O brilho da estrela fria
Petrônio Souza Gonçalves, 18 de setembro, 2003

Passados nove meses do governo Lula, não sentimos até agora a que veio o líder trabalhista nascido nas lutas sindicais dos anos de chumbo. Lula em nenhum momento vacilou em dar continuidade ao governo liberal e entreguista de FHC, que doou 78% do nosso patrimônio público aos agentes internacionais ao capital estrangeiro.

É acreditando dar continuidade a este modelo de governo que o presidente Lula, depois de ter privatizado a voz e a imagem presidencial à Globo, teceu os maiores elogios ao George W. Bush, figura que recebe diariamente a repulsa de todos os povos do planeta. E, principalmente, dos trabalhadores do mundo interior, que são e estão ao longo dos anos, suprimidos pela política escravista dos sobrinhos do Tio Sam.

Depois de anos de luta por voz e vez no cenário político nacional, Lula vem  - valendo da sua imagem pública - e referenda ao povo brasileiro uma maior aceitação ao líder belicoso do Norte, que não titubeou um minuto sequer em saquear nações, dinamitar inocentes e assassinar líder contrários à sua política hegemônica. Lula, até bem pouco tempo, era um desses líderes. Dar uma declaração desta, não era para ele. Lamentável!

Ainda assim, segue o líder trabalhista priorizando neste início de governo a consolidação da Alca, coisa que nem o liberalismo fernandista fez. FHC sempre foi contunde ao dizer que nós não estamos preparados para filiarmos à Alca, que seria para nós um suicídio político e econômico. Lula, no entanto, já se diz favorável a implementação e participação do Brasil nela. Afinal, o que realmente deseja o presidente com esta postura?

Se não bastasse só isto no cenário nacional, seguimos um projeto político-social do assistencialismo, com o Fome Zero servindo de amparo para o nosso crescimento zero. A saúde, depois dos escândalos dos reajustes dos planos, que seguem dentro de um mundo paralelo ao da realidade brasileira, virou uma vergonha nacional e o governo não fez nada neste sentido. Nos aumentos das tarifas telefônicas o que se viu foi um embuste, uma apaga-fogo de mentirinha para justificar a taxação acima da inflação.

Na reforma da Previdência, depois de todas os sindicatos terem se manifestados contra, valeu o rolo compressor do Congresso e o funcionário público, o trabalhador, se viu mais uma vez com os seus direitos básicos cortados. Agora, segue à deriva uma paródia da reforma Tributária, como declarou o senador pelo PT gaúcho Paulo Paim, diminuindo a arrecadação de 21 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Uma falência moral de um governo que deveria estar voltado para a política e o desenvolvimento nacional.

Pela nossa vocação natural vamos nós, tendo apreço pela figura libertária que até bem pouco cultuávamos do retirante Luis Inácio da Silva, o Lula, que soube como pouco encarnar e representar os anseios do povo brasileiro, que plantou na estrela solitária, deitada sobre a bandeira manchada de sangue, a esperança que insiste em não se apagar.
 

sobre o autor


Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. [petros@brfree.com.br]


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