Uma necessária vitória contra o alcoolismo e tabagismo
Didymo Borges. 22 de outubro, 2003

O Ministério da Saúde divulga as novas imagens a serem impressas nas embalagens de cigarro que serão mais impactantes. O objetivo é reduzir ainda mais o consumo de cigarro como vem acontecendo nestes últimos anos. Estima-se que cerca de 200 mil brasileiros morram a cada ano devido o tabagismo. Mas estas vitórias contra as indústrias fumageiras remetem a uma necessária luta contra as indústrias de bebidas alcoólicas. O número de óbitos devido o consumo regular de bebidas alcoólicas deve ser tão significativo quanto o número de vítimas do hábito de fumar. Só que os atingidos na saúde física e psíquica devido o consumo de álcool deve ser superior aos portadores de seqüelas do tabagismo. O consumo de álcool afeta o psiquismo muito mais drasticamente que o tabagismo.

A guerra contra as poderosas empresas de fabricação de cigarros foi ganha inicialmente nos Estados Unidos. O primeiro país a estampar imagens chocantes nos maços de cigarros para desestimular o consumo foi o Canadá. Só depois o Brasil adotou esta prática vencendo a resistência dos fabricantes de cigarros. Devido nossa subordinação sócio-cultural-econômica aos países de primeiro mundo talvez tenhamos de esperar por algum resultado favorável contra as indústrias de bebidas alcoólicas na Europa e nos Estados Unidos como aconteceu para que tomássemos medidas contra a indústria fumageira. Lá, também, será uma guerra difícil mesmo por que a vinicultura tem um peso muito grande, talvez superior ao poder das indústrias cervejeiras.

Mas é necessário medidas urgentes contra os insidiosos malefícios sociais do consumo de bebidas alcoólicas que, muito mais que o cigarro, menoscaba a capacidade produtiva do trabalhador. Os neurônios do cérebro são progressivamente afetados pelo consumo habitual de bebidas alcoólicas. Não é preciso ser alcoólatra para ser seriamente afetado na sua capacidade de raciocinar, reagir a estímulos e memorizar. Basta o consumo habitual, como nos fins-de-semana. É uma questão de tempo para que venhamos a adotar inscrições com severas advertências sobre os malefícios do álcool sobre o organismo, mesmo por que, do mesmo modo que a indústria de cigarros, as de bebidas alcoólicas são importantes pagadoras de impostos.

Outra grande dificuldade para a luta contra o alcoolismo é de natureza cultural. A omissão das autoridades sanitárias em advertir contra os perigos do consumo acabou criando uma "cultura alcoolista" na qual a sociedade se comporta incorporando o consumo de bebidas alcoólicas aos momentos de lazer, de prazer, de convívio social. Isto é verdadeiramente deletério em termos sociais e só será vencida como tem sido feito com o cigarro que acabou fazendo o hábito de fumar "demodé".

Claro está que a luta contra as indústrias de bebidas será longa e penosa. Estima-se em R$ 600 milhões por ano o investimento dessa indústria em publicidade e, por isso, elas acabam se tornando macomunadas com todo tipo de mídia que divulga publicidade de cerveja, whisky, rum, vodka, cachaça, conhaque, etc. Será necessário homens públicos com muita hombridade e senso de responsabilidade para o enfrentamento de tão poderoso subsetor industrial.
 

sobre o autor


Didymo Borges é professor de Economia aposentado.


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