Pela neo-cyber
loucura autonóica generalizada: defesa do altismo bloggeado
Wilian Pereira, 3 de outubro, 2003
Coisa boa é devanear em si, perder-se nas idéias e reentrar
os buracos e becos daquelas todas coisas que eu já pensei e deixei
pra lá. Ah, quando era mp3 e word! Cigarros, dias e dias e dias,
sem sono. Os três penúltimos passos até o lugar, a
loucura, minha ex-amiga.
Se eu pudesse (e suportasse existencialmente de novo), eu afrouxava agora
todas as rédeas e perdia novamente o controle sobre minha mente,
meus dedos, meu tempo.
Eu achava que escrever era viver intensamente. Não estava certo,
nem errado. Mas a vida real me mostra que há muito, muito mais além
do discurso. E a praticidade me leva a buscar a compreensão, em
vez das ferramentas de compreensão.
A Filosofia, que já me entreteve, agora me teve, e eu não
mais sigo por ela, mas com ela, comigo. Percebi que o pensador sou eu,
e que os outros abriram trilhas, à foice e caneta - Salvo Sócrates
-, como tento. Andei pelos caminhos e achei que vivia os quadros. Mas quadro
pode até ser lindo, continua museu.
Coisa boa é desistir de ir pro museu e virar sabão em pó,
embalagem de extrato de tomate, estampa de caixa de palitos. Por isso sempre
tive medo da Gina. Sinto calafrios quando vejo fenômenos POP que
durem tanto. O pop é efêmero.
Por isso passei a entender Andy Wahrol. Passei a observar melhor Dali,
passei a David Bowie e então a Oscar Wilde. Pesquisando uns e outros,
vi que muitos dos uns piraram nos outros, os mesmos. Daí quase pirei
junto, porque sem perceber me interessei por coisas que interessavam pessoas
semelhantes que também me interessam.
Haveria uma linha que um dia alguns seguem? Seria assim então que
éramos levados ao nosso Destino ou Acaso, ao nosso sempre mal-interpretado
Dharma?
Não achei que fosse ficar pop. Mas agora decidi ficar, não
acho mais nada.
Porque, como eu dizia e digo sempre, todo discurso é vazio (inclusive
este), e coisa boa mesmo é devanear em si, perder-se nas próprias
idéias e interpretações parciais, exercitar a UMBIGOLOGIA
e praticar com amor a AUTONÓIA. Assim seguimos, macaco em macaco,
afrouxando as mentes e carregando a coletividade para os 3 penúltimos
passos.
Um dia nasceu um daqueles caras, tipo Stanislaw Lem, George Orwell, Machado,
Dostoiévsky: Herman Hesse. Ele cagava e mijava, mas também
escrevia e escreveu assim: "Preço de entrada, a razão. Somente
para loucos". Sua personagem, um solitário e quarentão lobo
da estepe, decide pagar o preço. E só por isso descobre o
que descobre e vive o que vive.
Falando sério, todos, sem exceção, somos loucos. A
verdade é que todo mundo é muito louco. Só que não
assumimos isso e nos passamos por normais. Somos mentalmente programados
por mentiras internas e externas. Todo mundo, todo mundo MESMO, é
altista.
Nos ignoramos sem nos conhecermos. Nunca te vi e já odeio, não
sei de nada e já julguei tudo, já classifiquei e ordenei
a tua LAIA e CASTA, automaticamente como um bio-índice.
Ninguém sabe de nada, está todo mundo aí vivendo e
tentando ser legal. E todo mundo com medo de todo mundo, sem conhecer ninguém.
Solidão generalizada, amortizada por pequenas aquisições
periódicas.
Poderia ser diferente. Poderia sim.
Quem se dá a isso são os loucos. Preço de entrada...
Afrouxe tuas amarras! Ouse usar a tua própria inteligência.
Nós
não somos produtos.
sobre o
autor
Wilian
Pereira é
filósofo formado pela Unicamp. [zewill@pop.com.br, http://selfoscritos.blogspot.com]
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