| Partido dos Trabalhadores,
uma paródia?
Petrônio Souza, 11 de maio de 2003 Está escrito nas páginas da nossa história como os momentos mais negros e pesados do nosso Brasil. No Atlas Histórico da Istoé está lá, na página 187, sobre os anos de chumbo da ditadura militar num distante 1968: “...Um discurso do dep. Federal Márcio Moreira Alves entre muitos protestos contra a invasão a Universidade de Brasília em agosto de 1968, deflagra uma crise institucional. Pronunciado 3 dias após as violências na UnB, Márcio propõe o “boicote ao militarismo”: que o povo não assista aos desfiles de 7 de setembro e as namoradas de militares rompam com eles. O deputado de 1º mandato, tem pouca expressão e o apelo passa despercebido da imprensa, mas não do sistema. Os ministros militares consideram o discurso ofensivo “aos brios e a dignidade das Forças Armadas” (sic). Obediente à pressão dos quartéis e a um parecer de Gama e Silva, o procurador-geral da República pede no STF a cassação de Moreira Alves”. Naquele momento Moreira Alves representava a oposição e seu discurso era motivo de cassação por uma direita canalha, torpe e covarde. Hoje, os discursos de oposição dos líderes petistas também são motivos de cassação, ou seja, expulsão dos membros do partido. O que a direita fez durante anos com a oposição esquerdista, agora, a esquerda está fazendo com a própria esquerda partidária e o Partido dos Trabalhadores já ensaia um hino de cassação dos radicais do partido. Ora, estamos em uma democracia e este novo governo, depois de tudo que passou, deveria ser o melhor e maior exemplo disso. Saber conviver com as suas diferenças é o melhor exemplo e exercício de grandeza e respeito que um partido pode ter pelas suas lideranças. Mas, para o PT, todo este discurso parece não fazer mais sentido. Todos os dias, os líderes petistas vêm sofrendo retaliações por suas posturas, que não destoaram até hoje, do discurso pré e pós eleitoral. Os taxados de radicais no partido são no mínimo, autênticos e isso, não vale para quem agora é situação. Lindberg Farias representando a região sudeste, Luciana Genro o sul, João Batista o norte e Heloísa Helena o nordeste mostram diariamente que o Brasil é bem maior que uma sigla partidária e que é através do debate de idéias e opiniões que se pode chegar a um consenso, que seja mais igualitário, que vá além da Avenida Paulista e dos interesses internacionais. Mas, como nos tempos de chumbo, a mão pesada da ditadura da idéia começa a pesar sobre eles, empurrando-os para fora do partido. Com isso, o PT vai fazendo com que muitas das suas namoradas rompam com ele e, até discursos que poderiam passar despercebidos por todos, vai ganhando notoriedade pela falta e ingerência política de um partido de primeiro mandato. Lamentável é ver que um partido que até bem pouco tempo era dos trabalhadores e que muitos trabalhadores chegaram ao poder com as mesmas convicções, agora tornou-se um partido de políticos e, políticos e trabalhadores não são mais sinônimos e em muitos casos, paródias. Enquanto isso, assistimos ao ex-guerrilheiro e presidente do PT José Genoíno apontando sua metralhadora para os seus camaradas, tendo mais força neste governo que parlamentares, representantes eleitos pelo povo, que confiou a eles, uma representação nacional. E o Lula, que até bem pouco tempo era paz e amor, vai deixando aos poucos, seus aliados sendo queimados pela fogueira acesa da vaidade, da ditadura e da servidão aos interesses anti-nacionais. Petrônio
Souza é escritor, produtor artístico e fotógrafo.
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