Abafadores de maracutaias
Leonel Brizola, 12 junho 2003

De todas as surpresas que nos vem pregando o governo do PT, a mais recente é esta "operação-abafa" que se desencadeou contra a apuração do escândalo do Banestado. Um rombo de R$ 30 bilhões, dinheiro mandado ilegalmente para o exterior por políticos e empresários, merece ou não merece o nome de maracutaia? Pois é isso, numa operação coordenada pelo ministro José Dirceu e pelo presidente do Senado, o neopetista José Sarney, o que se está fazendo para evitar a CPI no Senado. O argumento era o de que bastaria a Polícia Federal para apurar tudo. Agora, vem a prova de que tudo era apenas uma manobra para terminar em pizza a investigação desta vergonha. O governo, através do Ministro da Justiça, afastou e colocou na geladeira o delegado federal que denunciou a ilegalidade. Tudo em nome de não atrapalhar o confisco dos aposentados! O presidente Lula não pode se deixar envolver neste escândalo.

Grosseria com o Judiciário
Se fosse apenas ódio político do Estadão contra mim, Leonel Brizola, não seria de se estranhar. Mas atacar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo simples ato de cortesia de saudar-me - e ao ex-presidente Itamar Franco - na solenidade de sua posse, confessadamente, foi um dos argumentos para pressionar o Judiciário a ficar inerte ante as possíveis inconstitucionalidades desta pseudo-Reforma da Previdência. Quando o PT utilizou, minutos a fio, a nomeação do ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes em seu programa eleitoral na televisão - o que deve ter provocado grande constrangimento ao próprio jurista - o Estadão não deu um pio. Que o grande jornal paulista, conservador como sempre, esteja ao lado de tudo que retire os direitos dos trabalhadores, nada demais. Mas a tradição do Estadão, que o torna tão respeitável, deveria fazê-lo poupar-se de grosserias como a que fez ao ministro Maurício Corrêa e ao Poder Judiciário.

Programa do PDT
Hoje, quinta-feira, às 20h30, vai ao ar o programa de televisão do PDT. Será uma oportunidade para que todos saibam, sem as intrigas que se vem fazendo, de nossas posições frente ao governo Lula. Gostaríamos, depois de 6 meses da nova administração, de estar aplaudindo as medidas em favor do emprego, do desenvolvimento, dos direitos dos trabalhadores, da soberania nacional. Infelizmente isto não ocorreu. Apoiamos Lula no 2o turno e em todas as horas decisivas da trajetória do presidente. Mas não ficaremos de braços cruzados vendo as esperanças da população esvaírem-se na repetição das políticas do governo FHC, que o voto popular quis varrer para o lixo da história.

Leonel Brizola é presidente nacional do PDT.


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