque'',
disse o presidente, reiterando que o seu gesto deve ser seguido por outros
governantes. ''Eles assumem compromissos com as metas do milênio
e depois não sabem mais de nada'', criticou.
O prêmio,
no valor de US$ 55 mil, foi doado por Lula em setembro deste ano durante
visita à Assembléia Geral das Nações Unidas.
As informações são da Radiobrás. |