| Chegou o espetáculo?
Emir Sader Chegou julho e, com ele, podemos esperar o "espetáculo do desenvolvimento" anunciado por Lula. Na verdade, nos consolamos com menos. Não precisa nem ser espetáculo. Desenvolvimento só, já melhora um pouco. Que com o desenvolvimento, espetacular ou não, o governo deixe de falar pelo Meirelles e pelo Palocci, que o governo deixe de olhar para os índices financeiros para dizer como o Brasil está e olhe principalmente para os índices sociais. Que o presidente deixe de usar provérbios conservadores, desmobilizadores, que incitam ao atraso e à passividade e passe a convocar a mobilização, a consciência, a organização. Que deixe de atacar a esquerda e passe a atacar a direita. Que deixe de tomar os movimentos sociais como seus inimigos, passando a atacar o capital financeiro, o sistema bancário e a especulação. Que venha um desenvolvimento com distribuição de renda, senão não adianta. E para vir, não pode ficar resumido a medidas de microeconomia - como crédito menos caro da Caixa Econômica, por exemplo -, mas tem que mexer no coração dessa política econômica - considerando que ela tenha coração. Com essas taxas de juros, nada de desenvolvimento e espetáculo, apenas de especulação. Que o presidente fale menos, dê entrevistas coletivas, receba perguntas e responda. Anunciar o "espetáculo do desenvolvimento" na verdade não permite muitas esperanças, porque sair de uma recessão profunda como a herdada e acentuada neste primeiro semestre de 2003 não é um ato, mas teria que ter sido preparado com uma série de medidas. No entanto, todos os índices econômicos pioraram e estão num nível muito negativo. Vejamos, com esperança e sem medo. Emir Sader é jornalista. Publicado em Caros Amigos, 9 julho 2003
Opinião | Brasil
|