Rádio Interferência de volta ao ar
A rádio livre dos estudantes da UFRJ, fechada por uma coação da Polícia Federal em abril, agora também é veiculada pela Internet.TJ.UFRJ, 22 de outubro, 2003


A Rádio Interferência, rádio livre dos estudantes da UFRJ, voltou ao ar nesta segunda-feira, dia 20 de outubro, às 19 horas. A emissora não funcionava regularmente desde abril, quando um agente da Polícia Federal coagiu os programadores a desligar o transmissor, prometendo uma maior repressão caso a rádio fosse religada.

O horário da estréia não foi coincidência: embora deva funcionar na faixa entre 15 horas e 22 horas, a rádio decidiu veicular uma programação especial exatamente no horário da “Voz do Brasil”, programa obrigatório dos poderes executivo, legislativo e judiciário tocado em rede nacional. O programa continha mensagens de repúdio à legislação de radiodifusão comunitária e uma entrevista com Armando Coelho Neto, presidente da Federação Nacional de Delegados da Polícia Federal e autor do livro “Rádio Comunitária não é crime”.

A Interferência volta ainda mais fortalecida em comparação à época do fechamento da rádio. Agora ela também é veiculada pela Internet, o que permite que a rádio seja ouvida também fora do seu raio de alcance, nas imediações da Urca e de Botafogo. Foi instituída também uma política de busca de parcerias com grupos afinados com a linha da rádio, como por exemplo o Centro de Mídia Independente, ONGS, associações de moradores e selos de bandas alternativas.

Em relação ao temor de uma nova ação da Polícia Federal, agora a Interferência está precavida. Os programadores já têm em mãos um laudo técnico comprovando que o transmissor da rádio não causa interferência em aviões, ao contrário do que a PF alegou em abril. Além disso, cada uma das pessoas que fazem programa na rádio receberam instruções de como reagir no caso de uma nova visita da polícia.

O discurso também está afiado. Os programadores continuam confiantes de que não pedir concessão para funcionamento é a melhor forma de protesto à lei 9.612, de radiodifusão comunitária. Eles protestam também contra o comportamento truculento da Polícia Federal e Anatel na execução desta lei e contra a letargia do Ministério das Comunicações ao analisar os pedidos de concessão. Diz o projeto da rádio:

“A atitude [de não pedir concessão], extrema, se torna necessária na medida em que os principais veículos de comunicação, estruturas fundamentais em uma sociedade democrática, encontram-se em um círculo vicioso de dependência a fatores econômicos e políticos, e, desta forma, obstruem a plena discussão da validade da atual lei de radiodifusão comunitária.”

A Interferência funciona desde 1989 no campus da Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os cerca de 40 programadores têm total liberdade na criação de seus programas, e a rádio é administrada de forma horizontal, não hierárquica. Ela toca na freqüência 91,5 fm. O site da rádio é www.radiolivre.org/interferencia
 

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