| O modelo de Previdência
brasileiro e o modelo de outros países
Didymo Borges, 8 de agosto, 2003 O Brasil é o único país do mundo que concede aposentadoria integral a seus funcionários públicos. Não existe modelo no mundo com tamanha generosidade para com os empregados do governo. Embora o modelo de previdência aprovado pela reforma proposta pelo governo petista tenha afastado para futuro mais remoto a possibilidade de "quebradeira" de Estados e Municípios, é muito provável que seja necessário implementar a previdência social no Brasil com dispositivos mais realistas com o quadro social brasileiro, que conta com dezenas de milhões de indigentes sem amparo de qualquer benefício previdenciário. Entende-se a reação corporativa do funcionalismo público em defender seus privilégios. Faz parte da democracia que sejam ouvidos e considerados. Mas a autoridade governamental não poderia permitir que o modelo previdenciário advindo da constituição de 1988 viesse a provocar o colapso da previdência em futuro próximo. O exemplo da Argentina está para ser aprendido e evitado, jamais para ser imitado. Lá, os argentinos derrubaram o governo de Fernando De La Rua quando foi proclamado que o governo não tinha mais disponibilidades para pagar benefícios previdenciários. A turbulência econômico-social Argentina teve profunda repercussão social, levando milhões de argentinos, uma nação rica e próspera em passado recente, a uma crise sem precedentes. Seria pura imprevidência se os brasileiros ignorassem a possibilidade do mesmo ocorrer no Brasil. O mérito da reforma promovida pelo governo petista foi afastar para mais longe a eclosão de uma grave e insustentável crise do sistema previdenciário. Ademais a política de inclusão social de 40 milhões de brasileiros despossuídos no sistema previdenciário é elogiável e desejável como política pública mas faz o modelo reformado nascer natimorto pois exigirá, certamente, reformulação no futuro. Didymo Borges é professor de Economia aposentado.
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