| Quanto vale o show?!
Petrônio Souza Gonçalves, 26 de setembro, 2003 A Lei existe como supra-sumo do pensamento humano, criada para assegurar e orientar os diretos e deveres dos que compartilham uma vida social. É por ela que os direitos dos que vivem em sociedade se entrelaçam permitindo, assim, a convivência humana irmanada pela ordem e respeito aos direito dos que estão sob sua guarda. No Código Penal Brasileiro, onde a moral estaciona em estado de dicionário e garante a punição por meio de uma consciência prévia do erro, está lá a advertência nos artigos: 286 – Incitação ao Crime – Incitar publicamente a prática de crime. art. 287 – Apologia de crime ou criminoso - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime. art. 288 – Quadrilha ou bando – Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes. Na Lei de Imprensa, que rege e aponta o caminho ético/moral da imprensa pátria, encontramos lá a condenação no seu artigo 16 – Publicar ou divulgar notícias falsas ou fatos verdadeiros truncados ou deturpados que provoquem: I – Perturbação de ordem pública ou alarma social. II – Desconfiança no sistema. O apresentador de TV, Gugu Liberato, depois de dominicalmente aterrorizar a consciência pública brasileira por meio do seu Domingo (I)Legal – e levar a nossa consciência pública ao nível do gugu-dadá, conseguiu praticar em um único dia, todos os crimes acima enumerados. Se não bastasse isso, Gugu, conseguiu ainda, praticar crime duplo, indo na contra mão da moral e do direito civil e na mão de criar novos valores, destronando a verdade e impondo em trono impoluto a certeza da sujeira abjeta do ser humano. Gugu negou o seu direito de informar e o do telespectador de ser informado, praticando um desserviço por meio de um órgão que deveria criar um mundo e um Brasil melhor. Não podemos esquecer de dizer que a TV brasileira é do governo e aquele que a usa, o faz por meio de uma concessão, uma liberação para poder invadir os lares, a vida e a mente dos brasileiros. A Constituição Federal aponta no seu art. 221 - Item I: "A produção e programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios: preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas". Item II: "Respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família". E o que o Gugu faz com esta ‘possibilidade’ que o governo brasileiro o deu: joga no lixo com o maior desprezo à nossa Constituição e rasga aos olhos pasmados de todos os filhos da pátria o seu direito de ser informado. É o dedo em riste da amoralidade, da ignorância, da ganância, contra os direitos do cidadão que com o suor do seu trabalho compra o aparelho de TV para destruí-lo inconscientemente. Gugu, como um homem que tem vez e voz, só fez isso por que tinha a certeza da impunidade, por que sempre comprou de nós o poder de errar. Ele sempre soube, como poucos, transitar sobre a busca por vez e voz dos brasileiros. Criou um Dia de Princesa para a eterna gata borralheira, fez do débil, do pueril, o primado da razão, e do bumbum, a entidade divina do sucesso. A televisão, em si, consuma o aprimoramento científico de nossa civilização. No entanto, serve também para aprisionar a consciência e a inteligência libertadora do homem por meio da falsificação, da criação de um mundo paralelo, em que a mentira é a grande estrela. Uma lástima! Hoje, a nossa maior pobreza é da informação e o que faz o Gugu neste sentindo: coloca o crime dentro da casa de todos nós, compactuando assim para o estrelato da violência social, levando a milhares de espectadores infantis e inocentes a imagem divinizada do crime que compensa, do crime que aparece na TV, que é notícia e sucesso. Tudo pelo Ibope, pelos pontos que quando sobem, diminuem dentro de cada um a consciência da realidade brasileira. Diante deste circo horrendo que se tornou a TV brasileira, cabe agora apenas uma pergunta: quanto vale o show maestro? Menos de R$ 150,00. sobre o
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Prega Fogo | Opinião
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