Federais
prendem suspeitos de envolvimento em corrupção nos serviços
de lavanderia
Jornal
do Commercio, 17 de setembro,
2003
O
cerco à máfia que atua nos hospitais federais do Rio foi
apertado ontem com a prisão de 10 suspeitos de integrar um esquema
de corrupção na prestação de serviços
de lavanderia. Foi a primeira desde abril, quando o Ministério da
Saúde decidiu reforçar investigações em curso
há mais de três anos. Por volta das 6 horas da manhã,
agentes da Polícia Federal surpreenderam oito funcionários
da empresa Brasil Sul Indústria e Comércio Ltda e dois do
Hospital dos Servidores do Estado (HSE), lotados no setor de rouparia,
usando notas superfuradas.
Três
veículos da empresa, que também presta serviço para
o Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), o Hospital Geral de
Bonsucesso (HGB) e Hospital do Andaraí, foram apreendidos. Ao contrário
dos outros dois, este último foi municipalizado.
A fraude
consistia no aumento abusivo do número de toneladas de roupas limpas.
A Brasil Sul cobrava por mais peças do que realmente lavava, contando
com a ajuda de funcionários corruptos que exageravam na pesagem.
A detenção ocorreu quando uma quantidade de roupas inferior
à registrada na fatura da empresa era entregue no HSE. O esquema
também era realizado no Into, onde o diretor da unidade, Sérgio
Côrtes, já recebeu sete ameaçadas de morte depois que
passou a revisar contratos e serviços firmados pelo instituto.
Roupa
limpa era transportada no carro com as roupas sujas
Durante
a operação, o delegado responsável pelo caso, Daniel
Brandão, também constatou a infração das normas
de controle bacteriológico. A entrega de roupas limpas e o recolhimento
das sujas eram feitos em um mesmo veículo. Um dos três carros
apreendidos vai permanecer retido na PF. Já os funcionários
foram liberados após prestar informações.
Só
no HSE, a diretora da unidade, Ana Lipke, conseguiu uma economia de mais
de R$ 1 milhão por ano com a revisão do contrato com a Brasil
Sul. Ao assumir a direção do HSE, em março, ela reduziu
as encomendas de roupa limpa, que passaram de 78 mil quilos para 59 mil
quilos mensais.
- O
gasto de R$ 270 mil mensal caiu para R$ 100 mil - disse a médica,
que esteve reunida ontem, em Brasília, com os diretores dos outros
quatro hospitais federais do Rio para discutir o relatório do Departamento
Nacional de Auditoria do SUS e fazer um balanço da situação
em cada unidade.
Por
suspeitar de fraude no setor de lavanderia, a diretora do HSE decidiu substituir
a fiscal de pesagem das roupas. Mas tão logo assumiu o serviço,
a nova funcionária foi ameaçada de morte por dois homens
armados.
- Não
acho que tenha sido coincidência o fato de ela ser intimidada justamente
quando eu troquei a anterior - observa. Além das ameaças
contra a fiscal de pesagem, o consultório particular de Lipke foi
invadido e depredado. Segundo ela, uma reação à revisão
de vários contratos firmados anteriormente pelo HSE. Entre abril
e julho, a diretora recebeu proteção 24 horas de policiais
federais. Ao saber da operação da PF, Lipke disse que a prisão
é um alerta aos envolvidos no esquema de corrupção.
- As
pessoas que estavam acreditando na impunidade agora saberão que
não é assim - desabafou.
Lavanderia
seria suspeita de outras irregularidades
Funcionários
da Brasil Sul também podem estar ligados a irregularidades no Instituto
Nacional de Traumato-Ortopedia (Into). Em maio, dois funcionários
terceirizados foram detidos dentro do centro cirúrgico da unidade
com duas sacolas de material hospitalar furtado do instituto. Com eles,
a Polícia Federal encontrou notas fiscais frias da Brasil Sul, usadas
na revenda do material para hospitais públicos e privados do Estado.
Embora atualmente preste serviço de lavanderia, a empresa já
comercializou material hospitalar. Durante 1995 e 1998, o Into foi um dos
clientes da Brasil Sul.
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A
saúde vai pagar a conta
O
Globo & Jornal
do Commercio, setembro de 2003. Rosinha quer
tirar dinheiro dos hospitais para financiar projetos assistenciais. Leia
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