Estado decide contratar professores: 33 ao todo
Deputado que divulgou carência de dez mil profissionais diz que é piada de mau gosto. O Globo, 11 de setembro, 2003


Depois de diversos protestos nos quatro cantos do estado pedindo o fim da carência na rede estadual, ontem a governadora Rosinha Matheus anunciou a contratação de mais professores: 33. Pelo decreto publicado em Diário Oficial, a Escola Estadual de Ensino Supletivo Aldebarã e o Colégio Estadual Liberdade, em Santa Cruz, serão os beneficiados com os novos docentes, que serão chamados apenas para dar aulas até o fim deste ano.

O deputado Alessandro Molon (PT), que recebeu no dia 21 de agosto um documento da própria Secretaria de Educação mostrando que havia uma carência de mais de dez mil profissionais na época, classificou a iniciativa da governadora como uma piada de mau gosto: "Isso só revela que continua o enorme descaso do estado com a educação".

Apesar de a secretária Darcília Leite ter anunciado na semana passada que no início desta semana enfim daria um número oficial atualizado já depois do processo de reorganização de turmas, por enquanto ainda não há previsão de os dados serem divulgados. Somente foram revelados os números de Niterói e de parte do Noroeste Fluminense, onde a carência anunciada é zero. Segundo subsecretária de Planejamento Escolar, Glória Roland, a contratação dos 33 professores é apenas o começo: "A partir do momento que vamos descobrindo que há uma carência real podemos fazer novas contratações".


Contratação de professores de religião motiva protesto
Sepe diz que concurso ignora déficit de 26 mil profissionais na rede estadual. Waleska Borges, Jornal do Brasil, 4 de setembro, 2003


A contratação de 500 professores de ensino religioso para as escolas da rede pública do Estado - após realização de concurso público - foi motivo de uma manifestação organizada pelo Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe). Na avaliação da entidade, a contratação acontece ao mesmo tempo em que o governo ignora o déficit de 26 mil professores na rede estadual. Convocados pelo Sepe para uma plenária, representantes de vários grupos religiosos, professores e alunos protestaram, ontem, em frente à Escola Estadual Olga Benário, em Bonsucesso.

Durante o ato, manifestantes reclamaram da falta de professores. Dispensados das aulas pouco antes do protesto sob a alegação de que faltavam água e luz na escola, os alunos teriam sido liberados pela direção para não participarem da plenária convocada pelo Sepe. A entrada dos manifestantes só foi permitida pela direção depois de muito protesto em frente à unidade.

A informação de que faltavam água e luz foi desmentida pelos alunos. Segundo os estudantes, pela manhã tudo funcionava normalmente. "Fecharam o registro e a luz acabou de repente. Tudo isso, para impedir a plenária que vai organizar um protesto em frente à Secretaria de Educação", disse Raquel Vascoa, 16, aluna do 3º ano do ensino médio.

Segundo a coordenadora do Sepe, Vera Nepomuceno, a direção da escola foi forçada a liberar os alunos. "A diretora-adjunta foi ameaçada de exoneração pela Coordenadoria Metropolitana III, por telefone, caso a plenária acontecesse dentro da escola", contou Nepomuceno.

Ainda segundo denúncias do sindicato, alunos da Escola Estadual Professor Clóvis Monteiro, que foram convidados para participar da plenária, foram dispensados mais cedo. O motivo alegado pela direção da escola, segundo os estudantes, foi uma ameaça feita por pessoas ligadas ao tráfico de drogas nas imediações da escola.

Apesar da baixa adesão de alunos, professores e representantes religiosos organizaram o protesto. Entre as reivindicações, estava a não adoção do ensino religioso. Pela lei do deputado Carlos Dias (PPB), cada entidade religiosa credenciaria professores para ensinar determinada religião.

Segundo o representante do Movimento Inter-Religioso do Rio de Janeiro - vinculado ao Instituto de Estudos da Religião - o modelo de ensino religioso proposto no Rio está na contramão de outros Estados brasileiros. "Não somos contra o ensino de princípios religiosos, mas da separação das religiões", disse. Hoje, às 10h, estudantes e professores fazem novo protesto em frente à sede da Secretaria de Educação, no Centro. "Enquanto faltam mais de 10 mil professores de matemática, física e química, o Estado quer investir em doutrinação", protestou o deputado estadual Carlos Minc (PT).

A previsão do Estado é de que o concurso para contratação dos professores de religião aconteça ainda no segundo semestre. As aulas devem começar ano que vem. A Secretaria Estadual de Educação informou que a Escola Professor Clóvis Monteiro suspendeu as aulas por problemas de abastecimento de água. Já na Escola Olga Benário, as aulas foram suspensas porque ''representantes do Sepe, com um carro de som junto ao portão, insistiam em fazer uma reunião com alunos e professores dentro da escola''. Ainda segundo a secretaria, não houve qualquer tipo de ameaça de retirar de seus respectivos cargos as diretoras das duas escolas por causa de incidentes que teriam acontecido nas duas unidades.

Estudantes protestam contra redução de aulas
O Globo, 10 de setembro, 2003

Cerca de 200 alunos de escolas da rede estadual se reuniram ontem em frente à IV Coordenadoria de Educação, na Zona Oeste, para protestar contra a junção de turmas e a redução do número de aulas de disciplinas que têm no currículo quatro tempos semanais. Segundo os manifestantes, a junção de turmas não respeita as diferenças, misturando quem está tendo aulas regularmente com alunos que não aprenderam a matéria por causa da falta de professores.

Os alunos querem a suspensão dos efeitos de um documento da Secretaria estadual de Educação enviado para a IV Coordenadoria, que autoriza a redução da carga horária das aulas de matemática, história e geografia, caso a escola enfrente falta de professores. A secretaria nega a emissão desse documento.


Escolas à beira do despejo
Proprietários de prédios cobram na Justiça aluguéis não pagos pelo Estado. Waleska Borges, Jornal do Brasil, 6 de setembro, 2003


Com mais de R$ 1 milhão em dívidas de aluguel, o Colégio Estadual Professora Terezinha Melo Gonçalves, na Ilha do Governador, corre o risco de ser despejado. Após 27 meses de atrasos, o colégio - que sofre com a falta de professores - enfrenta na Justiça a cobrança feita pelo proprietário do imóvel, Joel Martins de Souza, 65 anos. A ação de despejo, segundo Joel, se arrasta há dois anos na 8ª Vara da Fazenda Pública. O colégio divide o prédio com a Escola Estadual Rodrigo Otávio. Somadas, as duas unidades concentram 2.500 alunos.

Com 3.350 metros quadrados, o imóvel alugado para o Colégio Terezinha fica na Estrada do Galeão. O prédio de quatro andares foi alugado pela Secretaria de Educação, que, segundo Joel, não tem pago o aluguel de R$ 26 mil mensais - só os nove primeiros meses foram honrados pelo Estado. "Tentei conversar com o responsável por várias vezes mas nunca fui recebido. Quero o prédio de volta", protesta Joel, que informa existirem 11 proprietários em situação semelhante.

Além do risco de despejo, ainda este mês, os alunos do colégio enfrentam os problemas da divisão do prédio. "No Colégio Terezinha, são 2 mil alunos. Com a chegada dos 500 alunos da Escola Rodrigo Otávio, perdemos os dois últimos andares. Por falta de espaço, as aulas de educação física acontecem há dois quilômetros da escola, em períodos fora do horário escolar", conta Wagner Silva, estudante do 3º ano do ensino médio e presidente do grêmio.

A Secretaria Estadual de Educação informou que realizar aulas de educação física no batalhão é uma prática legal. No entanto, não são só os alunos que reclamam da junção das escolas. Indignado, o proprietário do prédio diz que sequer foi consultado sobre a decisão do Estado. "O Estado já deixou de pagar água, luz e agora, IPTU. É um desrespeito", denuncia Joel.

Segundo a Secretaria de Educação, o contrato de aluguel do Colégio Terezinha foi feito em outubro de 2000, na gestão da secretária Lia Faria, por R$ 26,4 mil mensais sem avaliação do valor de mercado. De acordo com a secretaria, constatou-se que o valor do imóvel para locação era de R$ 13, 4 mil. Em 2001, foi aberta uma sindicância para apurar os fatos. Na época, segundo a secretaria, o proprietário foi procurado para tentar um acordo, que não houve. As ações propostas pelo Estado e proprietário estão sendo defendidas pela Procuradoria-Geral do Estado. Segundo levantamentos da secretaria, 41 escolas estão alugadas pelo Estado. Não há informações, porém, de quantas estão com aluguel atrasado.

Após a denúncia de que alunos do Terezinha Melo estavam há três anos sem ter aulas de matemática - publicada ontem pelo Jornal do Brasil - a Secretaria Estadual de Educação decidiu enviar sete professores da disciplina para a escola. Os professores vão receber através de GLPs (Gratificação por Lotação Prioritária). A menos de três meses para o fim do ano letivo, ontem, alunos do 1º ano do ensino médio passaram sem aula os quatro tempos destinados a matemática.

"Sinto-me envergonhado, subjugado e menor que os outros", desabafou Wagner. Veterano no colégio, ele assiste com tristeza à chegada dos calouros que enfrentam o mesmo problema. Os amigos Tiago Costa, 17, e João Fillypp Barros, 15, contam que, se pudessem, optariam por estudar numa escola particular.

A situação de carência dos alunos sensibilizou professores de um curso pré-vestibular vizinho ao Colégio Terezinha. Desde o início das aulas deste ano, professores voluntários ensinam 110 alunos do colégio. Professor de física e matemática, Carlos Hernani Ferreira, 33 anos, foi o primeiro a se prontificar. Sozinho, ele ensinava cinco horas das disciplinas nos sábados. "É gratificante ver a alegria deles. Muitos vêm de longe, levam arroz , feijão e ficam lá das 7h às 19h", contou Carlos.

Alunos vão às ruas para pedir professores
Estudantes do terceiro ano do ensino fundamental, em Niterói, vão enfrentar o vestibular depois de três anos sem aulas de matemática. Secretária Estadual de Educação afirma que não há déficit de professores na cidade. Waleska Borges, Jornal do Brasil, 5 de setembro, 2003


Aluno do terceiro ano do Colégio Estadual Professor Terezinha Melo Gonçalves, em Niterói, Wagner Silva, 22 anos, vai começar a prestar os exames do vestibular com um ponto a menos. Nos três anos em que cursou o ensino médio no colégio, não recebeu sequer uma aula de matemática. A exemplo do que ocorre na maioria das escolas estaduais, ele é uma vítima da falta de professores que, segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino (Sepe), chega a 26 mil profissionais.

Para compensar a deficiência do Estado, Wagner buscou ajuda com colegas e, aos sábados, participa de um curso pré-vestibular com professores voluntários, que vão ao colégio sem cobrar. "A falta de professores aconteceu todos os anos. Por sorte, este ano tenho o pré-vestibular gratuito", contou Wagner, enquanto participava, na manhã de ontem, de um protesto em frente à Secretaria Estadual de Educação.

A manifestação, organizada pelo Sepe, reuniu cerca de 300 estudantes. Exibindo faixas e cartazes, os manifestantes reclamavam da falta de professores e do agrupamento de turmas, devido ao remanejamento de profissionais de educação. Do alto dos prédios vizinhos à secretaria, pessoas incomodadas com a manifestação jogaram água nos estudantes.

Quem não tem a sorte de receber aulas de graça, como Wagner, precisa driblar a falta de professores com dedicação extra. Aluna do 2º ano no mesmo colégio de Niterói, Luciana Fernandes de Souza, 18 anos, tenta aprender química só com os livros. A estudante não se lembra de quando foi sua última aula de química. "No ano passado, tinha química mas faltava física. Este ano, temos física e ficamos sem química", reclamou Luciana.

O Colégio Estadual Professora Terezinha divide o prédio com a Escola Estadual Rodrigo Otávio. Inicialmente, a divisão seria por seis meses, mas já se passaram três anos e nada mudou. Na Escola Estadual João Alfredo, em Vila Isabel, alunos contam que passam a maior parte do tempo em aulas vagas. "Falta professores de física, filosofia, química e matemática. Agora, resolveram juntar as turmas. Você imagina uma sala com 70 alunos?" pergunta Luciana dos Santos, 16 anos, do 1º ano do ensino médio.

Na segunda-feira, com base em relatórios de diretores enviados aos conselhos tutelares e ao Ministério Público, o Sepe vai entregar um dossiê ao juiz da 1ª Vara da Infância e Juventude, Siro Darlan. Segundo a secretária de Educação, Darcília Leite, o remanejamento de professores visa adequar o quadro da rede, sem prejudicar o aluno. De acordo com Dracília, após levantamentos da secretaria verificou-se que algumas turmas tinham 16 alunos por professor, enquanto outras passavam por carência. A secretária, que prometeu apurar as denúncias, afirma que não há carência de professores em Niterói.


Estado sugere a escolas cortar aulas
Ana Wambier, O Globo, 9 de setembro, 2003


Pode parecer irônico, mas uma das soluções encontradas pela Secretaria estadual de Educação para suprir a carência de professores é reduzir a quantidade de aulas. É o que sugere um ofício enviado a diretores de alguns colégios. A circular 280, de 27 de agosto, encaminhada pela IV Coordenadoria da secretaria (que inclui Realengo, entre outros bairros), diz que, “se a unidade escolar apresentar carência (de professores) nas disciplinas de história, geografia e matemática, o diretor deverá reduzir os tempos das respectivas disciplinas para 02 tempos (semanais), possibilitando assim que novas turmas tenham suas carências supridas”.

Subsecretário nega punição que diretora diz existir
Embora não haja, no texto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nada que estipule a quantidade de horas/aula para cada matéria, a secretaria, ao redigir o ofício, caiu em contradição. Todo início de ano, as escolas recebem a grade curricular que devem seguir, podendo aumentar o número de aulas, mas nunca diminuí-lo. No início deste ano letivo, a secretaria estipulou em quatro horas a carga semanal para matemática, história e geografia. O ofício, portanto, corta pela metade os tempos de aula previstos.

O subsecretário de Educação, Rivo Gianini, disse que as escolas devem se adequar à sua realidade. Segundo ele, se um colégio não tem professores suficientes para cumprir a carga de horas/aula exigida pela secretaria, não precisa seguir à risca o que foi estipulado e está isento de punição. Não é o que diretores dizem:

— Quem não cumpre o mínimo que a grade determina será chamado na coordenadoria de sua região para prestar esclarecimentos, podendo ser exonerado do cargo — disse a diretora Maria de Lurdes Afonso Moreira.

A escola onde ela trabalha, a Marechal Rondon, em Realengo, precisa de pelo menos mais 17 professores. Nesse colégio, a situação é crítica principalmente em física, matemática, história e química. Todas essas matérias contam com apenas um professor cada e eles se dividem entre o 1, o 2e o 3 anos do ensino médio.

Quando perguntado se concordava que os alunos que recebem menos tempo de aula estão menos preparados para o vestibular que outros, o subsecretário respondeu que não:

— Nem todos os alunos que estão no ensino médio vão prestar vestibular. Muita gente fará curso profissionalizante. Passar ou não no vestibular depende do aluno. Ele tem que correr atrás, estudar por conta própria, encontrar meios para tal.

Professores e alunos farão protesto em Campo Grande

A afirmação causou indignação no Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação.

— Eles não podem fazer maquiagem. Está faltando professor — disse Maria José Ferreira de Melo, uma das coordenadoras do Sepe.

Hoje, às 10h, profissionais de educação e alunos de escolas estaduais da Zona Oeste farão, em Campo Grande, um protesto contra a falta de professores. O Sepe estima que faltem 26 mil professores na rede estadual. Embora conteste esse dado, a secretaria disse não ter um número aproximado do déficit.


Longe do sonho olímpico
Às vésperas dos Jogos Pan-Americanos de 2007, aulas de educação física são raridade na rede pública de ensino do Rio. Waleska Borges, Jornal do Brasil, 4 de setembro, 2003


Prestes a receber os Jogos Pan-Americanos de 2007, o Rio está deixando de fora do sonho olímpico uma geração inteira de futuros atletas. Sem equipamentos e professores de educação física, alunos das redes estadual e municipal de ensino assistem de longe aos investimentos anunciados para o Pan e a candidatura da cidade aos Jogos Olímpicos de 2012. No dia-a-dia da escola pública, quadras com piso destruído, materiais em péssimo estado de conservação e vestuários pichados ou com goteiras fazem a esperança de ganhar medalhas parecer piada. 
Para o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe), a deficiência do ensino de educação física é mais um sintoma da crise por que passa a educação pública no Rio. só no Estado, segundo o Sepe, faltam 26 mil professores. Revoltados com as dificuldades que enfrentam na rotina dos colégios e escolas do Estado, professores já reagem com indignação aos anúncios de investimentos em complexos esportivos na cidade. 

- O Pan é um megaprojeto, rentável para a iniciativa privada. Os recursos deixam de ser investidos em áreas que estão passando dificuldade para o setor privado usufruir - critica Roberto Simões, professor de educação física no Estado e município. 

Segundo a coordenadora do Sepe Guilhermina Rocha, o descaso com as aulas de educação física acontece nas escolas da capital e do interior. A rede estadual atende hoje a 1.524.317 alunos em 1.882 escolas. No município são 730 mil os estudantes em 1.040 unidades escolares. 

- A situação é precária. O contraste é ainda mais acentuado nos Cieps, onde existe toda uma estrutura, mas faltam profissionais e materiais - denuncia Guilhermina. 

Entre os exemplos de descaso, está o Colégio Estadual João Alfredo, em Vila Isabel. Com 2.800 alunos do ensino médio e curso técnico, divididos em três turnos, o colégio tem apenas uma quadra, que durante as aulas precisa ser repartida em três para driblar a falta de espaço. As poucas bolas de vôlei, basquete e futsal, algumas já esgarçadas e sem revstimento, são guardadas com o resto do material numa cantina desativada. Nos vestiários, as paredes estão pichadas e sujas. 

- Não dá para tomar banho. Em vez de chuveiros, temos que usar um cano que, às vezes, não abre. No calor, somos obrigados a assistir às outras aulas com o corpo suado - conta a estudante Etiene Pereira, 16 anos. 

Guilhermina questiona, além da falta de estrutura, a forma de utilização dos recursos previstos no orçamento para a educação. Segundo ela, 25% do orçamento das escolas deveria ser aplicado na melhoria de estrutura e compra de material. 

Durante a visita às escolas, na tarde da segunda-feira, a reportagem do JB foi impedido de entrar na Escola Municipal Soares Pereira, na Tijuca. Cercada por favelas, a escola - que tem alunos do CA à 8ª série do ensino fundamental - é chamada pelos professores de educação física de Pan-Demônio. A única quadra descoberta tem o apelido de rala-joelho, devido ao chão de cimento grosso. 

- O número de alunos é excessivo e faltam equipamentos. Os professores negociam o espaço e os alunos ficam nervosos. É difícil controlar crianças da 3ª e 8ª séries na mesma quadra - explicou Roberto Simões. 

Segundo a Secretaria Municipal de Educação, desde 2001 estão sendo construídas ou reformadas 660 quadras. Desse total, 620 estão prontas e 40 em andamento. Na rede municipal existem 3.381 professores de educação física. No Estado, segundo a Secretaria de Educação, este ano estão sendo feitas 54 intervenções em escolas do Noroeste Fluminense, Baixada, Região Serrana, Médio Paraíba e Região Metropolitana.

Suderj parou no tempo

Numa sala improvisada, onde funcionava um depósito de material velho, as aulas de judô no centro de iniciação esportiva Parque Aquático Júlio de Lamare, da Suderj, dependem das condições do tempo. Se a semana for de chuva, alunos e professores dividem o tatame com uma goteira ininterrupta. Devido às infiltrações, os tombos e escorregões são comuns. No local, onde funciona um dos maiores estádios fechados do país, o Maracananzinho, a situação das escolinhas esportivas é caótica.

Segundo o professor de judô Waldemiro Lins de Castro, há três anos ele vem reclamando da goteira na sala de judô. "É ruim. Por causa do chão sempre molhado, já caí e me machuquei - relata Nathalia Pereira Tavares Lobato, 10 anos". Vitrine de grandes competições, o estádio do complexo está servindo como espaço para a escolinha de ginástica olímpica. O espaço foi improvisado, recentemente, após a antiga sala ceder lugar para a Federação de Halterofilismo. No lugar onde são dadas as aulas, o piso está destruído.

Descalças, crianças - com no máximo cinco anos - correm por cima dos buracos no chão. Os colchonetes estão rasgados. E, se não bastassem os problemas de estrutura, constantemente as aulas são interrompidas para a montagem de palcos. "As aulas param de quinta a domingo, quando o estádio é alugado para shows", disse o professor de ginástica olímpica Eduardo Giardine Tavares, 46 anos.

Em boa parte do complexo, é possível ver outras situações de abandono. Traves de futebol são deixadas na chuva. Espaços, que poderiam servir como quadras, estão abandonados. "Na década de 70, o centro chegou a ter 82 professores. Hoje são 24. Ao contrário do que aconteceu no projeto da Mangueira, que tem como padrinho o secretário estadual de Esportes, Chiquinho da Mangueira, o trabalho no Maracanã não se desenvolveu", comenta o professor de educação física Roberto Simões.

Cotado para sediar as competições de vôlei nos Jogos Olímpicos, o complexo do Maracanã, segundo o vice-presidente executivo da Suderj, Stanley Mackenzie, vai entrar em reformas até o fim do ano. No projeto, está prevista a troca de piso e melhorias nas instalações elétricas e hidráulicas, além da climatização do estádio.


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