| Paixão no amor e
na política
Chico Alencar, 12 junho 2003 Política tem que ser feita com paixão e inserção na vida. Hoje é dia de gestos ternos entre casais, e quero registrar a data também neste Parlamento. O Dia dos Namorados nasceu no século III: ele se origina na proibição determinada pelo imperador romano, Claudius II, quanto ao casamento de seus soldados durante períodos de guerra. Mas o amor e a paixão sempre são maiores do que qualquer proibição. Padre Valentim, rebelde e generoso, oficiava matrimônios, às escondidas. Pagou caro por desafiar o Império: morreu martirizado num 14 de fevereiro da Antigüidade clássica, ano 270 d. C. A vida faz e desfaz e o bom cristão foi canonizado. Ingleses e franceses comemoram a data desde o século XVII: Dia de São Valentim e dos Namorados. Os EUA celebram o seu famoso “Valentine's Day” desde o século XVIII. No Brasil, como sabemos, quase tudo chega com atraso: foi o publicitário João Dória quem trouxe a idéia de lá, mas competir com o carnaval seria impossível – e fevereiro tem carnaval... O mês de junho foi escolhido por razões pouco românticas: mês de vendas baixas. "Não é só com beijos que se prova o amor", cunhou João Dória, mercantilista como ele só. Pelo menos ficou o dia 12, véspera de Santo Antônio, o santo casamenteiro. Amenidades nesses ásperos tempos. Que estas datas nos inspirem para continuar na luta por um mundo de mais delicadeza, numa terra que, como a lua, seja dos namorados. Chico Alencar é deputado federal (PT/RJ) e historiador.
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