Parceria ou subserviência?
Didymo Borges, 16 de agosto, 2003

Muitas vozes estão se levantando contra as consequências das privatizações eivadas de vícios do governo FHC. Na Argentina poderá haver revisões de algumas das privatizações que não deram certo. Mas o respeito aos contratos do  governo Lula – e entre os contratos estão os firmados com as empresas privatizadas – é  condição para que o Brasil continue gozando da parceria com órgãos internacionais como o FMI além de bancos de fomento.

A grande verdade é que pelas contas que os consumidores brasileiros pagam de telefone e energia é possível conjecturar que os capitalistas estrangeiros e brasileiros que controlam a telefonia e a distribuição de energia estão indo com muita sede ao pote, inviabilizando o esforço antiinflacionário do governo federal. Ademais está se evidenciando que as chamadas agências controladoras (ANATEL, ANEEL, ANP, etc.) são muito mais parceiras que fiscalizadoras e controladoras das empresas privatizadas.

É por isso que o Adriano Benayon no seu artigo abaixo escreveu: "A inflação é impulsionada também pelos contratos imorais e inconstitucionais com as transnacionais de serviços públicos privatizados, cujos abusivos aumentos de tarifas são autorizados pelas agências "governamentais". Respeitar esses contratos não passa de subserviência ao poder imperial".

A alternativa do governo Lula é a parceria ou o rompimento com o FMI. Por enquanto ele deverá ficar com a parceria com o FMI sob pena de entornar o caldo.

Didymo Borges é professor de Economia aposentado.


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