Lula propõe taxar armas contra a fome
Blair e Lula conversam e esperam os outros integrantes da reunião. [Reuters]
Clóvis Rossi, 2 junho 2003, FSP. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs ontem a taxação do comércio internacional de armas como uma de duas formas de financiar "um fundo mundial capaz de dar comida a quem tem fome e, ao mesmo tempo, de criar condições para acabar com as causas estruturais da fome". Ler


ONGs consideram G-8 irresponsável
Jornal do Commercio, 4 junho 2003. Várias organizações não-governamentais, como Amigos da Terra, Attac e Greenpeace, criticaram o G-8 ontem, por sua "incapacidade para assumir suas responsabilidades em questões essenciais" aos países em desenvolvimento. Ler


G-8 divulga declaração por 'Iraque soberano'
[3 junho 2003] Documento final abrange também terrorismo, proliferação de armas de destruição em massa e Zimbábue. Da BBC Brasil, aqui


Lula da Silva no G8
"A pobreza e a miséria que atingem milhões de homens e mulheres no Brasil, na América Latina, na África e na Ásia, nos obrigam a construir uma nova aliança contra a exclusão social. Estou convencido de que não haverá desenvolvimento econômico sem sustentabilidade social e que, sem ambos, teremos um mundo cada vez mais inseguro. É nesse espaço de desagregação social que prosperam os ressentimentos, a criminalidade e, em especial, o narcotráfico e o terrorismo". Íntegra do discurso de primeiro de junho de 2003


Perguntas sobre Iraque constrangem Blair
[O Globo, 2 junho 2003] O premier britânico, Tony Blair, passou por maus momentos durante a entrevista coletiva em Evian, onde acontece a reunião do G-8. Depois de um breve resumo sobre o encontro e de reiterar seu apoio à posição divulgada pelo grupo de fazer respeitar os acordos internacionais de não-proliferação de armas de destruição em massa, Blair foi bombardeado pelos repórteres com perguntas sobre o Iraque, como as armas químicas, biológicas e nucleares que ainda não foram encontradas no país e a possível manipulação dos informes da inteligência britânica para facilitar o apoio aos Estados Unidos.


Bush: Monossílabos
[O Globo, 2 junho 2003] (...) Os dois líderes [Chirac e Bush] descreveram a reunião desta segunda-feira do G-8, sobre economia mundial, como "muito positiva" e o presidente americano afirmou que ele e seu contraparte francês concordaram em seguir em frente no Iraque. Os dois pareciam mais relaxados que durante a reunião do G-8 na manhã desta segunda - quando Chirac se esforçava em conversar com o presidente americano, que, sentado à sua esquerda, respondia com monossílabos.



Declaração final
[...] A declaração final dos líderes do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo, mais a Rússia) em Evian (França) não cita a proposta do fundo mundial contra a fome, do presidente Lula. O G-8 prometeu apenas "atender às necessidades alimentares urgentes". Lula propusera a taxação do comércio internacional de armas e a destinação de parte dos juros pagos aos países ricos por nações devedoras para financiar o fundo. (Folha de S. Paulo, 4 de junho, pág. 1 e A12)
Sobre o G8
Gustavo Barreto, 2 de junho de 2003

O G8 é o grupo dos sete países mais industrializados do planeta mais a Rússia. Em decisão inédita, deu palavra a diversas nações em desenvolvimento. A reunião aconteceu em Evian, França, e o tema foi Economia. Entre estas nações, estava o Brasil, que acabou sendo o grande destaque do encontro.

Lula da Silva fez questão de citar em seu discurso a necessidade do compromisso do G8 de convidar os países em desenvolvimento presentes em Evian para futuras reuniões. A próxima será, aliás, nos Estados Unidos.

Além disso, propôs a taxação da indústria de armas - que sustenta o atual governo norte-americano - para financiar um fundo mundial de combate à pobreza. Além disso, o fundo seria responsável por mudanças estruturais na atual "equação econômica", criando condições para a erradicação do problema.


Editorial | Gustavo Barreto
Na edição online de uma das mais conceituadas revistas de esquerda dos Estados Unidos, nota comenta que "a proposta de Lula para criar um fundo contra a fome, que teria apoio financeiro de uma taxa sobre a venda de armas no planeta, faz sentido tanto moral quanto prático".

A autora chama Lula da Silva de "líder mundial raro com algo visionário a dizer", e diz ter esperança que sua proposta receba mais atenção em sua visita à capital norte-americana no próximo dia 20, quando se encontrará com o presidente Bush.

Original aqui

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O idiota sul-americano. O idiota sul-americano critica o Lula porque ele vai à reunião do G8 e não fala em inglês. Quem conhece os líderes árabes deve se lembrar que, em geral, são muitos estudiosos e falam, em média, cinco línguas. Sabem falar inglês melhor do que as pessoas do Texas. Sempre que se encontram com líderes da Grã-Bretanha ou dos Estados Unidos, se negam a falar em inglês. Nem uma palavra.

E essa é a semelhança entre estes líderes e o Lula: são genuinamente nacionalistas. E não são idiotas.


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