| Verba jumbo para a safra
Martha Beck, O Globo, 13 junho 2003 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem o primeiro plano agrícola e pecuário de seu governo. Os produtores vão receber R$ 32,5 bilhões para plantio, investimentos e comercialização da safra 2003/2004, o que representa um crescimento de 25,8% em relação ao volume de R$ 25,8 bilhões da safra passada. O volume de recursos, o maior já destinado ao setor, será dividido entre os ministérios da Agricultura (R$ 27,15 bilhões) e do Desenvolvimento Agrário (R$ 5,4 bilhões). O novo plano entra em vigor no dia 1 de julho, e a estimativa do governo é que a próxima safra chegue a 120 milhões de toneladas, cinco milhões a mais que a deste ano, se as condições climáticas forem favoráveis. O presidente Lula ressaltou que o agronegócio é responsável por 29% do Produto Interno Bruto (PIB), por 41% das exportações e por 37% dos empregos criados no país. — A nossa agricultura já tem dado uma contribuição extraordinária ao país. No meu governo e com essas medidas, ela se tornará ainda mais forte e decisiva para o crescimento da economia e o bem-estar do nosso povo — disse Lula. Prioridade será
para alimentos básicos
O governo também vai dar prioridade à produção de alimentos básicos no programa de empréstimos do governo federal. O limite de crédito para os produtores de arroz e feijão vai aumentar 33%, passando de R$ 300 mil para R$ 400 mil por produtor. Já o limite para a produção de mandioca vai passar de R$ 150 mil para R$ 200 mil. O maior crescimento será para o milho, de R$ 250 mil para R$ 400 mil por produtor. — A meta é atender à demanda gerada pelos novos programas sociais, como o Fome Zero — disse o ministro. Um dos objetivos do financiamento será o aumento das exportações, e o próprio presidente deu sinal de que o fim das barreiras pode aumentar as vendas desses produtos: — A agricultura é um caminho em que o Brasil não deve favor a ninguém. Temos condições de obter grandes resultados. É justamente por isso que muitos países não querem tirar os subsídios que concedem à sua agricultura. Eles sabem que quando o Brasil chegar vai dar um banho — disse Lula. No pacote de ontem, o governo também anunciou linhas de crédito no valor de R$ 450 milhões para formar, ampliar e renovar o capital fixo e o capital de giro de cooperativas agrícolas. Isso representa aumento de 80% em relação à safra 2002/2003. O superintendente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Clodoaldo de Alencar, afirmou que os recursos do governo vão ajudar as cooperativas a superarem dificuldades financeiras. — Se instituições como o Banco do Brasil ou outras redes bancárias cumprirem o que o governo está determinando, então não temos mais nada a exigir — disse Alencar. O presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antônio Ernesto de Salvo, considerou o plano tímido. Segundo De Salvo, os custos dos produtores cresceram 40% no ano passado, mas o volume de recursos do governo vai subir apenas 25% este ano. — O governo ainda é tímido em relação ao potencial da agricultura brasileira — disse. Plano de recompor estoques
públicos
A idéia do governo é ter um estoque de 3 milhões de toneladas de milho, 1,5 milhão de toneladas de arroz, 30 mil toneladas de farinha de mandioca e 50 mil toneladas de feijão. Para o álcool, o governo vai criar uma linha de crédito especial, com recursos da Cide, no valor de R$ 500 milhões, para a estocagem do produto. — O Estado brasileiro precisa
ter um papel muito mais rigoroso na estocagem de produtos agrícolas
— destacou o presidente.
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