A volta do Fernandinho
Laerte Braga, 27 de outubro, 2003

FHC é um dos três fernandos que em maior ou menor escala significam ameaça ao País. Aos brasileiros. Collor, ele e Beira-mar são três criminosos. Em qualquer lugar onde a impunidade não fosse a marca registrada os dois ex-presidentes estariam na cadeia. E com penas altas. Ambos cometeram crimes continuados. É agravante.

A resposta do ministro José Dirceu a Fernando Henrique foi curta, grossa, bem ao estilo do Chefe do Gabinete Civil, mas precisa, cirúrgica. Imagino que FHC deva acreditar que criatividade é meter a mão oito anos, vender um país com dimensões continentais ao capital internacional, tudo com estilo e regado a caviar iraniano e vinhos e champanhes franceses.

Uma coisa é Lula e seu deslumbramento, suas políticas equivocadas, outra é FHC.

A despeito de Benedita da Silva, Gushiken e Agnelo Queiroz, o governo Lula começa sério no presidente. Com todas as críticas que possam ser feitas ao presidente da Republica, há diferenças fundamentais entre ele e o ex-presidente. Um é presidente, outro é bandido. Foi para o governo chefiando a junção de muitas quadrilhas e promoveu o maior e mais violento saque contra o Brasil.

A Constituição norte-americana, imagine, proíbe que alguém exerça a presidência por mais de oito anos. Seria uma salutar medida entre nós. Desde a eleição e as três reeleições de Roosewelt, esse princípio foi incorporado ao documento.

Com os mecanismos de marketing e o controle dos meios de comunicação, hoje, o perigo de gente como FHC, Serra, Tasso Jereissati, etc, é real. Presidente, quando candidato, virou marca de sabão em pó.

E mesmo assim as empresas que vendem FHC não conseguem apresentar um produto sem manchas. Não existe fórmula que consiga isso. O cara é, literalmente, salteador de cofres públicos.

Existe um dado importante na resposta que o ministro José Dirceu deu a FHC. O ministro, desde o primeiro momento do choque com o quadrilheiro tucano, dá sinais que percebeu estar sendo engolido pelo que chamam núcleo duro do governo. A turma da grana.

Outras ações de José Dirceu tornam válido esse raciocínio. Há uma disputa feroz dentro do governo. De um lado o controlador indicado por Wall Street, Mr. Henrique Meireles, ao qual estão ligados Furlan, Rodrigues e Palocci e de outro Dirceu que, que sente o chão sendo puxado a seus pés.

Ele e o ministro Luís Soares Dulci são duas pessoas decentes, fico no núcleo palaciano, para continuar usando a expressão que define os grupos dentro do governo. E não têm o estilo Genoíno (sou, mas quem não é).

Tomara que o ministro José Dirceu recupere a razão e o sentido da luta. E de forma plena.

Para Palocci, Furlan, Roberto Rodrigues, Gushiken, sob a batuta de Meireles, tanto faz quem seja o presidente. Quem chefie. São agentes do capital estrangeiro, ganham com qualquer governo. Cumprem ordens. O deles está seguro e para eles é o quanto basta. Nem falo de Benedita e Queiroz que são dois deslumbrados e peixes pequenos. Uma gosta de casar filhos no Jóquei Clube. Outro de dar jantares e viajar cercado de figuras do mundo esportivo com dinheiro público.

Outro dado importante na fala do ministro José Dirceu. Falou da quebra do País e condenou o processo de privatizações. Que seja uma retomada dos princípios de campanha e dos compromissos históricos do PT. E falou no local adequado: o Congresso Mundial da Internacional Socialista.

O ministro talvez se dê conta da necessidade de ampliar o diálogo à esquerda e evitar a contínua direitização do governo Lula. É outra percepção que assoma das últimas falas de José Dirceu. Num momento como esse é importante separar as coisas.

E uma coisa é Lula, outra coisa é FHC. Um é um bocó, mas não um corrupto, ou alguém comprometido com o banditismo. Deslumbrado. Outro é bandido. Tem um projeto bandido para o Brasil.

Isso o ministro José Dirceu deixou claro. É hora de recobrar o tempo perdido, principalmente, no caso de FHC, com a mancada grave da lei do foro privilegiado e mostrar aos brasileiros a verdadeira extensão dos oito anos de corrupção sob seu comando.

E colocá-lo na cadeia. É a coisa mais fácil. Ele e seus cúmplices tucanos, pefelistas, do PMDB. É só deixar a Polícia Federal investigar a fundo o processo de privatizações, o PROER, o SIVAM, cada dia de governo. Trabalhar CPIs sobre cada um desses itens. Não sobra pedra sobre pedra e nem Jobim ou Ellen Gracie vão ter cara para votar pela absolvição. 

Não sobrevive um tucano sequer, ou aliados. De quebra, por extensão, ficamos livres de gente da pior espécie também. Como Aécio Neves,  o neto que desgoverna Minas.

O que não pode continuar acontecendo, em relação a FHC, é esse joguinho de vou não vou, faço que vou mas fico e o cara desanda a falar bobagens para todos os lados. É fundamental uma demonstração de força e essa é coloca-lo na chave. Sem violência, dentro da lei, a lei deles inclusive.

A mínima chance de um governo popular começa por aí. É por aí que o ministro Dirceu, Dulci e outros podem ganhar cacife junto à população para virar a mesa e correr com a turma de Meireles.

Caso contrário, continua a ir para o brejo.

Quanto ao presidente... Bom deixa o Duda Mendonça continuar dirigindo o filme. Uma hora acerta.
 

sobre o autor


Laerte Braga é jornalista e analista político. [laerte.braga@uol.com.br]


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