Justiça
ordena intervenção na saúde
O
Globo, 14 de outubro, 2003
O Órgão
Especial do Tribunal de Justiça do Rio determinou ontem, por unanimidade,
a instauração do processo de intervenção no
estado e no município pelo não fornecimento de medicamentos.
O pedido foi formulado pela juíza da 5 Vara de Fazenda Pública,
Márcia Santos Capanema de Souza, que determinara que as secretarias
de Saúde do município e do estado fornecessem, inicialmente
em dez dias, os medicamentos solicitados por Valmira Nunes Vieira. Ela,
que é viúva, entrou com uma ação na Justiça
no ano passado.
Além da dificuldade
de locomoção devido à idade avançada, Valmira
sofre de osteoporose, hipertensão arterial e rinite alérgica.
Ela moveu a ação por intermédio da Defensoria Pública,
porém, até o momento, não conseguiu os medicamentos
Avicis loção capilar, Lacticare loção, Fungirox
Esmalte e Fluconazol 150.
Ontem também, foi
realizada a primeira reunião para a criação do grupo
técnico que fará um diagnóstico dos problemas do atendimento
médico no estado, propondo soluções. Participaram
do encontro os secretários de Saúde do estado, Gilson Cantarino,
e do município, Ronaldo Cezar Coelho. Também estiveram na
reunião o presidente do Conselho de Secretários Municipais
de Saúde do Estado do Rio (Cosems), Carlos Alberto Malta Carpi,
e o diretor do Departamento de Controle e Sistemas da Secretaria nacional
de Saúde, do Ministério da Saúde, Fausto Pereira Santos.
Os secretários do
município e do estado defenderam a aplicação de 13%
do orçamento municipal no setor de saúde. Mas a proposta
ainda não foi apresentada oficialmente ao Ministério da Saúde.
Vereadores
querem explicação sobre verba
Jornal
do Commercio, 15 de outburo, 2003
O secretário municipal
de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, será convocado à Câmara
para prestar esclarecimentos sobre a liberação, em agosto
do ano passado, de recursos de R$ 83 milhões a uma empresa criada
15 dias antes, o Conselho das Instituições de Ensino Superior
da Zona Oeste (Cieszo). O pedido é do vereador Édson Santos,
líder do PT na Câmara.
- A Prefeitura liberou R$
83 milhões para uma empresa que parece que foi criada justamente
para receber a verba e que representa faculdades que não fogem do
objetivo inicial previsto no contrato, que é de criar agentes comunitários
de saúde em comunidades da área - disse Edson Santos.
Pelos documentos enviados
pela Prefeitura a pedido do vereador, o Cieszo recebeu, em agosto de 2002,
mais de R$ 12 milhões e o restante da verba foi dividido em 23 parcelas,
de valores que variam de R$ 2,8 milhões à R$ 3,2 milhões,
que serão repassados até julho de 2004.
As comunidades previstas
em contrato para ação dos agentes de saúde são
Morro do Alemão, Vila Cruzeiro, Acari e Zona Oeste da cidade. |
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PT diz que Garotinho
só gastou 5,9% em saúde
Oposição acusa
ex-governador de descumprir Constituição; Alerj vota hoje
parecer sobre contas de 2002 rejeitadas pelo TCE. Carla Rocha, O
Globo, 15 de outubro, 2003
Uma guerra de papéis
vai marcar os últimos rounds da briga entre a oposição
e a situação na Assembléia Legislativa para aprovar
as contas de 2002 do estado. Técnicos da área da saúde
enviaram para o PT documentos em que o próprio Tribunal de Contas
do Estado (TCE) diz que o então governador Anthony Garotinho aplicou,
de janeiro a abril de 2002, quando deixou o governo para concorrer à
presidência, apenas 5,91% em saúde contra os 9,06% exigidos
constitucionalmente.
Com os papéis na mão,
o líder do PT na Casa, deputado Carlos Minc, quer provar que Garotinho
pode estar dando um tiro no pé ao defender que suas contas sejam
analisadas separadamente das de sua sucessora, Benedita da Silva. Hoje,
a Comissão de Orçamento da Assembléia decide, por
votação, se as contas serão analisadas em conjunto
ou separadamente.
Parlamentares ligados ao
ex-governador Garotinho estão usando a manobra para livrá-lo
da responsabilidade pelo descumprimento dos percentuais mínimos
constitucionais para educação e saúde e pelas irregularidades
apontadas em relatório divulgado pelo TCE, em maio. O relatório
apontou um rombo de R$ 1,69 bilhão no caixa do estado em 2002.
— Este documento inédito,
obtido por técnicos da saúde, prova que a estratégia
adotada pelo ex-governador tem um efeito-bumerangue e se volta contra ele
mesmo — afirmou Carlos Minc.
O próprio PT está
produzindo relatórios para mostrar que Garotinho perderia para Benedita
na área de educação. Nos cálculos do partido,
que garante ter usado a mesma metodologia do TCE, os dois ex-governadores
atingiram o percentual mínimo constitucional de 25%. Mas, analisando
só o período de Garotinho, de janeiro a abril, ele não
teria atingido a meta, com seus 24,49%. Benedita, de abril a dezembro,
conseguiu um pouco mais: 26,72%.
Enquanto isso, a base governista,
por intermédio de Édson Albertassi (PSB), vai tentar hoje
emplacar na Comissão de Orçamento, que se reunirá
às 15h, um parecer favorável à análise em separado
das contas. Relator, Albertassi mantém seu parecer em sigilo, mas
em reunião há duas semanas com líderes da Casa ele
teria adiantado que proporia a análise dos períodos separadamente.
A expectativa é de
que o deputado sugira a aprovação das contas de Garotinho
e a rejeição das de Benedita. Ontem, Albertassi não
foi encontrado. A influência do presidente da Alerj, Jorge Picciani
(PMDB), poderá ser um empecilho, apesar de ele também ser
ligado a Garotinho. Picciani seria contrário à medida, principalmente
porque não quer criar um mal-estar em nível federal, já
que PMDB apóia o governo Lula. Benedita é atual ministra
da Assistência Social. |
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