O modus operandi de Garotinho
Jésus Rocha, Tribuna da Imprensa, 19 de setembro, 2003

Aos poucos, começo a entender o modus operandi de Garotinho. Ao ser nomeado pela patroa, o Secretário de Segurança simplesmente percebeu - após exaustiva, embora rápida, observação - que a violência no Rio se concentra, sobretudo, em áreas carentes e abandonadas da periferia.

E o que fez? Tentou diminuir essa violência, como um todo. Mas percebendo, a tempo (e com a agudeza de quem foi o melhor prefeito do Brasil) que ia dar com os burros, todos os burros, nágua, ele partiu para a tática seguinte: descentralizar, no caso, desperiferializar, a violência, expandindo-a como um todo, ou seja, desafogando as tais áreas carentes.

Ele sabia que muitos bairros - o Leblon, por exemplo - iam discordar. Mas permaneceu inabalável.
Mal comparando, o que se está fazendo com a violência, no Rio, é o que se devia fazer, e não se faz, com a riqueza do país: uma distribuição menos violenta.


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