Novos caminhos, novos companheiros
Petrônio Souza Gonçalves, 28 de agosto, 2003

O governo demonstra vitalidade e registra sua segunda vitória na votação da Reforma da Previdência. Apesar de não haver uma coesão no próprio PT, que registrou seis abstenções e três votos contra, dados pela ala radical do partido na votação, o governo contou uma vez mais com os votos da oposição. O PFL contribuiu com 32 votos e o PSDB com 28, para a soma de 357 votos a favor e 123 contra, num total de 486 deputados.

Para que a Reforma da Previdência seja concluída ainda este ano, é preciso que não seja feita nenhuma alteração no Senado. Se os senadores optarem por alguma mudança na Reforma, a proposta terá de voltar para a Câmara e passar novamente por todo o processo de discussão e votação.

Repetindo o ato do primeiro turno das votações e a postura histórica do PT que durante o governo de FHC impediu esta mesma votação, seis deputados petistas mantiveram a posição de se abster na votação em plenário. Com isso, José Genoíno, o presidente do Partido dos Trabalhadores, declarou que a atitude recorrente dos correligionários cabe agora uma punição.

Para um governo que ganha com votos da oposição, punir a ala radical do partido neste momento apenas daria munição para o grupo oposicionista que, de uma certa forma, contribuiu muito mais decisivamente na votação que os próprios partidos da base governista.

Depois da vitória, registrou-se o lamentável panegírico dos esbirros petistas que fizeram chover papel picado na Câmara. Era como que os sonhos do Partidos dos Trabalhadores fossem rasgados das páginas da história, para transformarem em papéis picados na página da memória. Uma pena!

No Senado, Antônio Carlos Magalhães estufou o peito e declarou ter os seus votos favoráveis ao governo. Pior será para o PT se Paulo Paim e Heloísa Helena não votarem com o partido e o PT só conseguir aprovar a Reforma com os votos decisivos dados pelo PFL de Antônio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen, inimigos históricos das lutas e conquistas trabalhistas.

E, para quem votou em Lula acreditando expulsar de uma vez por todas nomes como o de José Sarney, Marco Maciel, Toninho Malvadeza & Cia da nossa política nacional, vai vendo a cada momento o quanto eles são e estão engajados neste novo governo, valendo para nós apenas uma pergunta: quem foi que mudou de lado?
 

sobre o autor


Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. [petros@cidademais.com.br]


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