Os cinco dedos do FHC e as cinco pontas da estrela do PT
Petrônio Souza, 16 de julho, 2003

No programa Roda Viva da TV Cultura desta segunda-feira, dia 14, a senadora pelo PT de Alagoas, Heloísa Helena, sofria mais uma sabatina por aqueles que não gostam dos que defendem os interesses nacionais, do povo brasileiro.

Com uma prosa brejeira, nordestina e autêntica, a destemida senadora foi clara como as águas do Rio Santo Antônio, revelando que a atual situação do Brasil antes e pós o liberalismo fernandista só continua a mesma, pela total falta de descomprometimento dos nossos governantes com os interesses do povo brasileiro, povo que por meio do voto decretou fim ao processo de lapidação do Brasil, elegendo Lula e o partido que era dos trabalhadores.

Heloisa Helena, como o Lula, é uma vencedora. Mulher e nordestina, cunhou a sua vida vencendo e superando obstáculos, barreiras, e agora encontra talvez a maior de todas: estar no governo e ser do Brasil, lutar pelos interesses dos brasileiros - equação que o presidente Lula ainda não soube conjugar.

As musas do jornalismo liberal, as jornalistas Dora Kramer e Eliane Catanhêde, a quem FHC chamava carinhosamente de “as meninas”, do outro lado da história e da bancada do programa, tentavam encurralar, desestabilizar a nobre senadora que, depois de tantas lutas, seguiu com as suas velhas e sinceras convicções e questionou: “Como o Estado não tem dinheiro?! É claro que ele têm dinheiro. Ele está é sem dinheiro porque está pagando os juros dos gigolôs do Fundo Monetário Internacional...”. “O Estado tem que gastar menos pagando juros da dívida e mais financiando a educação, a saúde, o emprego...”. “O que está faltando ao novo governo é coragem política”. Quem não tem coragem tem medo, e aí parece claro a atual situação do governo Lula, acuado pelos interesses internacionais que não querem o desenvolvimento do país.

Perguntada sobre as reformas, a senadora foi clara quanto à ausência das mudanças do governo Lula, preconizada antes das eleições: “Se não existem recursos, como o governo por meio dos seus ministérios podem ministrar reformas?”. FHC, antes das eleições, espalmava a mão na frente da TV e dizia ter os cinco dedos do progresso brasileiro: saúde, emprego, educação, moradia e renda. Hoje, a apagada estrela petista com as suas cinco pontas, caem no mesmo retrocesso fernandista, mergulhando o sonho brasileiro em um mar de lama e desilusão.

Ao final da entrevista (sic), quando a esperança da senadora venceu o medo, Heloísa Helena revelou: “Eu não quero o partido pela legenda, quero ficar no PT por que foi ele que me ensinou a caminhar, que me mostrou uma nova vida...”.  Pelos anos de lutas ao lado dos brasileiros, dos nordestinos pobres e discriminados, Heloísa sabe, tem certeza, que a “esperança é o sonho dos filhos da pobreza” e, como ela, e os filhos da pobreza sonham com um Brasil melhor, dos brasileiros, dos herdeiros da riqueza deste país continental. Ela vai ser radical, por que radical vem de raiz e é na raiz que está a cura para todos os males.
 

sobre o autor


Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor. [petros@cidademais.com.br]


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