| Conseqüências do banimento
das armas
Didymo Borges, 28 de agosto, 2003 A obstaculação do porte de arma por si só não resolverá o problema da criminalidade. Banindo o porte não se está combatendo o tráfico, o contrabando e a fabricação das armas, de longe a pior invenção da humanidade. É isto mesmo. O banimento do porte tem que ser acompanhado com o combate ao tráfico, ao contrabando e a proibição da comercialização. Uma destas medidas, isoladamente, será inócua como política de combate ao crime. Além disso é preciso ter em conta que, depois do tráfico de drogas, o tráfico de armas é a mais lucrativa das atividades do crime organizado no mundo. É negócio para bilhões de dólares anuais. Faz-se tráfico de armas e munição até em viaturas dos Correios, como constatado nesta semana quando um caminhão daquela empresa federal foi flagrado conduzindo drogas, armas e munição. Uma bem sucedida campanha de combate ao tráfico de armas, acompanhada das necessárias medidas complementares, haverá de escassear armas em disponibilidade ao alcance de qualquer um. O preço de mercado subirá e a arma deixará de ser um objeto barato, encontrável nas feiras livres a R$200 por um revólver 38. Isto não seria alcançável de imediato, seria necessário tempo para o recolhimento e a obsolescência dos 30 milhões de armas ilegais disponíveis para o crime no Brasil. O "lobby" dos traficantes, contrabandistas, fabricantes e comerciantes de armas sabe disso e o objetivo é tornar inócuo o Estatuto do Desarmamento pela introdução de dispositivos que o tornem inócuo. Como o Estatuto ainda terá de tramitar na Câmara dos Deputados que conta com uma forte "bancada da bala" (deputados eleitos com dinheiro de empresas fabricantes de armas e munições), isto ainda será possível. É necessário mobilização do povo contra a corrupção da "bancada da bala" na Câmara dos Deputados. Relatos de tragédias
com armas de fogo
A simples insatisfação de um empregado que estava ou seria demitido é motivo suficiente para uma tragédia destas proporções quando uma arma está disponível. A notícia faz uma resenha de acontecimentos semelhantes em passado recente nos EUA, o que demonstra que não é por acaso que tragédias deste tipo ocorrem naquele país. São tragédias deste tipo que o chamado Estatuto do Desarmamento, ainda que seja um projeto de lei imperfeito, poderá evitar no Brasil.
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